Rumor: Ubisoft teria cancelado um Assassin’s Creed ambientado na guerra civil americana por conta da má recepção de Yasuke e do cenário político atual dos EUA

9 de outubro de 2025

Assassin’s Creed sempre foi uma série política. Não adianta negar. Trata-se de uma série que conta uma história sobre a infindável guerra entre Assassinos e Templários ao longo das eras, colocando figuras histórias reais como aliados e principalmente como vilões.

Começando com os próprios Templários durante a Idade Média, passando para o Papa Alexandre VI (Rodrigo Borgia) na Renascença, levando aos britânicos na guerra da independência Americana, e inclusive condenando George Washington pelo massacre de povos indígenas. Passando então pela era dos piratas, Revolução Francesa, Revolução Industrial, China, Revolução Russa, Egito Antigo, Grécia Antiga, era Viking, Bagdá e mais recentemente no Japão Feudal. Todas as eras exploradas pela série tem uma coisa em comum: Conflitos Políticos.

Tendo isso em mente, surgiu um rumor que diz que a Ubisoft cancelou um novo Assassin’s Creed que já estava em produção, que aparentemente seria ambientado após a guerra civil americana. E o motivo do cancelamento, estranhamente é: O game seria “controverso demais” para o cenário político mundial. E não apenas isso, outro forte motivo teria sido a recepção não muito positiva da inclusão de Yasuke em Assassin’s Creed Shadows.

O novo Assassin’s Creed seria ambientado após a Guerra Civil Americana, durante o período conhecido como Reconstrução, e seria protagonizada por um homem negro que libertou-se da escravidão, sendo então contatado pelos Assassinos e integrando a Ordem para lutar contra diferentes grupos em busca de poder, entre eles a Ku Kux Klan, um grupo de supremacistas brancos racistas e que infelizmente existem até hoje, tendo cometido inúmeros crimes contra pessoas afrodescendentes.

O game ainda demoraria para ser lançado, mas já estava em pré-produção, com todo o seu conceito já tendo sido aprovado pelos chefões da Ubisoft. Entretanto, no meio do caminho os mesmos chefões mudaram de ideia, citando como motivos a recepção negativa de Yasuke, envolvendo muitos comentários puramente racistas, e a situação atual dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, com diversas ações governamentais que, principalmente, tem agido para dificultar e muitas vezes negar cidadania a estrangeiros, pra colocar de forma grosseiramente resumida.

As informações desse cancelamento vieram do site Game File, que entrevistou 5 desenvolvedores e ex-desenvolvedores que trabalharam na Ubisoft e aceitaram conceder entrevistas desde que suas identidades permanecessem anônimas. Um desses desenvolvedores chegou a comentar que o game cancelado seria “político demais em um país tão instável, para resumir”. Outros ainda citam que a Ubisoft, devido a suas péssimas performances financeiras dos últimos anos, entrou em 2024 em uma situação crítica, com a empresa adotando a política de “evitar conflitos”.

O próprio Yves Guillemot, que nunca deixa de surpreender negativamente com seus comentários, como dizer para o público se acostumar a não ser dono dos games que compra, e dizer aos próprios funcionários da Ubisoft que é obrigação deles tirarem a empresa de sua difícil situação financeira (causada pelas decisões que ele próprio e a alta cúpula da empresa tomaram) – chegou a declarar há alguns meses que a Ubisoft não quer impor nenhum tipo de “agenda política” e apenas criar games para todos aproveitarem.

Não é difícil entender, pois genuinamente não é algo nada implícito, que Assassin’s Creed sempre foi uma série que usou problemas políticos históricos como palco de suas narrativas. Assassin’s Creed II e Brotherhood contam a história de uma revolta contra o Papado da época. Assassin’s Creed III aborda massacres indígenas em meio a independência dos Estados Unidos. Unity e Syndicate sequer precisam de explicação para quem frequentou o ensino médio. Black Flag, além da pirataria, expõe a colonização da América Central, e por aí vai. Com todo esse histórico, chega a ser muito estranho que agora um game da série seja “controverso demais”.

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(Via: PC Gamer)

Renan do Prado

Amante de Metal Gear, platinador de Soulsborne e exímio jogador online (quando o lag não atrapalha).

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