Como os fliperamas fundaram a cultura dos jogos

Embora os primeiros jogos tenham surgido antes disso, foi na década de 1970 que a humanidade começou a descobrir o êxtase que os games são capazes de produzir. Nesse período, as mecânicas eram as mais simples possíveis, mas na ocasião, os lendários nomes dos fliperamas, como Donkey Kong, Pac Man e Space Invaders, eram inovações apaixonantes que, mesmo que não tivessem a intenção, estavam criando as raízes para fundar toda a cultura dos jogos.
Foi nos inesquecíveis arcades, espaços presenciais onde as melhores invenções do universo virtual ganhavam sua popularidade, que toda a cultura e mercado dos games eram cuidadosamente criados. Desde então, a indústria cresceu para dimensões enormes. Hoje é possível jogar títulos solo com gráficos avançados, como Black Myth: Wukong ou Flight Simulator, ou participar de disputas globais em modalidades de eSports como Dota 2 e CS2. Quem gosta de arriscar um pouco pode fazer uma aposta pequena nesses torneios em praticamente qualquer site de apostas com depósito baixo. Há opções para todos, e, sem dúvida, tal diversidade de videojogos só existe graças aos pioneiros da indústria.
Por que os arcades ou fliperamas foram tão importantes na história dos jogos?
Os fliperamas não foram os primeiros videogames da história, mas sem eles, é difícil imaginar o que seria da cultura gamer atual. O grande diferencial dos arcades é que eles colocavam as novas criações do mundo dos games em um espaço presencial, que em tempos mais recentes seria como uma lan-house. Então, seja em esquinas da cidade ou em espaços dentro de shoppings e bares, os fliperamas faziam a experiência individual de jogo se tornar coletiva. E aqui é onde tudo muda.
Com essa virada de chave, ao invés de serem meros jogos, cada criação passou a se tornar uma oportunidade em vários sentidos:
- A formação da convivência social, desde as filas para jogar, a troca de experiências e dicas de jogos, até a simples conversa, que no fim, poderia gerar novas amizades.
- O fomento da competitividade, com as disputas de recorde, com torneios para definir prêmios como o “campeão do bairro” e a própria plateia que poderia surgir ao redor da máquina, vendo dois grandes jogadores disputando.
- Com essa presença em vários cantos da cidade, cada marca e desenvolvedora passou a tentar explorar essa visibilidade, portanto, ouvir as pessoas era fundamental. Então, isso fomentou a própria competitividade entre as empresas, gerando uma demanda de evolução cada vez maior.
O nascimento de uma cultura — e de um mercado
Embora os jogos dos fliperamas tivessem mecânicas simples, grande parte deles sempre tinham histórias ou pelo menos personagens muito bem idealizados. É só você pensar em exemplos como Donkey Kong e Pac Man: esses casos ultrapassam o título de simples jogos, e formaram um verdadeiro mercado ao redor deles. A produção de brinquedos, bonecos, revistas, músicas, cartoons e muitos outros elementos são o exemplo perfeito disso.
Ao mesmo tempo, esse mercado só ganhava forma por que uma cultura também era formada. Aliás, com a própria convivência que os fliperamas possibilitaram, é natural que toda uma linguagem e trejeitos acabassem sendo formados. Na prática, isso é formar cultura: é criar símbolos, convivência e elementos em comum entre um grupo de pessoas.
E claro, em décadas nas quais a interação entre homem e máquina ainda estava nos seus primórdios, os fliperamas ajudaram a moldar não apenas uma cultura de jogos, mas a própria intimidade que as pessoas passaram a ter, cada vez mais, com a própria tecnologia virtual e do computador, por si só.
A extensão dos arcades para os ambientes domésticos
Com o desenvolvimento dos fliperamas, eram neles que as principais inovações dos jogos marcavam presença. Foi aí que as desenvolvedoras tiveram uma sacada simples, mas genial: “por que não levar os arcades para dentro das casas”? Então, esse foi o caso de jogos como Space Invaders, que foi lançado para o Atari 2600, e então, uma nova era dos games, que permanece até hoje, era inaugurada. Também houve versões para consoles de outros clássicos de arcade. Por exemplo, Pac-Man ganhou versões domésticas para Atari 2600 (e outros sistemas), e Donkey Kong, originalmente arcade, depois chegou ao Nintendo Entertainment System (NES).
No Brasil, a história tomou um rumo próprio: em 1977 já existia o Telejogo, o primeiro console fabricado no país. Surgiram “locadoras” – lojas para aluguel de cartuchos e consoles – que permitiram que muitos jovens experimentassem games mesmo sem comprá-los. Com o tempo, versões “caseiras” e clones de sistemas como os da SEGA ganharam força, criando uma comunidade forte de jogadores.
No fim, os jogos passaram a ser criados, cada vez mais, para uma experiência individual, que apesar de tirar o foco da convivência social, se tornou bem mais confortável, cômoda e econômica. Mas, ledo engano de quem imaginava que os arcades deixariam de estar presentes na cultura dos games.
A presença continua forte até hoje
Os arcades continuam fortes na cultura dos games: primeiramente, conceitos presentes nos diversos jogos atuais, como de feedback intenso para o jogador, de aprender e dominar mecânicas e progressão de níveis, vêm diretamente dessas criações iniciais.
Mas, se você olhar com mais cuidado, ainda verá influências como na parte estética, desde cores RGB saturadas, neons e a tradicional pixel art, além de vários outros exemplos. Por fim, hoje também não é difícil encontrar bares ou outros exemplos que continuam trazendo, diretamente, esses jogos clássicos. Tudo isso prova que os fliperamas fundaram a cultura dos games.