O Cerco de Sarajevo foi uma das inspirações de This War of Mine, game que traz a dor da sobrevivência na guerra
Entenda como o Cerco de Sarajevo e relatos de sobreviventes inspiraram This War of Mine, jogo sobre a dor de civis em meio à guerra.
A ideia de This War of Mine não nasceu de um roteiro qualquer de guerra: nasceu de reportagens e diários de sobreviventes reais, e o assunto voltou a ganhar peso recentemente devido a um dos atos mais cruéis já registrados na história moderna. Desde o fim de 2025, a promotoria de Milão, na Itália, investiga relatos de que dezenas (talvez centenas) de estrangeiros, a maioria italianos, pagaram para atirar em civis de forma gratuita e deliberada durante o cerco de Sarajevo, o mesmo conflito que serviu de base para o jogo da polonesa 11 bit studios.
Em fevereiro de 2026, os investigadores identificaram o primeiro suspeito: um ex-caminhoneiro italiano que hoje tem 80 anos, morador da região de Pordenone, apontado como o primeiro indivíduo identificado numa apuração que começou no ano anterior. É um gancho triste, mas interessante, para relembrar de onde, de fato, veio a inspiração de um dos jogos mais desconfortáveis já lançados.
E por que o cerco que ele retrata continua sendo, décadas depois, sinônimo de sofrimento e resiliência.
Um ano no inferno

A gênese de This War of Mine é mais realista do que se imagina. Grzegorz Miechowski, fundador e hoje CEO da 11 bit studios, levou ao escritório um artigo chamado “One Year in Hell”, uma entrevista com um homem que havia sobrevivido ao cerco de uma cidade na Bósnia no início dos anos 1990. O irmão dele, Pawel Miechowski, hoje na área de narrativa do estúdio, contou depois que além do depoimento, houve outro gatilho para idealizar o game: Grzegorz vinha devorando memórias e depoimentos de sobreviventes de conflitos diversos, e percebeu que, de acordo com quem viveu estes dias de inferno na Terra, o desafio físico imposto pelos dias difíceis não era o pior, e sim o peso emocional que essas pessoas precisavam carregar, durante e depois do conflito.
Em entrevista posterior, o próprio Miechowski admitiu incerteza sobre a veracidade do texto original: “Não tenho certeza se o artigo é real ou não. Não consigo encontrar o autor. Não importa”. Outras fontes o atribuem a um sobrevivente identificado apenas como “Selco”. Mas o que importa é que relatos de pessoas que passaram pelo caos da guerra motivaram os próximos passos do que seria This War of Mine.
A partir dali, o estúdio mergulhou de cabeça em pesquisa. Miechowski leu dezenas de relatos publicados pela Anistia Internacional e ficou convencido de que aquelas histórias precisavam ser contadas por um jogo, já que ler sobre a guerra em livros ou vê-la no cinema deixa o público na posição de espectador e não de quem vivência estes dias difíceis.
Mas, em seus estágios iniciais, o protótipo do jogo não nasceu com essa cara. Segundo material interno da própria 11 bit apresentado em eventos do setor, o projeto começou baseado em outro jogo, mais convencional, antes de a equipe decidir contar essa história pelo viés dos civis, uma guinada de rumo que definiu tudo o que viria depois. Incluindo a vida do próprio estúdio.
Embora Sarajevo seja a referência mais evidente, não foi a única. A própria produtora, em entrevistas de época, citou também o cerco de Leningrado, o Levante de Varsóvia em 1944, na II Guerra Mundial, além de conflitos mais recentes, como no Kosovo e na Síria, como fontes de pequenas histórias que acabaram se tornando em eventos dentro do jogo. Do lado visual, o diretor de arte Przemek Marszal revelou que as referências estéticas incluíam videoclipes dos anos 80 e 90 com sobreposição de desenho a lápis sobre imagem real, além do trabalho do grafiteiro Banksy, cuja paleta suja e contida ajudou a definir o visual em preto e branco do jogo.
O cerco que durou quase quatro anos

