Zidane no Super Nintendo? Dez lendas do International Superstar Soccer inspirados em jogadores reais

22 de maio de 2025

International Superstar Soccer continua sendo, três décadas depois, um dos jogos de futebol mais jogados em todos os tempos. Chegando em 1995 para o Super Nintendo (após ser lançado no Japão um pouco antes com o nome Jikkyou World Soccer: Perfect Eleven, com jogos inspirados na J-League e depois em seleções), o game rende até hoje “copas do mundo”, além de atualizações que trazem campeonatos, como o Brasileiro, com os times mais recentes na primeira divisão.

Um dos pontos bem característicos do game eram os seus jogadores. Em 1994, ano de Copa do Mundo, a Konami tinha tudo para fazer um ótimo game de futebol, menos a licença oficial dos jogadores.

Assim, os desenvolvedores tiveram que criar personagens fictícios, para representar os craques daquela época. E ainda tiveram tempo de desenvolver um modo Scenario bem competente, recriando partidas históricas daqueles dias.

Alguns dos jogadores eram bem fácil de entender quem eram representados no game. Mas em 2019, um post no NeoSeeker revelou, após interessante pesquisa, algumas dessas inspirações, deixando claro quem era quem no game.

A própria Konami, em 2019, revelou quem era alguns dos jogadores, também. Abaixo, apresentamos dez jogadores icônicos do ISSS e suas contrapartes reais, com detalhes sobre suas inspirações e impacto no jogo.

1. Allejo (Bebeto)

O maior jogador brasileiro de todos os tempos usa a 7 da Seleção Brasileira. Jogador veloz, de bom chute e muito difícil de ter a bola tirada de seus pés, o craque era inspirado em Bebeto, uma das peças fundamentais na campanha do tetracampeonato em 1994.

O jogador, na época, defendia o La Coruña, na Espanha, e era peça essencial no ataque de Parreira. Junto com Romário, foram responsáveis por 8 dos 11 gols na campanha, com direito a gols históricos, como a assistência do camisa 11 para o camisa 7 no dramático jogo contra os EUA, nas Oitavas de Final.

Curiosamente, a partir de 1996, Allejo “ficou careca” e mudou de camisa, usando a 9. Sugerindo que, a partir dali, o jogador tinha outra inspiração: Ronaldo Fenômeno, que despontava como o grande nome da Seleção para os anos seguintes.

2. Gomez (Romário)

O grande parceiro de Allejo no ataque do Brasil, o camisa 11 era a representação de Romário. Gomez era programado para ajudar seus companheiros no ataque, “desamarrando” situações ruins e fazendo gols em espaços limitados, características do baixinho.

O “rei da pequena área”, na época da Copa do Mundo, era jogador do Barcelona. Mas, em 1995, ano em que o game chegou no Ocidente, o baixinho já tinha retornado ao Brasil, sendo o novo reforço do Flamengo.

Romário ainda jogaria por Vasco e Fluminense, além do América, time de coração de seu pai. Atualmente o jogador está na vida política, como Senador pelo Estado do Rio de Janeiro.

3. Redonda (Diego Maradona)

Em 1994, Maradona colecionava mais polêmicas do que grandes jogadas. Mas já era reverenciado como um dos maiores nomes da história do futebol. E, como jogou a Copa de 1994, em sua fase final de carreira, o jogador está presente no game, com o nome de Redonda. Obviamente, o jogador é extremamente habilidoso e capaz de efetuar grandes dribles, assim como o jogador o fez na vida real.

Mas não precisava de muita investigação para descobrir quem era o camisa 10 no game. Afinal, além do número em si, no jogo Argentina x Romênia no modo Scenario, inspirado no confronto do torneio nos EUA, Redonda aparece como “expulso” na história do jogo, referência direta à suspensão real que Maradona sofreu, três dias antes do jogo, por testar positivo para estimulantes proibidos.

4. Capitale (Gabriel Batistuta)

O Batigol, no game da Konami, é Capitale. Ele é fácil de reconhecer o jogador por causa da cabeleira que ostentava na época, presente também no game. O jogador, famoso por seus chutes potentes e gols importantes, era um dos atacantes mais temidos pelos zagueiros naquela época, seja nos gramados reais ou nos virtuais.

