DLSS 5 rejuvenesce L.A. Noire e reacende debate: reconstrução de IA vale a pena em jogo de 2011?
Teste comunitário aplica DLSS 5 a L.A. Noire e mostra ganhos visuais nos rostos, mas reacende o debate sobre arte e reconstrução neural.
Um usuário do Reddit resolveu testar o que acontece quando se joga DLSS 5 em cima de um clássico que já passou dos 14 anos: L.A. Noire. O resultado, publicado na comunidade OLED_Gaming, dividiu opiniões — ao mesmo tempo em que impressiona pelo salto gráfico, também levanta a velha discussão sobre até que ponto vale a pena deixar uma inteligência artificial reinventar a cara de um jogo.
O teste foi feito por u/WrestlePurists em uma TV LG C6 OLED, conforme explicado pelo Hardware.com.br, e o próprio autor da publicação admite que não esperava se empolgar tanto com a tecnologia da NVIDIA. Segundo ele, foi justamente em jogos antigos que a diferença ficou mais evidente; e, no caso de L.A. Noire, ele descreveu o resultado como “impressionante”.
O que muda com o DLSS 5 em relação às versões anteriores
Diferente das gerações passadas do DLSS, que se concentravam em reconstruir imagem e aumentar resolução, o DLSS 5 entra em um território novo: ele adiciona uma camada de renderização neural generativa. Na prática, isso significa que a tecnologia não só recupera detalhes já existentes na cena, como também usa dados fornecidos pelo próprio jogo para reconstruir iluminação, materiais, superfícies e até características visuais dos personagens. E, em alguns casos, criando informação visual que simplesmente não existia antes.
É exatamente esse último ponto que torna o caso de L.A. Noire tão interessante de analisar.
Por que os rostos chamaram tanta atenção
Não é segredo para ninguém que L.A. Noire sempre teve nos rostos dos personagens um dos seus maiores diferenciais. Lançado pela Rockstar em 2011, o jogo usava uma tecnologia de captura facial avançada para a época, já que ler expressões e reações fazia parte do próprio mecanismo de investigação policial do jogo. Através das expressões dos personagens, você podia deduzir se aquela pessoa estava falando a verdade, ocultando informações ou mentindo deliberadamente. E, com o seu julgamento, poderia obter mais informações, ou fechar uma porta para a sua investigação.
Com o DLSS 5 aplicado, as capturas de tela mostram peles com muito mais textura, sombras mais marcadas e olhos com definição bem superior ao visual original. O contraste entre o antes e o depois é grande, talvez até “grande demais”, na visão de alguns.
Nos comentários do post, parte dos usuários apontou que os rostos ficaram realistas a ponto de destoar do restante do cenário, criando um efeito meio estranho. Outros foram além e compararam certas expressões faciais ao aspecto de vídeos gerados por inteligência artificial, citando pequenas inconsistências nos olhos, na pele e no formato do rosto como o principal motivo do estranhamento.
Faz sentido, considerando como o DLSS 5 funciona: quando a IA passa a interpretar a cena em vez de só recuperar dados que já estavam lá, o resultado pode se afastar bastante da direção artística pensada originalmente pelos desenvolvedores.
Sem suporte oficial, o resultado é mais “experimental”
Apesar das observações em relação ao game, vale reforçar um ponto que passa batido em muita gente: L.A. Noire não tem suporte oficial ao DLSS 5. O teste foi feito com uma ferramenta da própria comunidade, usada para substituir e inserir manualmente os arquivos necessários dentro do jogo.
E isso faz diferença, pois a própria NVDIA disse, em sua apresentação, que o suporte oficial iria sempre respeitar a questão artística, permitindo ao estúdio responsável ajustar a tecnologia ao game, para que o resultado final saia do jeito mais adequado pela sua direção. Sem o suporte oficial, o DLSS 5 apenas “constrói” o que acha necessário sem este toque que o estúdio pode oferecer ao jogo.
Segundo o autor do post, o processo foi relativamente simples: depois de instalar os arquivos, ele iniciou o jogo sem precisar mexer em muita coisa. Ainda assim, é bom deixar claro que esse resultado é um experimento amador, e não uma prévia de como a Rockstar implementaria a tecnologia caso decidisse oficializar o suporte.
O que esse experimento revela sobre o futuro dos remakes
Independentemente da polêmica em torno dos rostos, o caso mostra um dos usos mais promissores dessa nova geração de renderização neural: dar uma repaginada visual em jogos antigos sem precisar recorrer a um remaster completo do zero. Algo que a Microsoft já implementa em seus consoles Xbox, usando outros recursos. E que podem melhorar jogos antigos de forma prática, sem que o estúdio retrabalho o game.
Por outro lado, o próprio exemplo de L.A. Noire expõe o limite dessa abordagem. Quanto mais a IA interfere na imagem, tentando “adivinhar” detalhes que nunca foram desenhados pelos artistas originais, maior a chance do resultado final se distanciar daquilo que os desenvolvedores realmente pretendiam entregar. É uma faca de dois gumes que provavelmente vai continuar gerando esse tipo de debate conforme mais gente testar o DLSS 5 em outros títulos de gerações passadas.
LA Noire + DLSS 5 + LG C6 OLED = Breathtaking Graphics
by u/WrestlePurists in OLED_Gaming
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- Plataformas
- PlayStation, Xbox, Nintendo, PC
- Lançamento
- 17 de maio de 2011
- Desenvolvedora
- Team Bondi
- Publicadora
- Rockstar Games
- Gênero
- Ação-aventura