Para entender por que a 11 bit escolheu esse pano de fundo para seu game, vale revisitar o que de fato aconteceu em Sarajevo. Forças sérvias e da República de Srpska (uma espécie de país sérvio dentro da Bósnia, ou seja, de bósnios de origem sérvia) cercaram a capital da Bósnia em 5 de abril de 1992, um dia depois de manifestantes pacifistas serem baleados numa ponte da cidade: as duas primeiras vítimas, Suada Dilberović e Olga Sučić, dão nome à travessia até hoje.
O conflito, que surgiu após várias revoltas e revoluções na antiga Iugoslávia, uma nação composta por seis repúblicas, com povos distintos que queriam sua independência, resultou na Guerra da Bósnia, onde bósnios, croatas e sérvios brigaram entre si em um conflito tão complexo quanto cruel, como veremos no Cerco de Sarajevo.
O cerco só terminaria em 29 de fevereiro de 1996, depois de 1.425 dias, período três vezes mais longo que a Batalha de Stalingrado e mais de um ano superior ao cerco de Leningrado, o que o torna o cerco mais longo sofrido por uma capital na história da guerra moderna.
Os números variam um pouco conforme a fonte, mas giram em torno de 11.500 a 14 mil mortos ao todo, a maioria deles civis. O Tribunal Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia (TPI), em sentença específica sobre o cerco, contabilizou 1.601 crianças mortas durante o período. O bombardeio era constante: em média, 329 granadas caíam sobre a cidade todos os dias, com um recorde de 3.777 projéteis atingindo Sarajevo em um único dia, 22 de julho de 1993. Em fevereiro de 1994, o massacre no mercado de Markale, um ataque de morteiro contra civis fazendo compras, matou 68 pessoas e chocou o mundo, acelerando a resposta internacional.
Sobreviver sem água, luz ou lenha

O que dá ao cerco de Sarajevo sua marca particular não é só a duração: é o tipo de guerra que foi. Diferente de Stalingrado, onde dois exércitos se destruíam mutuamente por uma cidade, e brigavam em casas, lojas e estações de trem, em Sarajevo o alvo declarado era a própria população civil. Água, eletricidade, gás e suprimentos foram cortados logo no início, e a cidade (cerca de 350 mil pessoas) ficou isolada dentro de um vale cercado de colinas ocupadas por artilharia inimiga.
As pessoas precisaram reinventar o cotidiano quase do zero. Sem lenha disponível para comer ou se aquecer nos dias frios, famílias inteiras cortaram árvores da cidade e queimaram móveis, roupas e livros só para conseguir algum aquecimento no inverno. Sem água encanada, moradores desenvolveram sistemas improvisados de captação e descarte de água, além de lidar com formas criativas de aproveitar as rações distribuídas pela ONU.
E, apesar de Sarajevo ser a capital da Bósnia, a cidade sempre foi composta por pessoas de variados povos e etnias. Assim, vizinhos sérvios, croatas e bósnios muçulmanos viraram, na prática, uma única família de sobrevivência, trocando o que tinham: um punhado de farinha por um pouco de sal, alguns cigarros por uma vela. Mesmo sob esse cerco, a vida civil insistia em continuar: cafés reabriam entre um bombardeio e outro, festivais de cinema aconteciam em porões, jornais continuavam sendo publicados. Até um concurso de miss foi realizado, e Bruce Dickinson, que havia deixado o Iron Maiden um ano antes, foi na cidade sitiada fazer um show histórico. Foi justamente essa teimosia em manter alguma normalidade que muitos sobreviventes descreveram, depois, como a forma de resistência mais eficaz que tiveram.
A Avenida dos Snipers e os “caçadores de gente”

