Análise Arkade: Super Mario Bros. Wonder – Nintendo Switch 2 Edition + Vamos ao Parque Belabel

11 de abril de 2026

Super Mario Bros. Wonder foi, sem exageros, o melhor jogo do Mario com gameplay 2D desde os tempos do Super Nintendo. E agora, com sua chegada ao Nintendo Switch 2, a Big N reforça uma estratégia que vem adotando com consistência: relançar seus títulos recentes não apenas com melhorias técnicas, mas também com conteúdo adicional relevante.

Super Mario Party Jamboree, Kirby and the Forgotten Land e até mesmo Animal Crossing já receberam esse tratamento. Ao invés de apostar em remasterizações básicas — talvez até desnecessárias, como outras empresas fazem –, a Nintendo se dá ao trabalho de expandir as experiências originais.

É exatamente o caso do pacote Super Mario Bros. Wonder – Nintendo Switch 2 Edition + Vamos ao Parque Belabel que foi lançado recentemente. Este combo reúne o excelentejogo original com uma nova expansão que adiciona uma área inédita explorável, um punhado de novos bosses, novos coletáveis e uma série de mini-games voltados para a jogatina em grupo.

Antes de mais nada, um disclaimer

Não vou me alongar aqui reforçando o quanto Super Mario Bros. Wonder é excelente. Eu já fiz uma análise completa dele lá em 2023 — e o jogo inclusive apareceu na nossa lista de melhores daquele ano.

Resumidamente, vou dizer que este é um título que esbanja criatividade do começo ao fim. As Flores Fenomenais são o grande destaque, transformando completamente as fases e a forma como interagimos com o jogo — muitas vezes de maneiras absurdas, inesperadas e extremamente divertidas. Existe uma variedade insana de ideias, mecânicas e situações que mantêm o ritmo sempre fresco. Em termos de apresentação, gameplay e fator diversão, Super Mario Bros. Wonder é o puro suco do que a Nintendo faz de melhor.

Se você quiser se aprofundar mais no jogo base, recomendo dar uma olhada na minha análise de 2023. Aqui, o foco é outro: entender o que realmente muda — e o que vale a pena — nessa nova expansão, o tal do Parque Belabel.

Os Koopinchas e o conteúdo single player

Para resumir a existência da nova área: o Capitão Toad descobriu as ruínas do tal Parque Belabel e, como estamos no Reino Flor, esse espaço é rapidamente restaurado, abrindo caminho para as novidades da expansão.

Entre elas, temos a chegada de Bowser Jr., agora acompanhado por um grupo de novos vilões — os Koopinchas. A dinâmica aqui envolve revisitar áreas do jogo original, caçando estes novos vilões que se espalharam pelo mapa. O conteúdo se integra bem ao mapa já existente e traz boas boss battles novas, além de incentivar a exploração mesmo para quem já havia zerado o mapa.

Outra novidade é um power-up inédito, a chamada roupa Superbroto, que veste o Mario de flor e lhe permite disparar projéteis florais. É uma habilidade bem aproveitada nos novos desafios e ajuda a diferenciar minimamente a experiência em relação ao conteúdo original — que já tinha ótimos power ups, como o emblemático Mario Elefante.

Dentre os novos conteúdos, temos novos colecionáveis, como mudas de plantas que podem ser plantadas (e regadas com água Belabel, outro novo colecionável) para se tornarem flores que podem ter funções decorativas ou práticas — com destaque para a flor de insígnias duplas, que nos permitem equipas duas insígnias simultaneamente. Ah, e pegando uma carona no novo filme do Mario, que está fazendo sucesso nos cinemas, temos a princesa Rosalina e a estrelinha Luma como novos personagens jogáveis.

Se há um ponto que deixa a desejar, é justamente a quantidade de conteúdo single player. Embora o jogo base funcione muito bem em modo solo, essa expansão claramente pende mais para o lado multiplayer. O grosso da novidade está nos modos para múltiplos jogadores — locais ou online –que, em alguns momentos, aproximam bastante a experiência de algo na linha de Mario Party.

