gamescom 2025: Em seu segundo ano no Brasil, o evento trouxe muito mais, e deu ainda mais espaço para os indies

Ano passado a gamescom chegou ao Brasil em sua primeira edição no nosso país pegando a estrutura da BIG Festival e fundindo-a com seu próprio estilo, criando um evento que, apesar de tímido, foi muito bom. E em 2025, a gamescom latam não deixou a desejar! Ela foi maior, com muito mais atrações e, o principal, deu ainda mais espaço para os indies!
Um espaço maior, mais estandes e atrações

Este ano a gamescom latam aconteceu no Espaço Anhembi, em São Paulo, um pavilhão de eventos com um enorme espaço interno, que comportou diversos estandes em um layout bastante favorável para a exploração. O que quero dizer com isso é que não haviam corredores estreitos entre a maioria dos estandes, permitindo uma circulação de público bastante fluída, o que é essencial para que os visitantes possam aproveitar tudo o que o evento tem a oferecer.
Grandes nomes como a Nintendo, Epic Games e Nvidia estiveram presentes novamente, com mais um ano de Playstation e Xbox deixando espaço vago, que outros estúdios aproveitaram bem! A Xbox, apesar de não contar com um estande próprio no estilo dos que criava antigamente, trouxe, assim como ano passado, um pequeno espaço aberto para os jogadores poderem jogar seus games, sem controle de filas, nem nada. E, além disso a Bethesda contou com um estande próprio trazendo Doom: The Dark Ages, The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered e Indiana Jones e o Grande Círculo!

A principal característica da edição deste ano do evento foram os estandes de tamanho médio e pequeno espalhados por todo o pavilhão. Nem mesmo a Nintendo contou com um estande gigante, trazendo um espaço mais enxuto, mas que ainda assim estava cheio de coisas para os visitantes verem e jogarem. Lenovo, Nvidia, Tencent, Niantic, Roblox, Warner, a Prefeitura de São Paulo, Seara e etc, todos esses estandes eram relativamente pequenos, pelo menos comparados ao que o público brasileiro está mais acostumado ao visitar eventos desse porte. Mas felizmente tamanho não foi problema aqui!
Inclusive, mencionando especificamente a Nintendo, mesmo com espaço reduzido, em nenhum momento ao passar pelo estande encontrei filhas quilométricas que travavam corredores! A fluidez de movimento em todos os estandes que visitei estava surpreendentemente leve, mesmo com uma quantidade gigantesca de público! Isso é algo que eu vi pela primeira vez em um fim de semana em um evento grande assim, desde que comecei a participar de tais eventos lá em 2013!
Como a gamescom latam é um evento diferente de outros como BGS, a finada E3 e até a CCXP, em que o foco não é exatamente nos estandes em si, mas numa interação mais próxima entre estúdios/devs, publishers e empresas entre si e com o público, o formato tornou-se mais claro ao visitar o evento pela segunda vez, especialmente ao visitar as diferentes áreas de destaque dos indies, que é, como repito também este ano, o ponto em que a gamescom latam brilha!
Indies por todo lado

Como a gamescom latam anexou a BIG Festival em sua estrutura, temos os estandes apresentando os games concorrendo a seus prêmios e uma área de votação. Este ano nos dois corredores principais do evento, várias estações com os games concorrentes estavam dispostas por categoria, como melhor som, melhor narrativa, melhor game infantil e etc. E não apenas isso, mas mesmo os estandes grandes, como a Nintendo dedicaram espaços exclusivos para games independentes e/ou games produzidos na América Latina!
Mas as partes mais legais eram a Área Indie, uma área pequena com vários desenvolvedores apresentando seus games e conversando com o público. E a área Panorama Brasil, uma área bem grande com muitos desenvolvedores em espaços que, apesar de bem pequenos, tendo apenas uma bancada com normalmente um notebook/tablet, apresentaram muitos games incríveis! O melhor dessas duas áreas era poder jogar esses games e conversar diretamente com seus criadores, em conversas francas e muito enriquecedoras! Eu, por exemplo conversei com muitos sobre as dificuldades que enfrentam com seus games, com a grande maioria comentando da questão financeira como o grande problema para o desenvolvimento.

