Novo livro revela as referências da vida real que Hayao Miyazaki usou em A Viagem de Chihiro, Meu Amigo Totoro e outros filmes

15 de maio de 2026

A Editora Belas Letras anunciou o lançamento de Os Mundos de Hayao Miyazaki, escrito por Nicolas Rapold. O livro reúne um panorama das ideias, influências e processos criativos do diretor japonês, mostrando como ele transformou lugares reais, folclore, arquitetura, cinema clássico e memórias de infância em material para histórias conhecidas como A Viagem de Chihiro, Meu Amigo Totoro, Princesa Mononoke e O Castelo Animado.

Com centenas de imagens e análises ponto a ponto, a obra explica como diferentes camadas, como as culturais, artísticas e pessoais, se combinam na construção das tramas. Em vez de ficar só na teoria, o texto conecta cenas específicas dos filmes com elementos do mundo real, ajudando quem assiste a ver detalhes que passam despercebidos na primeira vez.

Em A Viagem de Chihiro, por exemplo, o espaço frequentado por espíritos remete ao festival Shimotsuki, realizado na província de Nagano. Há também referências diretas à arquitetura do santuário Nikkō Tōshogū e à fonte termal Dogo Onsen. O livro destaca ainda a presença recorrente do xintoísmo, com espíritos (kami) e a relação entre humanos e natureza. Em Princesa Mononoke, essas ideias aparecem nas criaturas inspiradas em lendas japonesas antigas.

Meu Amigo Totoro traz paisagens das colinas de Sayama, no interior do Japão. Essas imagens reais definiram o visual do filme e, anos depois, inspiraram a iniciativa ambiental chamada Floresta de Totoro. O texto aponta paralelos com a literatura: a obra de Lewis Carroll (Alice no País das Maravilhas), Frances Hodgson Burnett (O Jardim Secreto) e Jules Verne dialogam com temas de deslocamento, descoberta e construção de mundos que aparecem ao longo da carreira de Miyazaki.

No caso de O Castelo Animado, as ruas e construções lembram a cidade francesa de Colmar. A porta mágica do castelo funciona como um recurso que liga diferentes cenários, criando a sensação de que o espaço se transforma conforme a narrativa avança.

O livro também volta o olhar para as obras que marcaram a formação de Miyazaki como artista. Um ponto de virada foi o longa Hakujaden (1958), que o motivou a seguir na animação e reforçou o interesse em contar histórias do ponto de vista infantil. Outras referências incluem O Rei e o Pássaro, de Paul Grimault, e A Rainha da Neve, de Lev Atamanov, que ajudaram a desenvolver cenários complexos e personagens que persistem diante de obstáculos.

Entre os temas que se repetem nos filmes estão infância, natureza, luto, deslocamento e renovação. Nicolas Rapold conecta esses assuntos com experiências pessoais do diretor, como memórias da família e acontecimentos históricos que ele viveu.

Os Mundos de Hayao Miyazaki chega às livrarias a partir de 3 de junho de 2026. A edição está disponível no site da Editora Belas Letras e em parceiros como Travessa, Livrarias Curitiba, Martins Fontes, Livraria da Vila e Amazon.

Você pode inclusive fazer a pré-venda na Amazon, com frete Prime.

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Junior Candido

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