Nenhum símbolo do cerco é tão conhecido quanto a chamada Sniper Alley — a avenida principal da cidade, ladeada por prédios altos ocupados por atiradores de elite sérvio-bósnios nas posições mais próximas do centro. Atravessá-la era, literalmente, apostar a própria vida: mais de 200 pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas só naquele trecho, muitas vezes catando plantas à beira da via para complementar a alimentação. Famílias corriam entre um carro incendiado e outro, torcendo para não estar na mira de ninguém.
Se você tiver estômago para assistir, veja este documentário com imagens desta avenida durante o cerco. Não há nenhuma imagem violenta e você não verá ninguém levar o tiro, mas a tensão no rosto das pessoas, que precisavam de ajuda de blindados para algo simples como atravessar uma rua, é algo talvez mais difícil de se assistir do que a violência em si.
E aqui entra a parte mais perturbadora, e a que voltou às manchetes nos últimos meses. Desde os anos 1990 circulam relatos e rumores de que cidadãos estrangeiros ricos, a maioria de origem italiana, pagavam para participar do que passou a ser chamado de “sniper safari” ou “safári de Sarajevo”: viagens de fim de semana até posições sérvio-bósnias nas colinas, com direito a atirar em civis desarmados por fútil e mera diversão. Segundo reportagens recentes, os grupos se reuniam às sextas-feiras em Trieste, no nordeste da Itália, e depois eram levados de avião até as proximidades de Sarajevo. O jornal La Repubblica apurou que esses “turistas” chegavam a pagar cerca de 100 mil euros — algo como R$ 1,3 milhão nos dias de hoje — para participar das expedições.
O tema ganhou força internacional depois do documentário esloveno Sarajevo Safari, do diretor Miran Zupanič, lançado em 2022 em coprodução com a Al Jazeera Balkans. Foi esse filme que motivou o jornalista e escritor italiano Ezio Gavazzeni a reunir depoimentos e protocolar uma denúncia formal, hoje sob análise da promotoria de Milão.

É importante fazer uma ressalva, no entanto: apesar da repercussão e de muitos depoimentos de sobreviventes que embasam as acusações, outros elementos deixam tudo mais nebuloso: ex-militares britânicos que serviram em Sarajevo disseram nunca ter ouvido falar do conceito, chamando-o de “mito urbano”, e uma investigação conjunta da ARTE com a BIRN concluiu que não há, até agora, evidência conclusiva de que os episódios tenham realmente ocorrido. Isso não significa que tudo seja falso, já que há testemunhos e um processo formal em andamento, mas o grau de incerteza no momento é maior do que as “evidências ainda escassas”.
Por que Sarajevo é lembrado pelo sofrimento civil — e não pela guerra em si

Aqui está talvez o ponto mais curiosamente triste de toda essa história. Cercos como o de Stalingrado, na Segunda Guerra Mundial, entraram para os livros de história principalmente como capítulos militares: era o confronto entre dois exércitos, uma virada estratégica do conflito, e os números colossais de baixas dos dois lados. Em Stalingrado, os moradores não podiam sair da cidade, mas não eram alvos deliberados; quem trocava tiro eram os alemães nazistas, seus aliados e o Exército Vermelho.
Sarajevo seguiu outro caminho na memória coletiva, e isso não é acaso, é resultado direto do tipo de crime cometido ali.