Ainda assim, eles perseveraram. E era visível como o clima dessas áreas era bastante alegre, pois esses desenvolvedores viam seus games sendo jogados e curtidos pelo público, que conversava com eles sobre o que gostaram e até dando feedbacks sobre pontos que foram notados. Inclusive, todos os games que joguei na Área Panorama Brasil, fui perguntado pelos devs se eu tinha algum feedback, pois isso era algo que ajudava muito eles!
Citando alguns destaques que pude conferir e conversar com seus devs está o game Calum, uma mistura de Souls-like com beat ‘em up ambientado na cidade de São Vicente-SP durante a era colonial, com o jogador controlando um índio lutando contra colonizadores e monstros. O diferencial do game está em seu visual top-down com um círculo de campo de visão. Esse campo de visão é ao mesmo tempo sua barra de vida e stamina, conforme você se cansa, o círculo de diminui, mas cresce logo em seguida. Quando você perde vida, ele permanentemente diminui. E se você ficar na escuridão, morre! Se quiser conferir o game, ele tem uma demo no itch.io!

Outro game foi Ivayami, game de terror brasileiro, que nós falamos sobre por aqui, inspirado em Silent Hill, trazendo o terror de uma cidade abandonada inspirada na cidade de Paranapiacaba-SP. Os devs conversavam com bastante entusiasmo sobre as referências deles para o game, bem como o processo de pesquisa, com eles visitando a cidade para tomar inspirações para seu game.
Outro game que pude conferir, que também falamos sobre por aqui, foi Kriophobia, game de terror brasileiro inspirado em Resident Evil, que trouxe uma build nova, com visual novo e gameplay atualizado! Eu pude conversar bastante com os devs enquanto jogava, contando para eles que esse é um game que eu estou no hype desde seu anúncio, lá em meados de 2013! Pude conversar bastante com eles sobre as dificuldades do projeto e vê-los verdadeiramente empolgados por mostrar e conversar sobre o game!
E pude conferir também A.I.L.A, novo game da Pulsatrix, os mesmos desenvolvedores de Fobia St. Dinfna Hotel, além de poder bater um papo com seus desenvolvedores! Você pode conferir o que achei da demo clicando NESTE LINK, e em breve publicaremos nossa entrevista completa com um de seus desenvolvedores!

Estandes como Roblox atraíam especialmente as crianças, a Epic focou em Fortnite, o que obviamente atraiu muitas pessoas, a Bethesda trouxe a chance do público experimentar Doom: The Dark Ages antes de seu lançamento. E até mesmo a Seara trouxe Doom rodando numa Air Fryer!
Isso sem contar em vários nomes grandes da indústria de video games que apareceram, como Shuhei Yoshida, antigo chefe da Playstation, Karolina Kopek da CD Projekt Red, Michael Steranka da Niantic, e muito mais! Esses e outros convidados tiveram painéis apresentados na gamescom latam, além do público podendo encontrá-los circulando pelo evento e até mesmo conferindo games brasileiros!
2024 foi tímido, 2025 foi grandioso. Que venha 2026!

A gamescom latam pode ter tido um início tímido aqui no Brasil, o que faz sentido, 2024 foi a primeira edição do evento em nosso país, e algo de imensa importância é conhecer e entender o público, não só do nosso país, mas de toda a América Latina. E 2025 não decepcionou nem um pouco!
Mais estandes, mais atrações, mais público, mais espaço. Tudo na edição deste ano foi maior, exceto as filas, o que realmente me surpreendeu bastante! Normalmente quando visito eventos de games como esse, o que mais encontro são filas e mais filas, com visitantes muitas vezes esperando horas para jogar 5 minutos de um game e pegar outra fila ainda maior depois para testar algo diferente. É claro que haviam muitas filas aqui, mas pelo menos pelo o que pude perceber, tudo fluía muito bem!
E é claro, o espaço dado aos indies foi mais uma vez belíssimo. Cada visitante que foi na gamescom latam certamente tinha um objetivo principal. Seja ver um estande específico, seja ir atrás de algum presente para comprar, seja para ver algum nome famoso que estava passando pelo evento. No meu caso, eu fui para ver os indies, e não exagero ao dizer que 50% do meu tempo gasto lá dentro foi jogando indies e conversando com devs. E isso foi realmente algo incrível!

Sendo assim, minhas expectativas para 2026 são ainda maiores! A gamescom latam ainda tem muito espaço para crescer por aqui, e é exatamente isso o que quero todos possam conferir ano que vem!