Anima Senac 2026 reúne profissionais de grandes produções e discute os rumos da animação brasileira
Anima Senac 2026 reúne profissionais da animação, oficinas e debates sobre produção autoral, tecnologia e os rumos do setor no Brasil.
A animação brasileira continua puxando uma fatia enorme do público de cinema. Em 2024, os filmes do gênero levaram 45,8 milhões de espectadores às salas, o que representa 36,5% do total de ingressos vendidos no país, segundo dados da Agência Nacional do Cinema (ANCINE). Esse volume contrasta com a dificuldade das produções nacionais em conquistar espaço estável no mercado, e é nesse cenário que o Senac São Paulo abre hoje o Anima Senac 2026, festival gratuito que reúne profissionais de diferentes frentes da animação entre 28 e 30 de outubro.
A programação acontece no Centro de Convenções do Centro Universitário Senac – Santo Amaro e no Senac Lapa Scipião. Quem for pode acompanhar conversas com quem já trabalhou em grandes estúdios internacionais, oficinas práticas e um espaço dedicado a produções autorais. Um dos nomes mais esperados é Rosana Urbes, diretora, animadora e ilustradora que participou de longas da Disney como Mulan, Tarzan e Lilo & Stitch. Ela também assina os curtas Guida e Safo, ambos premiados em festivais no Brasil e fora. No evento, Urbes vai falar sobre o processo de realização de filmes e os obstáculos de manter projetos autorais tanto aqui quanto no exterior.
A trajetória da animação nacional entra em pauta com J. Márcio Nicolosi, que passou décadas na Mauricio de Sousa Produções, chegou a dirigir o Departamento de Animação e participou da criação da série Mônica Toy. Com cerca de cinquenta anos de carreira, ele deve trazer experiências de desenvolvimento de histórias e personagens em diferentes formatos. Do lado da criação tridimensional, Igor Catto, artista e diretor na Iron Studios, compartilha o trabalho com franquias de games e entretenimento como God of War, Assassin’s Creed e Star Wars. A programação ainda traz Mauro Ramos, ator e dublador com mais de 35 anos de carreira, conhecido por dar voz a personagens como Shrek, Pumba de O Rei Leão e Sullivan de Monstros S.A.. Ele vai abordar como a interpretação vocal ajuda a construir personagens e narrativas.
No Senac Lapa Scipião, o fechamento fica com Rafael Vallaperde, artista de computação gráfica e sócio-fundador da Lightfarm, produtora com atuação no Brasil e no exterior. Com experiência em direção criativa, animação, 3D, inteligência artificial generativa e design de produção, ele apresenta bastidores de projetos do estúdio e discute como a tecnologia, incluindo a integração de IA aos fluxos de trabalho, vem alterando a organização das produções.
Para Marcos Antonio de Lima Junior, coordenador da graduação Tecnologia em Design de Animação do Senac Lapa Scipião, o festival serve para os estudantes enxergarem as diferentes linguagens e caminhos profissionais da área. “O Anima Senac é uma oportunidade para que nossos estudantes ampliem o olhar sobre a animação e as diferentes possibilidades que essa linguagem oferece. Afinal, estamos falando de uma área que não se limita ao domínio de técnicas e ferramentas, mas que também envolve criação, experimentação e diferentes formas de construir narrativas, produzir sentidos e imaginar o mundo”, comenta. A unidade também recebe o artista visual Dante, conhecido pela criação de personagens e bonecos artesanais para teatro, televisão e cinema. Com trabalhos para TV Globo, Globoplay e Rocco Editora, ele tem no currículo os filmes de animação 47 e 18 Months, premiados com o Grand Clio e o Cannes Lions, além de reconhecimentos como o Prêmio Shell de Teatro e o Prêmio APCA. Em oficina prática, Dante orienta os participantes na criação de um personagem autoral e no desenvolvimento de sua escultura em papel e materiais alternativos.
Além das trajetórias individuais, o Anima Senac 2026 propõe discussões sobre frentes de atuação no setor. Os painéis tratam da presença da animação nas redes sociais e na publicidade, da criação de roteiros para séries e dos desafios de estruturar estúdios independentes. Também entram temas de produção executiva, como captação de recursos, planejamento, gestão de equipes e coproduções internacionais. Para Euclides A. Vital Jr., coordenador do curso de Tecnologia em Design de Animação do Centro Universitário Senac – Santo Amaro, conhecer essas etapas ajuda a ampliar a visão sobre a profissão. “A animação reúne arte, narrativa e tecnologia, mas também exige planejamento, colaboração e conhecimento sobre o mercado. O contato com profissionais de diferentes áreas permite compreender como essas competências se conectam e como uma ideia pode se transformar em um projeto, desde a concepção até sua realização e chegada ao público”, afirma.
A programação ainda inclui o Artist’s Alley, espaço para exposição e venda de trabalhos de artistas independentes, como ilustrações, quadrinhos e fanzines. O público pode participar de oficinas práticas, acompanhar o concurso de cosplay e conhecer a AnimaJam, animação colaborativa feita por estudantes do Senac Santo Amaro especialmente para esta edição.
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