Análise Arkade: Platypus Reclayed, um simpático jogo de navinha todo feito de massinha

20 de setembro de 2025

Platypus Reclayed revive um “jogo de navinha” de 2002 que tem uma característica muito charmosa: ele é todo feito de massinha de modelar que foi escaneada, digitalizada e animada em uma combinação de stop motion com efeitos digitais.

Desenvolvido pela Claymatic Games em parceria com o criador do original, Anthony Flack, Platypus Reclayed é uma nova versão do jogo, recriada de forma extremamente respeitosa e mantendo a essência “artesanal” do título original… bem como algumas pentelhices de dificuldade que poderiam ter sido repensadas.

Navinha e massinha

A proposta de Platypus Reclayed é simples: nada de história ou contexto, simplesmente pegue sua nave e saia atirando, tentando sobreviver o máximo que der enquanto tenta não tacar o controle na parede diante de chefes gigantes e uma dificuldade que só aumenta.

O gameplay é extremamente simples — vamos usar basicamente um botão e a alavanca analógica. Sem “botão de especial”, nem nada do tipo, basta sentar o dedo no gatilho sem dó e ser ágil nas manobras evasivas para lidar com as naves inimigas que chegam por ambos os lados da tela — a progressão aqui é horizontal.

Como em todo bom shmup, existe uma boa variedade de power ups que melhoram seus projéteis, ou acrescentam efeitos adicionais (tipo bombas, tiros para trás ou mísseis teleguiados).

Um diferencial é que aqui os power ups têm tempo de duração — repare na estrela com 35 (segundos) no canto superior da imagem acima. Os potencializadores ficam equipados por um número determinado de segundos, ou até que você tome dano.

Mentalidade de fliperama

A simplicidade mecânica, porém, não significa que o jogo é fácil: o nível de desafio aqui é casca grossa, bem daquele jeito pensado para consumir todas as nossas fichas, se fosse um fliperama. E, tal qual um jogo de fliperama, começamos com poucas vidas e apenas dois continues.

Repare que os cenários também são feitos de massinha

Ainda que o jogo não carregue aquela vibe bullet hell comum nos jogos de navinha, ele é desafiador por colocar inimigos grandes (que precisam de muitos tiros para explodir) na tela junto com os menores, que possuem movimentos erráticos, adotam estratégias kamikazes e ficam em posições que dificultam uma mira precisa.

O jogo até oferece opções de dificuldade, e quem jogar no easy vai receber algumas colheres de chá (tipo começar com mais escudos e uma nave mais bem equipada), porém, terá uma experiência incompleta — das 5 fases, apenas 4 ficam disponíveis. É uma decisão de game design que considero ruim, especialmente porque zerar o jogo na dificuldade normal já é bem difícil. A morte chega rápido, e nunca dá tempo de acumular os pontos necessários para ganhar mais continues.

Além de naves inimigas, também existem armadilhas

Eu sinceramente gostaria que este relançamento tivesse abraçaço algumas novas ideias de acessibilidade. Um rewind aqui seria perfeito para reverter erros bobos, ou simplesmente um modo “fichas infinitas”, que não mexesse na dificuldade, mas permitisse ao jogador ter a experiência completa. Curiosamente, existe a opção “destravar tudo” que libera todas as fases, para você jogar na ordem que quiser. É válido, mas eu preferia um simples rewind no lugar deste atalho exagerado.

Audiovisual e novidades

Visualmente, Platypus Reclayed enche os olhos. O gênero shmup já passeou por diversas estéticas — tipo pixel art, 2.5D, cel shaded — mas acho que nenhum outro jogo ousou tanto: a combinação de massinha de modelar com stop motion é simplesmente linda, e concede ao game um visual único. Detalhes caprichosos, como buracos de bala na “carroceria” das naves e pilotos saltando de paraquedas quando suas naves explodem deixam tudo ainda mais charmoso.

Platypus Reclayed inclui também o jogo de 2002. Tirando o formato de tela “quadrado”, e o fato de só ter uma nave (a nova versão traz 3 naves selecionáveis, com características distintas de velocidade, defesa e poder de fogo), fica evidente que o remake é muito respeitoso ao material original em questão de desafio e design dos mapas e naves.

No departamento sonoro, o game traz batidas eletrônicas — que sempre combinam com a temática “jogo de navinha” — e efeitos de explosões e tiros competentes, que deixa a ação ainda mais imersiva e impactante. No geral, é um jogo extremamente bem resolvido na questão audiovisual, que sabe ser diferente e tirar proveito de sua estética única.

Um mundo de massinha <3

Por último, mas não menos importante, vale ressaltar que nos extras podemos encontrar uma simpática galeria de fotos que mostra “cenas de bastidores” das naves e cenários feitos de massinha. Não há muito contexto ou profundidade, mas mostra o carinho com que todo o mundinho do jogo foi criado.

Conclusão

Platypus Reclayed é um remake que honra o original e mantém-se extremamente fiel à sua proposta. O visual é o carro-chefe do game, mas ele não é só um rostinho bonito: apesar de mecanicamente simples, seu gameplay é fluido e responsivo, e o nível de desafio é hardcore. Eu gostaria que o game tivesse uma abordagem mais amigável em termos de acessibilidade, mas ele opta por um nível de dificuldade old school que pode ser um tanto frustrante.

O chefe no jogo…
E na mão de seu criador

Ainda que nunca tenha sido um jogo de fliperama, ele carrega a mentalidade de game design “devoradora de fichas” de jogos criados para esta plataforma. Então, se você é fã de shmups e está em busca de um jogo diferente do gênero, Platypus Reclayed sem dúvida é um caso singular, e combina estética e desafio como nenhum outro.

Platypus Reclayed está disponível para PC, PS4, PS5, Xbox Series S|X (versão analisada) e Nintendo Switch. O game possui menus e legendas em PT-BR.

Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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