Microsoft confirma demissão de 1.600 funcionários (com mais a caminho) e reestrutura divisão Xbox com venda de estúdios

A Microsoft oficializou uma das maiores reestruturações da história da marca Xbox. Em comunicado enviado aos funcionários, a empresa confirmou que pretende cortar cerca de 3.200 postos de trabalho ao longo do próximo ano fiscal — o equivalente a aproximadamente 20% da força de trabalho da divisão.
Desse total, cerca de 1.600 demissões ocorrerão imediatamente (a virada do mês já vinha sendo tratada como um “banho de sangue” pela mídia, e nós falamos um bocado disso por aqui). O restante das demissões será realizado de forma gradual nos próximos meses.
As mudanças vão além da redução de pessoal. Como parte da reorganização, a empresa também está se desfazendo de parte de sua rede de estúdios. A Double Fine e a Compulsion Games deixarão de fazer parte da Xbox e voltarão a operar como desenvolvedoras independentes. Já a Ninja Theory e a Undead Labs (de State o Decay) serão vendidas para novos proprietários, mas devem continuar recebendo suporte para concluir seus projetos atuais.
Além disso, a Microsoft avalia alternativas para outros estúdios, incluindo a Arkane Studios, responsável pelo jogo do Blade, cujo futuro permanece indefinido. O estúdio, que já fez bonito com a série Dishonored, caiu em desgraça com o live service Redfall e, desde então, vem lutando para se reerguer.
Segundo a CEO da Xbox, Asha Sharma, a reestruturação faz parte do famigerado “reset” da divisão. A executiva citou margens de lucro reduzidas, retorno abaixo do esperado em investimentos feitos nos últimos anos e a necessidade de simplificar a estrutura da empresa.
Como parte desse processo, a Microsoft também deve reduzir níveis de gestão, reorganizar equipes e criar uma nova diretoria de operações para integrar as áreas de hardware, conteúdo, plataforma e serviços sob uma estratégia unificada.
Apesar do impacto das mudanças, a Xbox não pretende reduzir seus investimentos na área de games. A estratégia passa a concentrar esforços em franquias de maior alcance, na expansão da plataforma Xbox e em parcerias com estúdios independentes — ao invés de manter uma estrutura tão ampla de desenvolvimento interno. A companhia também reiterou que os jogos já anunciados pelos estúdios afetados continuarão em desenvolvimento (como o recém-anunciado Senua), ao menos por enquanto.
O que fica claro neste movimento é: há alguns anos, vimos a Microsoft se empolgar e sair comprando estúdios a rodo para aumentar o catálogo do Game Pass. Com o passar do tempo, porém, a estratégia não se sustentou, e agora ela não quer “pagar a conta” de todos os estúdios que comprou. Foram “compras impulsivas” que, infelizmente, vão custar o emprego de milhares de profissionais.
Com menos estúdios sob seu comando e uma operação mais enxuta, a Xbox busca reorganizar seus negócios para recuperar rentabilidade e definir os rumos da marca nos próximos anos — lembrando que o Project Helix, a próxima geração de consoles Xbox, já está no forno.