Análise Arkade: Underland, um jogo simples, mas com puzzles desafiadores

8 de outubro de 2021

Tem mais jogo brasileiro na área! Confira agora nossa análise de Underland, puzzle game que nossos camaradas da QUByte Interactive portaram para os consoles recentemente!

História

Underland é um jogo indie com a proposta de fazer o jogador guiar dois astronautas até a saída de cada área. Para conseguir isso, será preciso desvendar quebra-cabeças utilizando a física e os elementos que temos à nossa disposição em cada fase.

Assim que começamos o jogo nos deparamos com a seguinte mensagem.

“Os astronautas que foram enviados a procura de um planeta habitável acabaram de chegar de sua missão fracassada. Entretanto a superfície da Terra não é mais habitável, e eles descobrem que o restante da população agora vive no subterrâneo. O caminho que leva até este refúgio desabou, e a única forma de chegar até a cidade subterrânea é cavando e cavando”.

A história do jogo é bem direta ao ponto, e apresentada assim, sem rodeios. Nossa missão é solucionar uma série de quebra-cabeças para chegar até a cidade subterrânea e assim encontrarmos o que sobrou da raça humana.

Entre as “ferramentas” que temos disponíveis para cumprir nossos objetivos, estão canhões, escavadeiras, canos, carrinhos explosivos e até plataformas móveis. Na prática, tudo isso deve ser utilizado — de maneira inteligente — para ajudar os personagens a alcançarem o próximo elevador.

Em algumas fases, vamos usar canhões para derrubar escombros, que acabarão servindo de ponte. Em outras, precisaremos drenas gosmas verdes que bloqueiam o caminho, ou evitar o contato com vazamentos de gases tóxicos. Os objetivos em geral são bastante intuitivos — o desafio está em superá-los.

Jogabilidade

A jogabilidade é tão simples quanto a narrativa: em cada fase, temos um conjunto de ferramentas que deve ser utilizado para guiar os astronautas até um elevador, que é a saída para a próxima área. Completando o caminho você termina a fase sem problemas. 

Aqui precisamos cavar um caminho até o elevador

À medida que vamos avançando no jogo, porém, os objetos em cena vão aumentando e com isso a complexidade de alcançar o objetivo também. Os puzzles do game vão tornando-se mais engenhosos e complexos, exigindo um bocado de empenho do jogador.

Underland é um tanto intolerante a erros: há fases em que temos que fazer os dois astronautas chegarem ao elevador. Se um deles morrer é preciso recomeçar a fase do zero, repetindo todas as etapas da resolução do puzzle.

À medida que avançamos, as formas de completar as fases vão ficando complexas

Este fator “tentativa e erro” acaba testando a paciência do jogador: experimentar, falhar e tentar novamente é um loop que faz parte da experiência, mas pode aborrecer os jogadores menos pacientes.

Assim que passamos uma fase, o jogo salva, e nos permite refazer a fase e tentar uma nova abordagem (não há somente uma solução possível para diversos dos quebra-cabeças do jogo), ou seguir para a próxima área. Pela tela de seleção de fases, podemos revisitar qualquer fase que já passamos.

Audiovisual

Underland é bem econômico em seu visual, e em muitos aspectos, até lembra os jogos do saudoso Game Boy Color — especialmente pela quantidade limitada de cores que compõem todos os ambientes do game (basicamente roxo, verde, branco e preto).

A pixel art do jogo é bem feitinha, mas peca pela simplicidade: não temos muitos detalhes, nem nada que realmente salte aos olhos. A trilha sonora segue apostando na simplicidade, mas consegue contribuir com a imersão do jogador, assim como os efeitos sonoros, que são diferentes para cada item com o qual podemos interagir.

Conclusão

Underland é um jogo de plataforma e quebra-cabeça 2D bastante simples, mas que testará constantemente sua inteligência e sua criatividade. Há diversas maneiras de superar os obstáculos do jogo, e parte da graça está justamente em criar jeitos inusitados de prosseguir — sempre se valendo da física e dos objetos presentes em cada fase.

Não é um jogo particularmente longo, mas oferece um entretenimento honesto pelo tempo que dura — e um bom exercício para o cérebro.

Desenvolvido pelo estúdio indie baiano MiniCactus Games (que é composto, basicamente, por uma pessoa) e portado aos consoles pela QUByte Interactive, Underland está disponível para PC, Nintendo Switch (versão analisada), PS4, PS5, Xbox One e Series X|S.