Simple Minds retorna ao Brasil e celebra a sua história com fãs felizes, “vivos e chutando”

Sim, Alive and Kicking é um termo que, no nosso português, significa algo como “são e salvo” ou “vivo e bem”. Mas “vivos e chutando”, a tradução literal, é mais apropriado para descrever a reação de hipnose que os sete mil presentes no Espaço Unimed viveram na apresentação do Simple Minds neste domingo (4).
A banda escocesa, que nos visitou pela quinta vez e acabou com um hiato de 12 anos de espera, fez um show coeso, direto e reto, e por causa disso, hipnótico. Pois o som do Simple Minds, bem característico, era o suficiente para garantir uma grande noite.
A banda tocaria no Rio de Janeiro, mas como a Lady Gaga fez o seu show gratuito em Copacabana no mesmo fim de semana, a banda acabou cancelando sua apresentação por lá. Em São Paulo, a situação foi apenas um pouco menos caótica, pois literalmente do outro lado da mesma rua, a cerca de 500 metros de distância, estava rolando o Bangers Open Air, com o Avantasia tocando ao mesmo tempo.
Felizmente, a sonoridade do Bangers e a estrutura do Espaço Unimed garantiram que ambos os eventos acontecessem naturalmente, com um não atrapalhando o outro. E quem estava esperando o Simple Minds, ainda podia ouvir “de graça” enquanto esperavam a abertura dos portões um pouquinho do que rolava no festival de metal, como Kerry King, Blind Guardian ou o W.A.S.P.

O som dançante da banda garantiu exatamente isso: muita gente dançando as baladas do grupo. Até quem não conhecia profundamente a história e músicas do grupo dançava feliz da vida o som único do grupo, que explodiu nas rádios dos anos 80 com uma competência musical apurada, elementos de pós-punk e uma pitada de música negra, algo que não é esperado de se ver em uma banda vinda da Escócia, mas que funcionou muito bem.
O show, dançante até demais (e isso não é algo ruim), foi bem diferente do que eu esperava. Pois, ao invés de ser um daqueles shows que bandas de sua época fazem apenas evocando o passado, o Simple Minds trouxe uma setlist mais vibrante, com uma pegada de “mini-discoteca”, feito propositalmente para ser curtido, mesmo os fãs menos fervorosos, que só conheciam os clássicos.
Assim, ficaram de fora Oh Jungleland, uma música deles mais voltada pro rock que gosto bastante, Glittering Prize e Mandela Day, um clássico mais introspectivo e um dos maiores hits da banda. Mas, no lugar, tivemos Hypnotised, This Fear of Gods ou Once Upon a Time, do álbum de mesmo nome que, embora não tenha tido a já mencionada música de abertura do álbum, foi bem representada aqui, com seis canções.

A banda também é carismática e ajudava nesta “hipnose”, que garantiu a atenção do público. Jim Kerr é um cara de presença de palco e que mostrou, com seus 65 anos, boa capacidade de cantar todas as músicas com qualidade. Inquieto, ele se sentou em poucos momentos, como em um momento em que outro destaque do atual Simple Minds brilhou.
Estou falando de Cherisse Osei, que está com a banda desde 2017 e tem demonstrado um talento incrível na bateria. Ela ajudou, e muito, a manter o ritmo dançante do show e ainda deu de presente um solo em seu instrumento:
Sarah Brown, a backing vocal, é outra que eleva muito a qualidade do espetáculo. Hora atrás, hora na frente do palco, sua presença, especialmente com um colar a la Cleópatra, além de sua voz forte, cumpriu perfeitamente o dever de entregar aquele vozeirão necessário em várias músicas.
Terminando a banda, todos mais discretos mas nem por isso menos competentes, temos o cofundador do Simple Minds, o Charlie Burchill na guitarra, além de Ged Grimes (baixo), Gordy Goudie (violão e guitarra) e Erik Ljunggren (teclados). É aquela banda que faz um arroz com feijão, mas completamente saboroso, e que nos faz querer continuar aproveitando o sabor musical.
O Simple Minds foi ousado em seu reencontro, ao simplesmente ignorar músicas de sucesso e apostar em uma noite mais dançante, mesmo que isso significasse trazer músicas não tão conhecidas por quem conhece, e gosta, da banda apenas pelo o que tocava no rádio. Deu certo. Pois como a intenção era mesmo a de fazer o público chacoalhar o esqueleto, escolhas como Don’t You e Sanctify Yourself foram mais apropriadas.
E, obviamente, Alive and Kicking, o maior sucesso da banda, não poderia ficar de fora. E ela, veio, como a última música da noite, com um púbico já satisfeito, mas que esperava por este gran finale. Obviamente, a música toda, incluindo um longo coro geral de “la la la” no final da música garantiram, para os fãs da banda, mais uma grande noite, que fez valer a pena o reencontro, mesmo sem alguns hits, que foram compensados por músicas menos conhecidas da banda, mas com a mesma qualidade.
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