Cold Fear: o survival horror da Ubisoft com um navio russo, mistério e tempestade

Lançado em março de 2005 para PlayStation 2, Xbox e PC, Cold Fear coloca o jogador no papel de Tom Hansen, um guarda-costeira dos Estados Unidos enviado para investigar um sinal de socorro vindo de um baleeiro russo chamado Eastern Spirit, perdido no Estreito de Bering durante uma forte tempestade.
O que começa como uma missão de resgate vira um confronto contra uma ameaça biológica: um parasita chamado Exocel que transforma a tripulação em criaturas mutantes conhecidas como Exos.
O jogo, desenvolvido pela Darkworks (estúdio responsável também por Alone in the Dark: The New Nightmare) e publicado pela Ubisoft, usa uma câmera em terceira pessoa que alterna entre ângulos fixos e over-the-shoulder, misturando um esquema de controles consagrado no passado, com o “futuro” que estava chegando e que se tornou o padrão atual.

A grande diferença está no cenário: o navio (cenário que seria explorado em Resident Evil Revelations depois) balança de verdade com as ondas, o vento e a chuva. Esse movimento afeta mira, corrida e equilíbrio – o jogador precisa se agarrar em corrimãos para não cair ou escorregar.
Não há, como um bom survivor horror, inventário amplo para gerenciar itens; munição e saúde aparecem em pontos fixos ou nos inimigos derrotados. Para vencer, é preciso mirar na cabeça das criaturas ou pisoteá-las depois de derrubá-las.
A história envolve, além do mistério e do terror, a máfia russa, agentes da CIA e cientistas que realizavam experimentos em uma plataforma de petróleo próxima. Tom Hansen precisa sobreviver, resgatar sobreviventes e impedir que o parasita se espalhe.

O título dura, como em jogos normais da época, cerca de seis a oito horas, com foco em exploração linear do navio e combates que misturam ação e tensão.
Na época do lançamento, as críticas foram mistas. Sites elogiaram o ambiente dinâmico e a sensação de perigo constante causada pela tempestade, mas apontaram problemas como duração curta, falta de mapa no jogo e repetição em alguns combates.
Vendeu cerca de 70 mil cópias nos Estados Unidos no primeiro ano, o que foi considerado baixo. Mas, com o tempo, ganhou um público fiel que transformou o game em “hidden gem” daquela época, e valoriza a proposta diferente dentro do gênero.
A Ubisoft não quis seguir com o terror

Um detalhe que chama atenção é que a Ubisoft, apesar de ter entrado no gênero com Cold Fear como seu primeiro survival horror, não mantém nenhum título dedicado de survival horror no catálogo atual.
O último projeto nesse estilo foi Zombi (lançado originalmente como ZombiU para Wii U em 2012 e depois portado para outras plataformas), que trazia mecânica de morte permanente e exploração em Londres infestada por zumbis.
Desde então, a empresa direcionou esforços para séries de ação em mundo aberto, como Assassin’s Creed e Far Cry. O IP de Cold Fear saiu do controle da Ubisoft em 2025, quando a Atari comprou os direitos junto com outros títulos antigos.
O jogo saiu temporariamente da Steam, mas voltou à venda na GOG com melhorias: suporte a 4K, correções de crashes, compatibilidade com controles modernos e otimizações para Windows 10 e 11. Há rumores de possível relançamento ampliado ou remaster no futuro.
Experiências de terror mais recentes da Ubisoft

Embora não tenha lançado um survival horror puro nos últimos anos, a Ubisoft experimentou elementos de terror em outros formatos. Um exemplo é Transference, jogo de realidade virtual de 2018 que mergulha em terror psicológico através de memórias distorcidas de uma família.
Outros toques de medo apareceram em conteúdos adicionais de Far Cry, como o DLC Valley of the Yetis para Far Cry 4 (2015), que cria uma atmosfera sombria e isolada com criaturas misteriosas, e Dead Living Zombies (2018) em Far Cry 5, que transforma o mapa em um cenário de zumbis.
Esses projetos mostram que a Ubisoft ainda testa sustos e clima opressivo, mas sem transformar em uma franquia fixa de survival horror. Cold Fear continua disponível na GOG por um preço acessível (R$28 no momento em que esta matéria foi para o ar) e pode ser uma porta de entrada para quem quer conhecer um survival horror antigo que inovou no uso do ambiente como inimigo.

Se você gosta de jogos que misturam tiro, exploração e tensão constante, vale testar Cold Fear agora que está atualizado. O balanço do navio e a sensação de isolamento no meio do mar ainda funcionam bem para criar desconforto. O que você achou da mecânica do navio? Já jogou ou pretende dar uma chance?
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