Ir para o conteúdo

Análise Arkade: a tensão e o terror de Resident Evil Revelations 2 – Episódio 1: Penal Colony

Análise do primeiro episódio de Resident Evil Revelations 2, avaliando o terror, o gameplay cooperativo e a campanha episódica.

Rodrigo Pscheidt

Esta matéria é de 2015 e pode estar desatualizada.

Análise Arkade: a tensão e o terror de Resident Evil Revelations 2 - Episódio 1: Penal Colony

O terror está de volta… agora em formato episódico! Na sequência você confere nossa análise do primeiro episódio de Resident Evil Revelations 2!

Depois do sucesso de The Walking Dead e outros títulos da Telltale, parece que lançar jogos em formato episódico virou moda. Neste tipo de jogo, é essencial que a história seja boa e deixe bons “ganchos” para deixar o jogador na expectativa ao final de cada episódio.

revil12

Publicidade

Será que a Capcom conseguiu se sair bem nesta missão? Vamos descobrir!

2 histórias diferentes

Resident Evil Revelations 2 nos conta duas histórias diferentes, que invariavelmente irão acabar se cruzando: na primeira, conhecemos o grupo anti-bioterrorismo Terra Salva, onde a veterana Claire Redfield conhece Moira Burton, jovem com ar rebelde que é filha do bom e velho Barry Burton. Na segunda, acompanhamos o próprio Barry, cuja companhia é a fofinha e enigmática Natalia Korda.

revil5

Na trama de Claire e Moira, vemos que uma confraternização da Terra Salva acaba mal quando um mini-exército fortemente armado invade o local, sequestra todo mundo e — pior — injeta algo misterioso em Claire e Moira. Quando acordam, as duas estão em uma sinistra prisão abandonada, usando braceletes estranhos e sendo constantemente vigiadas por câmeras de segurança.

Onde elas estão? Qual é a dos braceletes? Quem é a misteriosa “Observadora” que está o tempo acompanhando seus passos? Estes são alguns mistérios que elas terão que desvendar juntas enquanto exploram o macabro complexo e seus arredores.

Wed_Feb_25_20-10-43_UTC-0300_2015

Publicidade

Já a campanha de Barry se passa na mesma área do presídio: ele está em busca de sua filha, e no caminho acaba conhecendo Natalia, uma menininha enigmática que parece saber um pouco do que anda acontecendo por ali. Conforme a trama avança, Barry vai percebendo que todos podem estar envolvidos em algo maior e mais sinistro do que parece.

Gameplay

Falando em coisas sinistras, é claro que o presídio não é tão abandonado quanto parece: sem zumbis ou Oozes, o que temos agora são os afflicted, pessoas que foram vítimas de um novo e misterioso vírus e se tornaram aberrações que caçam humanos. Existem variações deles, e cada uma é mais bizarra do que a outra.

revil15

Se você jogar sozinho, terá que alternar entre os personagens de vez em quando: embora ambas comecem sem nenhum equipamento, logo Claire descola umas armas de fogo, enquanto Moira empunha uma lanterna — capaz de cegar momentaneamente inimigos e revelar itens escondidos pelo cenário, mais ou menos como o Genesis Scanner do primeiro Revelations –, e pode desferir ataques melee usando um pé de cabra, que também é útil para arrombar baús e portas. As duas ocasionalmente se separam para que Moira abra alguma porta ou opere algum mecanismo.

Já na parte de Barry e Natalia, o ex-integrante dos S.T.A.R.S. chega super bem equipado, com sua inseparável Magnum, um rifle, uma pistola e uma faca. Natalia pode no máximo dar tijoladas nos inimigos, mas ela possui um “dom” que lhe permite “sentir” a presença de inimigos próximos — o que é bem útil –, e por ser pequena ela pode passar por buracos e acessar áreas que Barry não alcança.

revil4

Como na prática a inteligência artificial do companheiro acaba não sendo tão inteligente quanto a gente gostaria, trocar de personagens se torna uma necessidade constante — você pode por exemplo, cegar um inimigo com a lanterna de Moira para deixá-lo mais vulnerável aos ataques de Claire.

