Análise Arkade: Rune Factory Guardians of Azuma, a reinvenção que a série precisava

Rune Factory: Guardians of Azuma é um RPG de ação com elementos de simulação de vida (Slice of Life). Esta série, amada por muitos, passa por uma reimaginação, ajustando aspectos que estavam desgastando a franquia, entregando novas formas de administrar uma fazenda e impulsionar a economia de um local.
O jogo apresenta uma história independente da série principal e é ambientado no país oriental de Azuma. Nele, você assume o papel de um herói chamado Dançarino da Terra, utilizando seus poderes para combater a corrupção que assola Azuma e restaurar a esperança a uma terra outrora próspera.
Desenvolvido e distribuído pela Marvelous, o jogo foi lançado em 5 de junho de 2025 para Nintendo Switch 1, Nintendo Switch 2 e PC (via Steam). A direção é de Shiro Maekawa, que trabalhou em Rune Factory 3, 4 e 5, além de Monster Hunter Stories.
A história e o mundo de Azuma
A narrativa gira em torno da Queda Celestial, uma calamidade desencadeada por um objeto colossal que colidiu com as terras orientais de Azuma. O impacto devastador fragmentou o terreno, lançando partes para os céus e mares.
Com a terra despedaçada, o fluxo de runas cessou, e os deuses da natureza desapareceram. Montanhas desmoronaram, campos murcharam, e as pessoas ficaram sem recursos… nem mesmo esperança.
Você acorda, perturbado por um sonho de dragões em duelo. Sem memórias claras, uma voz ecoa em sua mente:


“Aceite o poder de um Dançarino da Terra. Use este poder para salvar a terra.”


O mundo de Azuma é composto por locais que representam as quatro estações do ano, cada um com seu deus representante. A jornada começa na primavera, onde você deve revitalizar vilarejos, desenvolvê-los e incentivar o retorno da população que abandonou a região, além de ajudar a divindade local a recuperar seus poderes.

Cada área é única, com características marcantes da estação correspondente, oferecendo locais para exploração de recursos e combates contra inimigos.


Novidades sobre o Combate e o gerenciamento de vilas
Em Rune Factory: Guardians of Azuma, o sistema de combate foi completamente reformulado, assim como o sistema de plantação, um dos pilares da série, agora integrado ao gerenciamento de vilas, onde você atua como uma espécie de prefeito.
Ao final de cada dia, um resumo detalha a produção da vila e informa se novos moradores chegaram. Alguns impactam significativamente a economia, enquanto outros têm menor influência.

Nos jogos anteriores, era necessário usar várias ferramentas, como enxada para preparar o solo e regador para irrigar as plantações. Aqui, o processo foi simplificado: todas as funções de plantio foram condensadas em um único instrumento, e a irrigação agora é feita diretamente, eliminando a necessidade do regador e agilizando o trabalho.

Reconstruir vilas e expandir plantações aumenta o nível de poder da divindade local, desbloqueando novas mecânicas essenciais para o progresso. Em certo ponto, é possível designar moradores para trabalhar nas plantações, tornando a vila autossuficiente.
Instrumentos divinos
Para purificar a terra e salvá-la, você utiliza instrumentos divinos, concedidos pelos espíritos guardiões de Azuma. Esses instrumentos têm múltiplas funções: são úteis no combate, na purificação de locais e até como ferramentas de plantio.
Por exemplo, o tambor sagrado, oferecido pela deusa da primavera, pode curar e acelerar o crescimento das plantações em um dia. Já o leque sagrado facilita a colheita, usando rajadas de vento para coletar os itens.


Combate refinado
O combate em Guardians of Azuma foi reformulado para enfatizar a ação, reduzindo a predominância dos elementos de fazenda. Um jogo semelhante seria Harvestella, o “Rune Factory” da Square Enix. Fora da vila, comandos relacionados à fazenda são desativados, pois o jogo reconhece que é hora de focar no combate, tornando a experiência mais dinâmica e menos estressante. Nos títulos anteriores, era necessário substituir ferramentas por armas para lutar, o que foi eliminado aqui.

Você pode equipar até duas armas simultaneamente, como arcos, espadas ou talismãs, alternando entre elas com um botão. Isso torna o combate mais fluido e prazeroso.

Além disso, é crucial aprender as fraquezas dos inimigos, pois alternar armas estrategicamente facilita o progresso.
Se relacionando com outros personagens
Como um simulador de vida, Rune Factory: Guardians of Azuma mantém a tradição de interação com personagens.

O sistema de afinidades funciona assim: quanto maior o nível de interação com um personagem, melhor ele será como companheiro de batalha. Além disso, é possível receber presentes no aniversário do protagonista, e até casar e formar uma família no jogo (ainda não explorado pelo autor).
Audiovisual
Desenvolvido na Unreal Engine, assim como seu antecessor, Guardians of Azuma demonstra melhorias significativas. Comparado a Rune Factory 5, o jogo é mais bonito e estável, mantendo a taxa de quadrosconsistente na maior parte do tempo. Há pequenos atrasos na renderização de cenários durante viagens rápidas entre cidades, mas nada que comprometa a experiência.

O jogo introduz expressões faciais nos personagens, eliminando as imagens estáticas dos diálogos anteriores, o que aumenta a imersão. Além disso, os diálogos são completamente dublados, um marco para a série.

O áudio é impecável, com dublagem de alta qualidade e uma trilha sonora que evoca o Japão feudal, temática do jogo, além de incluir músicas clássicas da série remasterizadas.
Conclusão
Rune Factory: Guardians of Azuma revitaliza a série com novas mecânicas que simplificam a jogabilidade, tornando-a menos burocrática e mais divertida. O jogo reúne o melhor da franquia e aprimora seus pontos fortes.
Para quem nunca jogou Rune Factory, este é um excelente ponto de partida, já que as narrativas são independentes, sem necessidade de jogar na ordem. Espero que as inovações deste título sejam aplicadas nos próximos jogos da série.
Lançado em 5 de junho de 2025 para Nintendo Switch (versão analisada), Nintendo Switch 2 e PC (via Steam), o jogo oferece dublagem em inglês e japonês, com legendas em vários idiomas, mas, infelizmente, não em português.