Em dezembro de 2003, o TPI (Tribunal Penal Internacional) condenou o general sérvio-bósnio Stanislav Galić, comandante do Corpo Sarajevo-Romanija entre 1992 e 1994, a 20 anos de prisão, pena depois elevada a prisão perpétua em grau de recurso. O motivo da condenação não foi um crime de guerra “tradicional”: foi, especificamente, o crime de aterrorizar a população civil, algo que o juíz responsável, Alphons Orie, classificou como o primeiro julgamento do tribunal dedicado exclusivamente a esse tipo de acusação. A corte concluiu que civis eram atacados deliberadamente enquanto compravam comida, cuidavam do jardim, buscavam água no rio ou simplesmente seguiam com a rotina, e rejeitou o argumento de que se tratava de dano colateral de operações militares legítimas.
Anos depois, os sucessores de Galić no comando do cerco, assim como as lideranças políticas e militares sérvio-bósnias, também foram condenados por crimes ligados diretamente ao terror contra a população, não por perdas em combate.
É essa diferença jurídica e histórica que explica o contraste com Stalingrado: lá, a narrativa dominante é sobre exércitos, com o sofrimento civil tendo conexão direta com os confrontos entre alemães e russos; em Sarajevo, a narrativa que prevaleceu, nos tribunais, na imprensa e, décadas depois, também nos jogos, é sobre gente comum sendo tratada como inimigos, tentando apenas conseguir atravessar a rua viva.
Do relato real para o botão de “sair para catar comida”

A ligação entre a pesquisa histórica e o design de This War of Mine aparece em quase todos os sistemas do jogo, ainda que o estúdio nunca tenha citado uma mecânica específica como cópia direta de um evento. Alguns paralelos, porém, saltam aos olhos de quem conhece a história do cerco:
- Sair só à noite para catar recursos reflete o padrão real relatado por sobreviventes: atravessar áreas expostas durante o dia era assinar um convite para os atiradores nas colinas, então boa parte da movimentação em Sarajevo acontecia sob a proteção da escuridão.
- Reforçar portas e janelas do abrigo remete diretamente às adaptações que moradores fizeram em seus próprios prédios para se proteger de estilhaços e disparos.
- Cultivar hortas e coletar água da chuva, mecânicas centrais de sobrevivência a médio prazo no jogo, espelham as soluções improvisadas que a população de Sarajevo desenvolveu para lidar com o corte total de abastecimento.
- O sistema de moral e depressão dos personagens — que pode ser tão fatal quanto fome ou ferimento — nasce exatamente da tese que motivou Grzegorz Miechowski a propor o jogo: o desgaste emocional pesa tanto ou mais que o desgaste físico.
- Os dilemas morais, como roubar um casal de idosos indefeso para alimentar seu próprio grupo, traduzem em jogabilidade os relatos de trocas, favores e escolhas difíceis que definiram a economia informal da cidade sitiada.
- A expansão The Little Ones, que adiciona crianças jogáveis, dialoga diretamente com um dos números mais duros do cerco: mais de 1.600 crianças mortas segundo o TPI, e uma geração inteira que cresceu entre escombros sem deixar de, nas palavras dos próprios pesquisadores da época, continuar sendo criança: brincando, rindo, chorando e até estudando quando podiam, apesar de tudo.
Um jogo que se tornou um grito de dor e sofrimento

