Análise Arkade: The Elder Scrolls IV – Oblivion Remastered é uma aula de como se faz um remaster

Completamente de surpresa, a Bethesda deixou a internet de cabeça pra baixo na última semana ao oficializar (e lançar) The Elder Scrolls IV – Oblivion Remastered. Uma remasterização belíssima do antecessor de Skyrim, lançado originalmente em 2006 para diversos consoles e que, ao contrário de seu irmão mais novo, nunca tinha recebido uma versão melhorada além da Game of the Year de 2009.
Desenvolvido na Unreal Engine 5 e encabeçado pela Virtuos além da própria Bethesda Game Studios, o jogo traz uma excelência ímpar no que tange a atualização do game de 2006. Tanto é que muitos se confundem nesse lançamento, pensando que se trata de um remake, mesmo que a própria empresa o chame de remasterização. E bom, vamos explicar nessa review completa os motivos pelos quais Oblivion não é um remake, mas é excelente mesmo assim.

Uma Tamriel diferente
É bem racional imaginar que atualmente a maior parte da base de fãs que vão jogar Oblivion Remastered hoje começaram no mundo de The Elder Scrolls através de Skyrim, o título mais popular (e longevo) da franquia. Por isso, é importante ressaltar algumas diferenças bem significativas de The Elder Scrolls IV – Oblivion Remastered pro seu irmão mais (nem tão) novo em termos de história. Isso porque a saga TES normalmente tem cada jogo ambientado em um próprio reino do mundo de Tamriel.
Ao contrário de Skyrim que se passa no reino que dá nome ao jogo, Oblivion se passa no reino mais central do continente, chamado Cyrondiil. Nele temos personagens, tramas e desafios quase que completamente desconectados com os personagens, facções e mitologias que envolvem Skyrim. Por exemplo, não espere ver dragões por aqui, já que a trama não envolve nem os Dragonborns nem o ressurgimento desses seres no mundo. Ao mesmo tempo, outros elementos como a famosa Dark Brotherhood dão as caras por aqui.

Na verdade, a trama coloca nosso personagem no papel de um ‘ninguém’ que acaba se vendo envolvido numa trama política complexa a partir do momento que presenciamos o assassinato do imperador de Cyrondiil. A partir daí, precisamos encontrar e proteger seu único herdeiro, um filho bastardo que precisa aos poucos se organizar para assumir o lugar do pai como imperador por direito. Mas claro que existe uma facção demoníaca que tem interesses sombrios e vai lutar para impedir que isso aconteça.
Através dessa facção, surgem os chamados Portões de Oblivion (que justificam o subtítulo do game), portais que conectam o mundo de Tamriel com outro plano, trazendo demônios e uma horda de seres conhecidos como Daedras para o nosso mundo. Cabe a nós, juntamente com nossos aliados, tentar resolver toda essa complexa trama de poder e traição para impedir que o mundo acabe. Cabe dizer que aqui temos uma trama bem mais complexa e rica em detalhes do que a de Skyrim, arrisco dizer, o que pode agradar quem não conhece o game.

Mais que uma repaginada na resolução
Atualmente temos estado tão pessimamente acostumados com trabalhos de remasterização preguiçosos ou simples ports que são chamados de remasterizações que acabamos nos afastando do conceito original do termo nos nossos queridos vídeojogos. Afinal, um trabalho de remasterização normalmente envolve uma atualização puramente visual e/ou de qualidade de vida de um título, visando que ele se torne mais acessível para sistemas e públicos mais novos.
A diferença de uma remasterização para um remake é justamente essa: não mexer em mecânicas de jogo e nem na programação “bruta” de uma obra, mas sim prover atualizações visuais como texturas melhoradas, maiores resoluções e melhor desempenho. Além também de modificações pontuais, por exemplo, em menus, controles e câmeras, visando a melhoria da qualidade de vida do jogador, sempre pensando em linguagens mais atuais de sistema.

Tudo isso, fico muito feliz em dizer, está muito presente em The Elder Scrolls IV – Oblivion Remastered. A diferença visual dessa remasterização — se comparada à do Oblivion original — é de cair o queixo (e torna compreensível a ideia de que parece um remake). Nem precisamos ir tão longe: comparar essa remasterização com a versão mais recente de Skyrim já causa esse choque.
Isso se dá principalmente pela escolha do motor gráfico utilizado nesta remasterização. Foi utilizada nada menos que a Unreal Engine 5 para esse trabalho, o que agrega texturas ultrarrealistas, efeitos de iluminação, sombras e volumes incríveis — além do famigerado ray-tracing — e vasta utilização de tecnologias de IA para melhorar o desempenho do game ao máximo. E o resultado é simplesmente estupendo, e tem tudo para agradar tanto quem jogou o Oblivion original quanto quem só experimentou Skyrim.

Oblivion não é um remake (e tá tudo bem)
Com todas essas melhorias é importante deixar (mais uma vez) muito bem claro: The Elder Scrolls IV – Oblivion Remastered não é um remake. Por isso, não espere uma jogabilidade digna de games novinhos de 2025. Aqui temos muitas telas de loading, combates mais “travadões” e limitações de comportamento de NPCs e inimigos dignos de um jogo de 2006.
Algumas coisas foram ajustadas, como eu comentei antes. Aspectos principalmente relacionados à qualidade de vida do game: menus muito mais instintivos e otimizados, hud mais moderna que dialoga mais com o layout atual que vemos em games, além de comandos personalizáveis. Mas as melhorias param por aí, então não espere NPCs com comportamentos ou inteligências comparáveis a de games atuais por exemplo.