Felizmente, nos consoles é possível jogar a campanha em modo cooperativo offline (tela dividida), então, caso tenha um player 2 para jogar contigo, é altamente recomendável que você vivencie o jogo em modo cooperativo, o que elimina o “troca-troca” de personagens e torna tanto a exploração quanto os combates bem mais dinâmicos.

Publicidade

revil6

O gameplay com todos eles segue a cartilha padrão dos Resident Evils modernos, parecendo uma mistura do que vimos em RE6 e no primeiro Revelations: você pode mirar e atirar (enquanto anda!), ou se abaixar para garantir mais precisão. Ah, e agora podemos andar abaixado para abordagens stealth. Também é possível desferir ataques corpo-a-corpo e se esquivar, e caso a coisa aperte para valer, correr para longe dificilmente salvará sua vida, mas pode pelo menos dar uma aliviada na tensão.

Elementos clássicos como as ervas verdes e vermelhas estão de volta, ficando estocadas em um inventário que — como de praxe — é bem limitado (cadas personagem tem o seu), mas pode ir sendo expandido conforme você encontra bolsas e coldres. Além de tirar sua energia, certos ataques podem te deixar sangrando ou causar cegueira temporária (tipo uns debuff debilitante), para resolver isso entram em cena novos itens como o torniquete e o desinfetante.

Thu_Feb_26_00-54-56_UTC-0300_2015

Bebendo na fonte de jogos como The Last of Us, agora é possível combinar itens aparentemente inúteis para criar algo melhor: garrafas vazias, por exemplo, podem ser combinadas com álcool ou pólvora para virarem coquetéis molotov ou explosivos. Além de criar itens, também é possível dar uma turbinada em suas armas, com kits de melhorias que aumentam poder de fogo, cadência de tiro e outros status.

Siga o Arkade no Instagram @revistaarkade Seguir

Você também pode melhorar os atributos dos personagens, “comprando-os” usando BPs. Você consegue BPs coletando pedras preciosas (Moira e Natalia são boas para encontrá-las pelos cenários) e ao final de cada trecho da campanha, de acordo com seu desempenho. A árvore de evolução é bem grande, e concede não só melhorias, como novas habilidades para os personagens.

E o terror?

Resident Evil Revelations 2 traz um pouco o lado “trüe” da série em termos de sobrevivência: a munição e os itens de cura são relativamente escassos, e não há aquela mamata de inimigos mortos droparem dinheiro ou caixas de munição. Para economizar balas, o headshot continua sendo a melhor opção, ainda que o combo lanterna + ataques melee também seja bem útil contra inimigos isolados.

revil11

Revelations 2 não chega a dar medo, mas consegue te deixar tenso. Talvez os clássicos da série também não causem o mesmo impacto de antigamente (onde a molecada se borrava com qualquer cachorro quebrando a janela), mas é fato que aqui temos um jogo mais voltado para os momentos de tensão e suspense do que para o terror.

O cenário escuro e claustrofóbico com sangue para todo lado ajuda a criar este clima de tensão. Vez ou outra temos alguns sustos — no estilo daquele famoso cachorro da janela — mas as influências maiores são sem dúvida os jogos mais recentes da série e o próprio Revelations.

Wed_Feb_25_20-27-25_UTC-0300_2015

Embora seja um fã da série (que cansou de ver jogos ruins), admito que gosto desse meio termo que a série Revelations criou. Nem só terror, nem só ação e tiroteio, mas um pouco dos dois, com ênfase na exploração, na coleta de recursos e na sobrevivência. A receita funcionou bem antes antes, e continua funcionando aqui.