This War of Mine foi lançado em 14 de novembro de 2014 e já vendeu mais de 9 milhões de cópias em todas as plataformas o qual foi lançado. O impacto foi além das vendas: o jogo entrou para exposições do Imperial War Museum, em Londres, e do MoMA, em Nova York, recebeu prêmio de reconhecimento especial da Anistia Internacional em 2024 e se tornou o primeiro jogo oficialmente adotado como material complementar pelo Ministério da Educação da Polônia.
A 11 bit também transformou o próprio jogo em ferramenta de arrecadação: parceria de longa data com a ONG War Child já levantou mais de meio milhão de dólares para crianças afetadas por conflitos reais, e em 2022, logo após a invasão russa à Ucrânia, uma semana inteira de vendas do jogo — US$ 850 mil — foi doada à Cruz Vermelha ucraniana.
Em uma conversa que tive com a 11Bit na gamescom de 2025, Konrad Adamczewski, Senior PR Manager, e Gabriela Siemienkowicz, líder de comunicações do estúdio na ocasião, foram claros ao afirmar algo simples: “este foi o jogo que nos colocou no mapa”. Foi um divisor de águas para o estúdio polonês, ao ponto de recuperarem o investimento feito em apenas dois dias de vendas.
Observado como um sucesso comercial ou como uma “triste ode de guerra para quem tem que conviver com ela”, This War of Mine segue funcionando como pretendia desde aquele artigo levado ao escritório por Grzegorz Miechowski: não como entretenimento no sentido tradicional, mas como um jeito de fazer quem está do lado de cá da tela sentir, ainda que por poucas horas, o peso de decisões que ninguém deveria precisar tomar.
Fontes consultadas:
- ICTY — sentença de Galić: https://www.icty.org/en/sid/8672
- UN News sobre o julgamento de Galić: https://news.un.org/en/story/2003/12/87762
- Relembrando o Cerco de Sarajevo – 10 anos depois: https://www.unhcr.org/news/briefing-notes/looking-back-siege-sarajevo-20-years-after
- N1 — recorde de 3.777 projéteis: https://n1info.ba/english/news/33rd-anniversary-sarajevo-remembers-the-longest-siege-in-modern-warfare/
- N1 — aniversário do massacre de Markale: https://n1info.ba/english/news/commemoration-of-markale-massacres-30th-anniversary-day-when-68-sarajevans-were-killed
- Itália investiga denúncias de que turistas pagaram para atirar em civis na guerra da Bósnia: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cj97g9prdw7o
- Documentário alega que estrangeiros participaram de “caça a civis” na capital da Bósnia: https://newlinesmag.com/spotlight/documentary-film-alleges-that-foreigners-took-part-in-civilian-hunting-in-bosnian-capital/
- Al Jazeera — suspeito de 80 anos investigado: https://www.aljazeera.com/news/2026/2/5/italy-probes-suspect-in-sarajevo-sniper-tourism-during-bosnia-war-report
- Reuters via Genocide Watch — detalhes da investigação: https://www.genocidewatch.com/single-post/sniper-tourism-during-bosnia-war-report
- Balkan Insight (BIRN) — ceticismo sobre as evidências: https://balkaninsight.com/2026/07/09/decades-old-story-of-sarajevo-sniper-safari-still-in-the-realm-of-rumour/btj/
- Balkan Diskurs — “The Killers and the Killed”: https://balkandiskurs.com/en/2026/07/27/the-killers-and-the-killed-the-sarajevo-safari-investigations/
- ARTE/BIRN via UA News: https://ua.news/en/world/arte-ta-birn-rozglianuli-tverdzhennia-pro-snaiperski-safari-v-saraievi
- Game Developer — origem de This War of Mine: https://www.gamedeveloper.com/design/the-inspirational-stories-behind-i-this-war-of-mine-i-
- Kotaku — “The Making Of a Very Different Kind of War Video Game”: https://kotaku.com/the-making-of-a-very-different-kind-of-war-video-game-1560735762
- Edge Magazine (via PressReader) — referências visuais (Banksy etc.): https://www.pressreader.com/australia/edge/20160526/282531542646677
- 11 bit studios — MoMA e Imperial War Museum: https://11bitstudios.com/this-war-of-mine-in-the-museum-of-modern-art/
- 11 bit studios — DLC de aniversário (prêmios, doações): https://11bitstudios.com/forget-celebrations-this-war-of-mine-10th-anniversary-charity-dlc/
- TechRaptor — arrecadação para a War Child: https://techraptor.net/content/this-war-of-mine-developer-raises-500000-for-war-child
- MCV — recuperação do investimento do game em dois dias: https://mcvuk.com/this-war-of-mine-recoups-dev-costs-in-two-days/
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- Plataformas
- PlayStation, PC, Mobile
- Lançamento
- 14 de novembro de 2014
- Desenvolvedora
- 11 Bit Studios
- Publicadora
- 11 Bit Studios
- Gênero
- Ação-aventura e sobrevivência




