Cine Arkade – Vingadora fala sobre tráfico de pessoas de um jeito bem “ação anos 80”

24 de março de 2026

Às vezes eu sinto falta de filmes brucutus, aqueles que ignoram completamente um enredo cheio de nuances para focar apenas na ação. E foi exatamente isso o que vi em Vingadora, o longa com Milla Jovovich que estreia nos cinemas no dia 26 de março.

O filme traz tudo o que as produções com o já saudoso Chuck Norris, Charles Bronson e tantos outros ofereciam: vilões malvados e poderosos, personagens corruptos, uma rede criminosa e um exército de uma mulher só. Ele aproveita o histórico da atriz no cinema, incluindo em Resident Evil, para mostrar sequências de tiros com balas que parecem infinitas, porradaria pra todo lado e explosões de coisas e pessoas.

Até o nome reforça essa lembrança, já que a versão brasileira mudou Protector, o título original, para Vingadora. Pelo menos não foram aqueles nomes como “A mãe da morte” ou “Caçada pela morte”, entre outros nomes deste tipo.

O tema central envolve tráfico de pessoas e uma soldado dos Estados Unidos que retorna para casa para cuidar da filha. Apesar de tocar em um assunto bem sensível, o filme não se aprofunda muito nele e prefere priorizar a ação.

Quer dizer, o filme até tenta passar uma mensagem a respeito disso, lembrando (com cronômetro a lá 24 horas e tudo) que são necessárias 72 horas para tentar recuperar uma pessoa sequestrada, senão os rastros desaparecem e fica ainda mais difícil achar esta pessoa com vida.

E também tenta abordar, mas de forma rasa, a vida dos militares de elite, que veem coisas que poucos veem e levam pra dentro de si toda a dor e sofrimento que observam, ou que causam nos outros.

O longa, dirigido por Adrian Grunberg, lembra vários filmes de caça implacável, como O Sequestro, John Wick e até um filme menos conhecido de Chuck Norris, Código do Silêncio. Isso sem falar de Busca Implacável. E desta vez, é Milla Jovovich que protagoniza a história de caça e vingança, que traz a proposta de abordar a ação e o tema de forma sombria.

O filme mostra o tempo de vida entre mãe e filha e foca em Chloe, agora com 16 anos (interpretada por Isabel Myers), que é drogada e sequestrada por uma rede de tráfico sexual no dia de seu aniversário e após um momento de típica discussão adolescente com sua mãe, Nikki (Milla Jovovich).

Veterana do Exército, Nikki obviamente vai atrás, descobre a situação de perigo e é a partir daí que os tiros, porradas e bombas começam. Como todo filme de ação que se preza, vários NPCs vão sendo moídos pela determinação de Nikki, enquanto o filme também aborda o fator emocional da caçada, com narrações introspectivas da personagem.

Sua forma nada sútil acende o alerta de um chefe de polícia desconfiado (D. B. Sweeney), que também começa a sua caça atrás dela por causa dos corpos que vão se acumulando. O antigo superior dela no Exército (Matthew Modine), também aparece na trama, para servir como um ponto de ligação entre personagem, passado e presente.

O filme até tenta ser diferente dos demais com um roteiro que traz um final diferente do qual filmes do gênero estão acostumados, embora vá apenas jogando ao espectador fatos atrás de fatos apenas “porque sim”. Mas o que importa mesmo aqui é a atuação de Milla Jovovich que consegue trazer o tom sombrio que o filme quis propor, mais até do que o próprio roteiro.

Uma vez que ela é ótima no que faz, a ponto de salvar um roteiro simplista, dignas das produções dos anos 80, onde as coisas simplesmente vão acontecendo e acontecendo, sem muito cuidado. Mas, repito: estamos aqui para ver tiro porrada e bomba, não um roteiro “de Oscar”. Então está bom como está.

O filme foca na força e o estilo da personagem, que apesar de eficiente e explosiva, também é observadora e reflexiva. Mas também aborda outros pontos como a vingança, nos fazendo observar o qual longe uma pessoa pode ir quando a pessoa que deve ser salva é do mesmo sangue e não colegas de farda ou civis em um país desconhecido.

Como uma das principais nomes de ação de Hollywood, a Alice de Resident Evil se movimenta com agilidade, quase como uma ninja militar dos cinemas, mas também tem o seu lado emocional e cruel. E, digo mais uma vez, foi a escolha certa para este filme, pois como o filme praticamente trata o seu tema central como uma desculpa para explosões, Milla Jovovich foi a escolha certa para fazer isso.

Dito isso, se você gosta de desligar o cérebro, ver um monte de NPC levando tiro e uma protagonista que parece um tanque de guerra acabando com tudo, vá em frente. Mas se você quer uma trama mais complexa, que aborde esse tema sensível como tráfico de pessoas sem virar uma “busca pelo chefão final de um jogo de pancadaria”, então é melhor escolher outra coisa.

Mas eu ficaria feliz se você desse uma chance para uma hora e meia de tiroteio e pancadaria raiz, como nos velhos tempos.

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Junior Candido

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