Batistuta teria sua carreira vinculada aos games de forma curiosa anos mais tarde. Pois participaria, em 1998 e 1999, de uma campanha histórica com a Fiorentina, que, na época, estampava o patrocínio da Nintendo na camisa, fazendo dela uma das camisas mais lembradas por colecionadores de itens de futebol.

5. Kolle (Lothar Matthäus)

Lothar Marthaüs não conseguiu o tetra com sua seleção em 1994, mas havia conquistado a glória máxima com sua seleção na Copa anterior, em 1990. Em ISSS, ele se chama Kolle, um defensor vigoroso, capaz de atacar e defender muito bem. Mas, na vida real, o jogador era volante, capaz de ajudar na proteção de sua defesa e iniciar os ataques, graças a sua boa visão de jogo.

O capitão da seleção alemã, real e virtual, fez grande carreira no Bayern de Munique, onde atuava nos dias do mundial dos EUA. E contou com uma carreira vitoriosa, com 6 títulos da Bundesliga, 2 títulos da Copa da Alemanha, 1 título da Taça Liga Alemã, 1 título da Supercopa da Itália, 1 título do Campeonato Italiano, 1 título da Copa da UEFA, a Eurocopa de 1996 e a Copa do Mundo de 1990.

O único porém, que pode confundir muita gente, é que Kolle é o número 3 da Alemanha, enquanto naqueles dias, ele era o camisa 10. Ele é retratado como um zagueiro, um pouco diferente do papel real de Matthaüs no campo, enquanto defendia sua seleção.

6. Galfano (Roberto Baggio)

Roberto Baggio é muito lembrado, por nós brasileiros, como o jogador que perdeu o pênalti decisivo que nos garantiu o tetra. Mas é injusto lembrar dele apenas por isso. Jogador muito querido na Itália, o atacante, que na época do jogo defendia a Juventus, liderou a Azzurra até a final da Copa.

Os italianos sofreram muito na fase de grupos, se classificando em terceiro (em uma época em que isso era possível), em um grupo onde os quatro times terminaram empatados com 4 pontos.

Mas, a partir das oitavas, o jogador mostrou que era decisivo e um dos melhores do mundo. Fez gols na Nigéria, nas Oitavas, na Espanha, nas Quartas e na Bulgária, nas Semifinais. Felizmente não fez gols em nós, brasileiros, mas retornou como herói na Itália, mesmo com o gosto amargo do vice. No game, o jogador é facilmente reconhecido graças ao seu rabo de cavalo, sua marca visual naquela época.

7. Ewing (Alexi Lalas)

O Zagueirão dos EUA na Copa de 1994 chamava atenção não só por sua cabeleira, representadas também no game, como por seu vigor e liderança em campo. Rapidamente se tornou um dos preferidos dos torcedores, por seu carisma e força no jogo.

Foi um dos responsáveis por vender caro a derrota para o Brasil, nas Oitavas de Final daquele torneio, que aconteceu em pleno Dia da Independência dos EUA, o dia mais importante daquele país.

No game, ele é Ewing, outro jogador que ostenta uma cabeleira ruiva, e que não seria a única vez que veríamos o jogador em um game. Pois o seu carisma rendeu que sua imagem aparecesse em outro jogo de futebol: o Alexi Lalas International Soccer, lançado em 1998 e chegando como mais um candidato a explorar os games tridimensionais de futebol, comuns naquela época.

8. Milakov (Hristo Stoichkov)

A seleção da Bulgária foi a sensação daquela Copa, chegando com a moral de ter eliminado a forte seleção francesa, ainda nas Eliminatórias. No torneio, mandou a Argentina para a classificação pelo terceiro lugar, e despachou México e a atual campeã Alemanha, antes de cair para a Itália nas semifinais.

Muito desta campanha histórica passou pelos pés de Stoichkov, que na época jogava no Barcelona e era um dos melhores meias do mundo. O maior jogador da história da Bulgária é representado no game por Milakov, um jogador extremamente habilidoso e que, com sua perna esquerda, chutava muito bem.

