Geezer Butler admite que ele e o resto do Black Sabbath não esperavam o sucesso de Heaven and Hell

Geezer Butler falou de novo sobre a chegada de Ronnie James Dio no Black Sabbath e, de quebra, confessou uma coisa que muita gente ainda não sabia: a banda ficou bastante surpresa com a aceitação de Heaven and Hell. A conversa rolou no podcast 100 Songs That Define Heavy Metal, apresentado por Brian Slagel, da Metal Blade Records.
Segundo o baixista, em conversa transcrita pelo Blabbermouth, o álbum de 1980 pegou muita gente de surpresa — inclusive eles mesmos. “A gente acreditava no material, mas fazer o resto do mundo acreditar é outra história”, contou. “Você pode achar que escreveu a melhor música do planeta e ninguém mais pensa assim. No nosso caso deu certo. As pessoas curtiram tanto quanto a gente.”
Na época o clima era outro. Muita gente já tinha decretado o fim do Black Sabbath depois da saída de Ozzy Osbourne. A expectativa, segundo Geezer, era de que o disco novo fosse uma porcaria. “O pessoal falava ‘o Sabbath acabou, vamos ver como vai ser esse álbum horrível’. E aí veio a surpresa.”
O sucesso de Heaven and Hell ainda chamou mais atenção porque a faixa-título passa dos seis minutos e, mesmo assim, tocou bastante no rádio dos EUA, mesmo após tanta resistência da grande mídia e de grupos religiosos por lá, ainda nos dias com Ozzy. E, neste contexto, aconteceu algo que a banda não imaginava que fosse rolar com tanta força.
Geezer também aproveitou para comparar as duas eras. Com Ozzy, no final dos anos 70, gravar era um sofrimento. No Never Say Die!, ele conta que era “como arrancar dente” tentar fazer o vocalista cantar as letras, mais uma gota d’água em um copo que transbordou e ocasionou a sua demissão. “Eu escrevia e ele nem lia. Descartava tudo antes de olhar. O Bill Ward teve que cantar uma música porque o Ozzy simplesmente foi embora. Outra virou instrumental porque ele se recusou.”
Com Ronnie a história mudou de figura. O cantor não só escrevia as próprias letras como ainda pegava o violão e mostrava ideias de refrão pro Tony Iommi. “Ele chegava e falava ‘é assim que eu vejo o refrão’ e tocava os acordes. Todo mundo entendia na hora. Foi bem mais fácil.”
Geezer deixa claro que não tinha nenhum problema em entregar a parte das letras pro Dio. Depois do desgaste do último álbum com Ozzy, a chegada do novo vocalista foi um alívio. E o resultado, pelo visto, surpreendeu até quem estava dentro do estúdio.
A conversa completa está no episódio mais recente do podcast. Vale a escuta pra quem curte acompanhar esses detalhes da história do Black Sabbath direto da boca de quem escreveu a história.
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