Judas Priest mostra a sua divindade do heavy metal em show poderoso em São Paulo

21 de abril de 2025
Foto: Mercury Concerts / Ricardo Matsukawa

“O Sabbath fez o heavy e o Judas fez o metal”: eu ouvi esta frase uma vez e concordo plenamente: ambas as bandas tem um papel crucial na criação e desenvolvimento inicial do heavy metal que conhecemos hoje em dia, e ambas as bandas provaram, com o passar dos anos, que merecem serem reverenciadas como os pilares de um gênero que nos trouxe muita coisa boa nos últimos anos.

E, com suas cinco décadas de história, o Judas Priest voltou para o Brasil em várias apresentações. Tocaram em Brasília, no Monsters of Rock e, na noite de ontem (20), celebraram sua história com os fãs no Vibra São Paulo, junto com o Queensrÿche.

O grupo liderado pela voz de Rob Halford, desta vez, contou com uma apresentação mais calorosa e próxima de seus fãs, pois estavam em uma casa de shows, junto de pessoas que compraram o ingresso apenas para vê-los, diferente dos públicos mistos, comuns em festivais.

A noite de música começou com o Queensrÿche, que também esteve no Monsters of Rock, e trouxe Todd La Torre como seu novo vocalista. A banda fez o seu primeiro show em 13 anos no nosso país, e agradou os fãs presentes, com uma setlist repleta de clássicos. Geoff Tate, o vocalista original do grupo, foi honrado por La Torre, que se comportou de forma semelhante ao ex-vocalista, entregando os clássicos em um estilo de voz bem semelhante das músicas originais.

Silent Lucidity ficou de fora mais uma vez, mas clássicos absolutos como Queen of the Reich, Breaking the Silence ou Eyes of a Stranger garantiram uma apresentação segura, e que marcou um retorno positivo neste reencontro com o Brasil.

E, após o Queenrÿche, chegou a vez de mais uma apresentação dos deuses do metal em nosso país. Pontualmente às 21 horas, conforme programado, Ron Halford e seus parceiros apareceram no palco para mais um show intenso, de extrema qualidade, e que comprova mais uma vez que eles são, de fato, uma entidade definitiva do heavy metal.

A banda repetiu o setlist do Monsters of Rock, e também repetiu a energia e intensidade entregues no festival que aconteceu no sábado (19). Na verdade, a intensidade foi ainda maior devido ao público, que estava ali exclusivamente por causa do Priest, que deu uma energia ainda maior para a apresentação, que promove o Invicible Shield, ao mesmo tempo que celebra as cinco décadas de história da lendária banda.

Antes de enaltecer novamente Halford, temos de falar de Scott Travis. O baterista do Priest nos deu a impressão de estar “preso no passado”, tamanha a qualidade com a forma a qual lida com o seu instrumento. A bateria intensa da banda conta com um músico que a trata com muito carinho, tocando com uma qualidade absurda, como se fosse mais um “dia normal de trabalho no escritório”. O normal para Travis é mágico para nós.

Richie Faulkner é outro que parece ter entrado em uma máquina do tempo e vive, mesmo com seu tempo de banda menor do que a história de seu grupo, como se estivesse em um palco do Priest nos anos 80, entregando energia e vigor com sua guitarra. O mesmo pode ser dito de Andy Sneap, que toca no lugar do lendário Glenn Tipton nas turnês, e coloca à disposição a sua vasta experiência musical, que conta inclusive com a produção de discos do Megadeth, Nevermore e Kreator, entre outros.

Ian Hill, o único elo entre todas as fases do Priest, estava ali, no canto dele, mas completamente presente com um dos baixos mais poderosos do rock, cumprindo com excelência a sua missão de entregar o peso necessário para que as guitarras brilhem e Halford “quebre a lei” com a sua voz. Tipton não está mais presentes na turnê da banda, mas também foi celebrado ao aparecer no telão em Victim of Changes e Painkiller.

E, obviamente, quem esteve presente no show pôde apreciar, mais uma vez, a potência e qualidade absurda da voz de Halford. O “deus do metal” faz jus ao seu “título”, pois é incrível ver como que ele, aos seus 73 anos de idade, ainda se permite levar a sua voz ao máximo, para entregar músicas incríveis.

É claro e óbvio que não teremos mais a voz de Halford como há 30 ou 40 anos atrás. Mas isso não significa que, mesmo com limitações naturais impostas pela idade, o cantor ainda não explore a sua voz e entregue canções, das mais difíceis, como Painkiller. Músicas mais recentes, como Crown of Horns e Panic Attack, também provam esta qualidade vocal, já que são músicas mais recentes e ainda assim, contam com a mesma qualidade vocal do cantor.

Halford, muito à vontade no palco, sentou nos amplificadores, agradeceu o público, usou uma tiara de orelhinhas de coelho de Páscoa no final do show e, em um momento de respiro da banda, ainda saiu cantarolando, lembrando muito outro apelido que já vi por aí em respeito a ele: o de “Freddie Mercury do metal”.

A setlist, a mesma do Monsters, como já foi falado, manteve um show conservador, mas ainda assim, poderoso. A banda misturou bem a sua história com as músicas de Invisible Shield que, por ter sido um álbum muito bem recebido, não foi encarado como algo “forçado”, como acontece com bandas de história que lançam materiais atuais aquém de seu legado. Isso não acontece com o Priest.

Tivemos a boa fase atual da banda, tivemos a história de um dos pilares do heavy metal, apreciamos a qualidade musical do conjunto atual e ainda curtimos Ron Halford acelerando com sua Harley-Davidson na clássica Hell Bent for Leather e fechando o show com ela, com a icônica Living After Midnight. É o arroz com feijão com o melhor sabor possível que apreciamos nesta vinda da banda ao Brasil e continuaremos aproveitando no futuro, pois a banda prometeu, no final do show: “O Priest vai voltar!”.

Foto: Mercury Concerts / Ricardo Matsukawa
Foto: Mercury Concerts / Ricardo Matsukawa
Foto: Mercury Concerts / Ricardo Matsukawa
Foto: Mercury Concerts / Ricardo Matsukawa
Foto: Mercury Concerts / Ricardo Matsukawa

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Junior Candido

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