O game não trouxe, no entanto, a personalidade forte do jogador, que chegou a ser banido do futebol por causa de se envolver em uma briga generalizada em 1985. Na época, o país, controlado pelo Partido Comunista e parte da “Cortina de Ferro” da URSS, considerou a confusão na final da Copa da Bulgária violenta demais, e com os poderes que possuíam, baniram o jogador, que seria anistiado um ano depois.

Além desta confusão, o jogador não poupava declarações polêmicas e, coincidentemente, fez boa parceria no Barcelona, com outro jogador conhecido por questões semelhantes: o nosso baixinho Romário.

9. Murillo (Valderrama)

Valderrama, além do seu cabelão, era bom de bola. A Colômbia tinha uma ótima geração em 1994 e, por causa disso, seu time é muito bom em ISSS. Murillo, o jogador que compartilha a mesma cabeleira do jogador colombiano, também joga o mesmo “futebol bonito” dos brasileiros, com dribles e muita habilidade.

A seleção colombiana era tão talentosa, que após aplicar um sonoro 5 a 0 na Argentina, em plena Buenos Aires, a seleção iria para os Estados Unidos com a expectativa de fazerem uma Copa histórica. No fim, os colombianos acabaram entrando para a história, mas do jeito errado. Erros individuais e coletivos custaram a eliminação na primeira fase, seguida pelo assassinato de Escobar, dias depois, quando os jogadores já haviam retornado do torneio.

Valderrama, ou Murillo, comandavam o ataque colombiano, deixando seus atacantes na cara do gol, ou buscando oportunidades de furar a defesa adversária. E o carisma de Valderrama foi tanto, que em 1998 ele voltaria a um jogo da Konami, mas para estampar a capa de ISSS 98, que saiu no Nintendo 64 e PlayStation.

10. Cailleux (Zidane)

Anos antes de iniciar seu legado no futebol, onde lideraria a sua seleção para a conquista da Copa de 98 e no vice de 2006, Zidane já era visto como um jogador diferenciado. Seu talento único e inteligência no campo, além da sua elegância no trato da bola, o credenciaram como “um jogador de terno”, tamanha a qualidade de seu futebol.

Zidane não jogou a Copa de 1994, pelo simples fato de sua seleção ter fracassado nas Eliminatórias, em uma dramática derrota para a Bulgária, em Paris. Mesmo assim, fazia parte de uma seleção forte, que marcou presença no jogo. Em ISSS, Zidane é Cailleux, conforme revisto pelo pessoal do Verminosos por Futebol, representando seus primeiros dias de convocação para a seleção francesa.

O jogador, um camisa 10 clássico, no game não passava de um reserva, o que era natural para um jogador jovem, que estava ali apenas iniciando o seu ciclo com sua seleção. Mas já era possível ver, ali no banco, a presença de um jogador que poderia ser um dos maiores de todos os tempos.

Outras fontes apontam que Cailleux, na verdade, é Jean-Michel Ferri, um jogador que também defendeu a França, entre 1994 e 1995. O que também pode ser verdade, se considerarmos que International Superstar Soccer Deluxe, que chegou muito próximo do game original, fez pequenas revisões no game, “trocando” um jogador pelo outro, na hora de criar os elencos.

Impacto e nostalgia

International Superstar Soccer, além de ser um marco entre os games de futebol, também é um capítulo importante que conta a história do esporte. Mesmo sem poder usar nomes reais, os desenvolvedores foram sábios em usar elementos que faziam referência aos grandes nomes do futebol naqueles dias, sendo mais um elemento que faz do jogo um dos favoritos, até hoje, de muita gente.

E, mesmo sem os nomes reais, a Konami acabou criando um legado cultural com nomes como Allejo, Gomez, Redonda ou Murillo. Se por um lado não usar nomes reais tirava a ideia de realismo do game, por outro a criação destes nomes fictícios acabaram dando um charme extra ao jogo.

Hoje em dia, é comum ver camisas com o nome de Allejo nas costas, como se ele realmente tivesse defendido nossa seleção em alguma Copa do Mundo. E, mesmo com os jogos podendo usar tranquilamente a imagem e o nome de jogadores reais, agora o efeito é inverso, pois muitos jogadores preferem disputar suas partidas com Milakov ou Ewing, as contratantes virtuais de grandes nomes do futebol dos anos 90.

E você, quantos gols marcou com Allejo ou Redonda?

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Junior Candido

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