Diversão multiplayer

Dito isso, essa crítica parte muito da minha forma de jogar: eu costumo jogar sozinho, então naturalmente senti falta de conteúdo single player mais robusto. Mas, se você tem crianças em casa ou curte reunir amigos para jogar, o Parque Belabel tem tudo para brilhar.

A nova área de Super Mario Bros. Wonder traz uma boa variedade de atrações cooperativas e competitivas para quatro a oito jogadores, além de um hub online que comporta partidas com até 12 pessoas em um bom número de fases temáticas. Este conjunto de atividades tem um “quê” bem claro de Mario Party: são experiências rápidas, diretas e pensadas para gerar diversão imediata, sem muita enrolação ou compromisso de longo prazo.

No geral, todo este adendo multiplayer funciona muito bem para quem busca algo para jogar em grupo, dar risada e aproveitar o momento. Se a ideia é reunir a família ou a galera, o conteúdo do Parque Belabel é, sem dúvida, um prato cheio.

Audiovisual

Super Mario Bros. Wonder já era um espetáculo no Nintendo Switch original, mas é no Nintendo Switch 2 que ele realmente mostra todo o seu potencial. O salto técnico é evidente: agora rodando em resolução 4K no modo dockado, o jogo apresenta imagens muito mais nítidas, cores ainda mais vibrantes e um nível de definição que valoriza cada detalhe das animações e cenários. O frame rate também se mantém mais estável, o que contribui diretamente para uma experiência mais fluida e agradável.

Além das melhorias técnicas, há pequenas adições interessantes, como o suporte ao modo mouse para controlar a Luma — a estrelinha funciona como uma espécie de assistente no multiplayer. Não chega a ser uma revolução de gameplay, mas é um recurso que amplia as possibilidades de interação, especialmente em partidas cooperativas. O multiplayer, aliás, também se beneficia da maior capacidade do hardware, rodando de forma mais consistente e aceitando mais jogadores em certos modos de jogo.

No mais, a base continua impecável. A direção de arte segue extremamente charmosa, com animações cheias de personalidade e aquele cuidado estético que é uma assinatura da Nintendo. A trilha sonora mantém o alto nível, com composições alegres e marcantes que acompanham perfeitamente o ritmo criativo do jogo.

Vale destacar também que o excelente trabalho de localização em português brasileiro foi mantido. A já icônica Flor Tagarela continua fazendo jus ao nome, com comentários espirituosos e bem adaptados. Não é só uma tradução, mas uma localização, com trocadilhos e expressões que conversam diretamente com o público brasileiro — um cuidado que faz diferença e reforça ainda mais o carisma do jogo.

Conclusão

Super Mario Bros. Wonder continua sendo um jogo excelente. Como já dito, trata-se do melhor Mario 2D em muito, muito tempo — o que não é pouca coisa, considerando que estamos falando de uma franquia que praticamente definiu o gênero plataforma lá no fim dos anos 1980.

A expansão do Parque Belabel, por sua vez, chega com uma ressalva para quem queria mais conteúdo single player. Ainda assim, essa limitação não necessariamente é um problema: para muitos jogadores, videogame é sinônimo de diversão compartilhada. E, neste contexto, a expansão se destaca.

No fim das contas, ter o jogo rodando em um hardware mais moderno, com melhorias visuais, maior fluidez e uma apresentação ainda mais refinada, só reforça o quanto este upgrade é recomendável. Se você ainda não jogou, essa é a oportunidade perfeita para conhecer um dos melhores jogos recentes da Nintendo — com potencial de render ainda mais risadas jogando com a galera.

Super Mario Bros. Wonder – Nintendo Switch 2 Edition + Vamos ao Parque Belabel está disponível exclusivamente para Nintendo Switch, e pode ser adquirido tanto como o pacote completo quanto como um upgrade, para quem já tem o jogo original.

Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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