O modo raid

O primeiro episódio por si só deve durar no máximo 3 horas. Para oferecer mais conteúdo aos jogadores, a Capcom trouxe de volta o modo Raid, que está maior e mais completo do que nunca. Em uma pegada meio Animus, o modo Raid agora funciona como uma simulação, rodando na Red Queen (a inteligência artificial de Umbrella Chronicles que até apareceu no filme, lembra?), o que é praticamente uma carta branca para justificar a zoeira frenética.

revil18

No lobby — que é inspirado na mansão — você controla um avatar sem corpo que veste a skin de diversos personagens famosos da série, e existem vários personagens destraváveis. Aí é só equipar seu personagem, escolher o tipo de missão que quer fazer e partir para a matança. Existem desafios principais e diários que lhe rendem ouro, para você melhorar os atributos de cada avatar (todos podem chegar ao level 100).

No modo Raid toda a tensão e mistério é deixado de lado em prol da matança frenética: você garante mais ouro quando mata mais inimigos e completa a fase no menor tempo possível. Para evitar o farming, você não pode ficar jogando o mesmo mapa várias vezes, há um sistema de microtransações (feitas com dinheiro in-game, não de verdade) que obrigam o jogador a cumprir desafios e explorar novos mapas.

revil

O modo Raid já chegou com vários mapas (alguns de jogos anteriores da série), e a cada novo episódio lançado, mais desafios serão implementados. Por enquanto ele só aceita jogo local, mas a Capcom já prometeu implementar a jogatina online depois que todos os episódios forem lançados. Na prática o modo Raid deve oferecer incontáveis horas de diversão para os fãs.

Audiovisual

Por ser um Resident Evil mais modesto, não espere pela qualidade gráfica de um AAA. O jogo está longe de ser feio, mas também não almeja ser o game mais bonito do ano nem explorar ao máximo o hardware da geração atual. As texturas deixam a desejar — especialmente em pedras e ambientes externos — e os inimigos possuem um visual “genérico” que se repete bastante.

revil8

Apesar disso, o game conta com personagens bem modelados e uma boa direção de arte, com cenários que, em determinados momentos, parecem artworks. As animações também cumprem seu papel — lembrando que o jogo roda em 60fps na nova geração — e as cutscenes tem um visual meio aquarelado bem interessante.

As dublagens são boas, valorizando a interação dos personagens e até tendo um certo sabor de nostalgia — não perca a piada que envolve o memorávelJill Sandwich“. A trilha sonora se repete um pouco, mas os sons ambientes são muito bons, e jogar com um bom headphone deixa a experiência bem mais imersiva. Ah, e vale ressaltar que o jogo está totalmente legendado em português!

Veredicto do primeiro episódio

Como em uma série de TV, o primeiro episódio de um game serve para “dar o tom” do que vem por aí, na esperança de cativar (ou não) o público. Até aqui, Resident Evil Revelations 2 conseguiu fisgar minha atenção especialmente pelo seu roteiro, que é intrigante e bem trabalhado. O final do episódio é excepcionalmente bom, com um gancho planejado para nos deixar ansiosos.

Wed_Feb_25_19-59-28_UTC-0300_2015

E o mais legal é que , se pararmos para pensar, Revelations 2 funciona de forma independente: mesmo se você nunca jogou os clássicos e sequer sabe quem são Claire ou Barry, vai poder curtir o game. Esse é um spin off que se mantém perto da série o suficiente para agradar aos fãs old school, mas consegue se sustentar com as próprias pernas. Que a narrativa se mantenha boa, pois o primeiro episódio me deixou curioso.

Resident Evil Revelations 2 – Episódio 1: Penal Colony foi lançado no dia 24 de fevereiro, com versões para PC, PS3, PS4, X360 e XOne. Na semana que vem a gente confere como ficou o episódio 2. Fique ligado! 😉

Próxima matéria Multiplayer online de jogos free to play sem assinatura Live Gold já está rolando no Xbox! Xbox Multiplayer online de jogos free to play sem assinatura Live Gold já está rolando no Xbox! Agora você pode curtir o multiplayer online de seus jogos free to play favoritos no Xbox, mesmo SEM uma assinatura Xbox Live Gold!
Plataformas
PlayStation, Xbox, Nintendo, PC
Lançamento
2015
Desenvolvedora
Capcom
Publicadora
Capcom
Gênero
Survival horror e ação
Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

Mais matérias de Rodrigo Pscheidt

Buscar no Arkade