GP de Mônaco 1996: O dia em que Olivier Panis venceu o caos, para triunfar no principado

Em 19 de maio de 1996, o Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1 entraria para a história como uma das corridas mais dramáticas da história, onde os pilotos foram, um a um, vencidos pela chuva intensa, acidentes, falhas mecânicas e muito mais. No final, quem cruzava a linha de chegada em primeiro, para a surpresa de todos, era Olivier Panis com a sua modesta Ligier.
Com apenas três carros cruzando a linha de chegada, a prova marcou história com o recorde de maior número de abandonos em uma corrida na Fórmula 1. 85,7% dos 22 carros que largaram não terminaram a prova, com apenas três cruzando a linha final.
Mais um pouco e o terceiro colocado teria de ser resgatado da pista para o pódio.
Mônaco no nível hardcore
O GP de Mônaco de 1996 era a sexta etapa do campeonato mundial de Fórmula 1 daquele ano, e foi realizado no tradicional Circuito de Monte Carlo, desde sempre desafiador por suas ruas estreitas e curvas desafiadoras. A prova trazia as Williams de Villeneuve e Hill combatendo as Ferraris de Schumacher e Alesi, mais McLaren e Benetton correndo por fora, buscando vitórias na temporada.
Assim, a corrida chegava como uma oportunidade de recuperação de Schumacher, que viu as Williams vencendo no começo do ano e precisava de uma resposta por parte do alemão. Até o momento, só Villeneuve, com 4 vitórias, e Hill, com uma, tinham vencido no ano.
Mas o que seria uma corrida “comum” em Mônaco, logo se tornaria em um desafio mais do que especial. A chuva torrencial que caiu antes e durante a corrida transformou a pista em um verdadeiro teste de habilidade e estratégia, resultando em um cenário de caos que poucos pilotos conseguiram superar.
O alemão até que mostrou disposição para vencer, já que foi o pole da prova, seguido por Hill, Alesi e Berger. Tudo parecia indicar um dia positivo para a Ferrari, pois Villeneuve não foi bem e largou em décimo. Mas, no final, foi a pequena Ligier que acabaria celebrando a conquista.
Olivier Panis, da Ligier-Mugen-Honda, largou na 14ª posição, mas soube aproveitar as condições adversas. Com uma estratégia ousada, sua equipe optou por trocar para pneus slick em um momento crucial, quando a pista começava a secar.
Essa decisão, aliada à pilotagem de “escapa-confusão” de Panis, fez com que ele driblasse não só os rivais na pista, como todos os perigos das ruas monegasca, para garantir sua primeira e única vitória na Fórmula 1, além de marcar o último triunfo da Ligier e o primeiro da Mugen-Honda como fornecedora de motores.
O pódio foi completado por David Coulthard, da McLaren, em segundo, e Johnny Herbert, da Sauber, que chegou em terceiro. Ou em último, dependendo do seu ponto de vista. Curiosamente, Coulthard competiu usando um capacete emprestado de Michael Schumacher, já que o seu estava embaçando devido à umidade.
Apenas esses três pilotos cruzaram a linha de chegada, enquanto outros quatro foram classificados por completarem mais de 90% da distância da corrida, que foi interrompida pelo limite de duas horas.
Mais incidentes e abandonos do que corrida
A corrida foi marcada por uma série de incidentes logo na largada. Michael Schumacher, que conquistou a pole position com a Ferrari, perdeu o controle na primeira volta, e bateu, abandonando a prova, e jogando fora a sua chance de reagir. Ele só iria vencer pela primeira vez em 1996 na prova seguinte, na Espanha.
Damon Hill, da Williams, assumiu a liderança e dominou as primeiras 40 voltas, mas foi retirado da prova por problemas no motor, em dias nos quais os carros não eram tão confiáveis do que os de hoje. Jean Alesi, que herdou a ponta, também “não quis vencer”, por questões de suspensão, deixando o caminho livre para Panis.
Outros incidentes da prova envolveram os abandonos de Verstappen “pai” e dos pilotos da Minardi, Giancarlo Fisichella e Pedro Lamy, logo na primeira volta. Jacques Villeneuve, da Williams, poderia ampliar a sua liderança no ano, mas envolveu-se em colisões com Eddie Irvine e Luca Badoer, enquanto pilotos como Ukyo Katayama, Ricardo Rosset e Pedro Diniz também não resistiram às condições traiçoeiras da pista.
Ao todo, 19 carros não completaram a corrida, estabelecendo um recorde de abandonos que destaca a ferocidade do GP de Mônaco de 1996. As ruas do principado são traiçoeiras com quem desliza um mínimo em seu traçado, mas naquele ano a fúria das ruas monegascas, mais a chuva local, fizeram tudo ficar ainda mais insano.
A única vitória de Panis, a última da Ligier, a última da França, até 2020

O GP de Mônaco de 1996 representou marcos importantes para a Ligier, que conquistou sua nona e última vitória na F1, e para a Mugen-Honda, que celebrou seu primeiro triunfo como fornecedora de motores.
Para Olivier Panis, a vitória representou a única vitória da categoria na carreira, sendo o primeiro francês a vencer na categoria após a carreira vitoriosa de Alain Prost e a vitória de Alesi no GP de Canadá de 1995, e seria a última vitória francesa na F1 até Pierre Gasly vencer em Monza, no ano de 2020. Curiosamente, Gasly também venceu em uma corrida também dramática.
A prova também serviu para reforçar como Monte Carlo é traiçoeiro e imprevisível, especialmente quando a chuva deixa tudo mais difícil. Goste ou não de Mônaco, especialmente nas corridas “de trenzinho”, que são o grande motivo de reclamação dos fãs críticos à prova, o fato é que, quando Monte Carlo quer, a emoção é garantida.
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