Melhores do Ano Arkade 2025: Kingdom Come Deliverance II

31 de dezembro de 2025

Kingdom Come Deliverance II, para mim, foi mais do que um “bom jogo”, e um dos melhores jogos deste ano. Foi um game que resgatou o prazer de jogar videogame.

Com tantos jogos “iguais” de uma indústria derivativa, que insiste em focar em detalhes bestas, o jogo tcheco chegou sem o alarde de grandes nomes da indústria, que acham que apenas publicidade é o que faz o jogo ser “bom”, e acabou como um dos indicados naquele famoso prêmio de melhores do ano.

Não que eu me importe com o TGA, que pra mim é mais como um “Melhores do Ano do Faustão“, ou seja, uma festa de games que premia com critérios aleatórios, do que um “Oscar”, como tentam vender o evento. Mas tal reconhecimento só prova como que um game, quando é divertido e feito com capricho e respeito, consegue cativar.

O segundo Kingdom Come Deliverance segue a jornada medieval de Henry, mas amplifica tudo o que um RPG de qualidade deve apresentar. Você pode fazer praticamente tudo no game, incluindo recusar missões — o que podem trazer consequências para a sua jornada — ou, se aceitá-las, pode resolvê-las da forma que achar melhor, ditando o seu rumo para a missão e o jogo em si.

A liberdade do game vai muito além do mundo aberto ou da customização de personagem. Cada conversa, cada missão, cada coisa a se fazer amplia, e muito, o conceito atual de “faça a missão X, zere o jogo, procure coletáveis, platine/milete o jogo”. Mais de 300 horas depois, eu simplesmente não queria que o jogo acabasse, por ser tão divertido apenas cavalgar pela Boêmia, forjar minhas próprias espadas e conversar com NPCs cheios de personalidade.

A imersão medieval que o jogo entrega também é praticamente perfeita. Por ser feito na Tchéquia, o game resgata muito da cultura ancestral do país, servindo também como uma excelente fonte de estudos, com direitos a livros dentro do jogo explicando muita coisa. Isso sem falar na sociedade do jogo, que deixa o jogador realmente imerso. Não por acaso, joguei o game em tcheco, apenas para ficar mais envolvido em seu enredo, seu universo, e nas questões comuns à época que ele reproduz.

No fim, Kingdom Come Deliverance II é, além de um excelente RPG, uma imersão profunda e completa na Idade Média, especificamente pelos lados da Boêmia. É possível ver qualidade, capricho e cuidado em cada detalhe, mostrando que, em uma era de “iguais” que a indústria insiste de chamar de “revolucionário”, a revolução está, afinal, em um game que, antes de tudo, faz o possível para ser divertido — e amplifica essa diversão com cuidado e bom gosto.

Relembre nossa análise completa de Kingdom Come Deliverance II.

Junior Candido

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