Entretanto, é importante ressaltar também que Oblivion foi um jogo a frente do seu tempo lá em 2006, com um mundo riquíssimo em detalhes para a época — e que hoje em dia ainda agrada bastante. A maior prova dessa qualidade atemporal de Oblivion é justamente o fato dele funcionar tão bem quase 20 anos após seu lançamento original.
Por tudo isso é importante entender a expectava do jogador aqui, pois ela pode influenciar sua experiência com The Elder Scrolls IV – Oblivion Remastered. O game não é um lançamento comparável a jogos modernos, visto que se trata de um jogo de 19 anos. Ao mesmo tempo, ele foi bom o suficiente em sua época para ter envelhecido tão bem quanto Skyrim, podendo agradar bastante com as atualizações visuais e de qualidade de vida que foram feitas.

O bom e velho problema de otimização
The Elder Scrolls IV – Oblivion Remastered não evita o maior problema que games feitos com a Unreal Engine 5 vem enfrentando nos últimos tempos: pouca otimização. Sinceramente, não possuo conhecimento técnico o suficiente para apontar dedos aqui: seria um problema da engine? Do desenvolvimento? Ou simplesmente os hardwares que ainda não acompanharam o suficiente o desenvolvimento de um motor gráfico mais avançado? Independente do que seja, Oblivion tem sim probleminhas aqui e ali de otimização.
Esses problemas, diga-se de passagem, não são generalizados. Por isso não vou entendê-los aqui como algo que impeça o jogo de ser jogável ou de ser bom. Caso esse de outros games que lançam completamente quebrados no quesito otimização. A título de comparação, este Oblivion remasterizado possui um desempenho muito melhor em seu lançamento do que fora o de Monster Hunter Wilds no início do ano. Aqui os maiores problemas são no carregamento de shaders e no mapa em mundo aberto principal, que resulta em quedas bruscas de frames e travamentos ocasionais.

Mas como eu comentei há pouco, esses problemas não são generalizados e nem propriamente de máquinas menos robustas. É quase uma loteria pra saber se você terá esses problemas ou não nas configurações do seu PC. Já em consoles como Xbox Series e PlayStation 5, parece que o game não enfrenta quase nenhum problema nesse sentido. Ao mesmo tempo, ele também lançou com o selo de compatibilidade com o Steam Deck, no qual ele roda — em configurações mínimas –e se sai bem.
O mesmo jogo, quase vinte anos depois
The Elder Scrolls IV – Oblivion Remastered é um título que se justifica muito mais em uma remasterização do que a tonelada de versões que tivemos de Skyrim na última década. Mesmo que a popularidade de Skyrim seja maior, muito do que vimos de acertos em Skyrim ou foi uma melhoria ou veio diretamente de Oblivion. Agora, é interessante ver como algumas dessas melhorias foram realocadas para o antecessor nessa remasterização.

Revisitar Oblivion vinte anos depois do seu lançamento original é interessante não só pelo saudosismo presente nos jogadores mais veteranos, mas também traz uma nova perspectiva sobre um mundo que já conhecemos. Afinal, os jogadores que cresceram jogando Skyrim ou que se aventuraram pelas terras de Tamriel de milênios atrás em The Elder Scrolls Online não possuem tantas referências de como anda o resto do mundo na lore mais “atual” da franquia.
Ter a experiência de jogar Oblivion nos dias atuais (ou mesmo revisitá-lo como eu fiz) nos lembra que Tamriel é de fato muito maior do que Dragonborns e dragões. A sensação de grandeza que conseguiram colocar em um jogo de 2006 é louvável — e só aumenta as expectativas em relação ao que podemos esperar de um sexto capítulo da saga. E não sejamos inocentes, esse relançamento pode ser sim uma preparação de terreno para as pessoas lembrarem que The Elder Scrolls é mais do que aquilo que foi visto em Skyrim.

Com todo um contexto cultural próprio que se diferencia bastante de Skyrim (aqui muito mais médio europeu do que nórdico), o remaster de Oblivion nos dá uma visão excelente de como The Elder Scrolls é um mundo aberto quase sandbox muito antes desse termo ficar popular.
Oblivion é sobre você fazer sua própria história em meio a inúmeros enredos possíveis — as famosas narrativas emergentes, lembra? O game traz justamente a oportunidade de novos jogadores entenderem que Skyrim foi “apenas” mais um capítulo deste gigantesco universo. E que o que está por vir pode seguir por um contexto completamente distinto, como a franquia já fez antes.
Um soco na cara da geração dos remasters
Chegando completamente às escuras, lançado literalmente na mesma data do anúncio oficial, The Elder Scrolls IV – Oblivion Remastered não só é um game obrigatório para qualquer fã de Oblivion, Skyrim ou da saga The Elder Scrolls toda, como também é uma baita mensagem para nós consumidores do que precisamos começar a exigir das desenvolvedoras AAA atualmente.
Depois de uma década lançando e relançando versões cada vez mais requentadas de Skyrim, a Bethesda parece ter finalmente ouvido sua fanbase, e trouxe de volta um de seus jogos mais aclamados, com um trabalho de remasterização que realmente se justifica. É uma forma muito mais inteligente e honesta de lidar com o público que já anseia por The Elder Scrolls VI há muitos anos. Pelo menos agora, com Oblivion, temos um frescor enquanto o próximo capítulo da saga não chega.
The Elder Scrolls IV – Oblivion Remastered foi lançado no dia 22 de abril de 2025 e está disponível para Xbox Series, PlayStation 5, PC (via Steam) e também via no GamePass. O game encontra-se em inglês com todos os textos traduzidos para português brasileiro, além de contar com todo o conteúdo de DLCs e Expansões já lançados para o game original.
Agradecimentos especiais ao pessoal da Bethesda do Brasil, que nos enviou um código do game para PC.