gamescom latam 2025 – A 11 bit studios conversou conosco sobre a história e cultura de games da Polônia, e as novidades do estúdio

8 de maio de 2025

A Polônia conta com uma indústria de games criativa e poderosa. Dados do já distante ano de 2019 apontavam que o mercado de games e eSports polonês valia cerca de US$ 664 milhões. E, dentro deste mercado criativo e impactante, temos a 11 bit studios, desenvolvedora e publicadora de jogos fundada em 2010, conhecida por criar títulos narrativos e emocionalmente impactantes que combinam jogabilidade inovadora com temas profundos.

Com sede em Varsóvia, a empresa ganhou destaque com jogos como This War of Mine, que retrata a sobrevivência em meio à guerra, e Frostpunk, uma simulação de construção de cidades em um mundo congelado.

Além de desenvolver seus próprios projetos, a 11 bit studios também publica jogos de outros estúdios independentes, mantendo um foco em experiências que desafiam os jogadores a refletirem sobre dilemas morais e sociais. Sua abordagem única e compromisso com qualidade a tornaram uma referência no cenário indie global.

Na gamescom latam 2025, o Arkade conversou com Konrad Adamczewski, Senior PR Manager, e Gabriela Siemienkowicz, líder de comunicações da 11 bit studios. Conversamos com eles sobre como eram os games na Polônia no passado, a influência da cultura polonesa em seus jogos e detalhes sobre os próximos lançamentos, além de destacar a conexão com o público brasileiro.

Raízes dos games na Polônia

Heroes of Might and Magic 3 foi um dos primeiros sucessos dos games na Polônia. Foto: Reddit

Sempre tive a curiosidade de saber como a paixão pelos games nasceram nos mais variados países. Pois, se nós brasileiros fomos introduzidos ao Atari, aos clones de NES e aos consoles SEGA, na Europa a coisa foi um pouco diferente. Após o fim da União Soviética e a abertura dos países que até então faziam parte do “cinturão de ferro”, a Polônia teve, enfim, acesso aos games de forma mais completa.

Assim, Gabriela destacou a popularidade de títulos como Heroes of Might and Magic 3, Age of Empires 2 e Gothic na Polônia dos anos 90, uma era pós-comunista com acesso limitado a jogos. “Esses eram os jogos disponíveis, e eu os amo até hoje. Compro um PC novo e a primeira coisa que faço é instalar Heroes 3”, brincou. Ele também citou Fable, que o marcou pela importância das escolhas no RPG.

Konrad, por sua vez, lembrou de seu primeiro contato com um computador Atari de 8-bits, jogando Henry’s House, um jogo de plataforma. “Eu assistia meu pai jogar e, aos seis anos, já conseguia zerar o jogo”, contou. Jogos de Nintendo, como Super Mario, e da SEGA, como Sonic Adventure, também moldaram sua paixão, junto com Mortal Kombat e, mais tarde, Metal Gear Solid, que segundo ela, trouxe narrativas mais maduras.

A Polônia também teve o seu clone de NES: o Pegasus. Foto: Reddit

Na Polônia, os anos 80 foram dominados por microcomputadores como ZX Spectrum e Atari com fitas cassete, já que importar tecnologia, como um Atari de disquete, exigia alguns esforços extra, como contrabando da Alemanha Ocidental. Consoles, como clones do NES (chamados Pegasus), ganharam força mais tarde, abrindo espaço para que companhias se estabelecessem, e os próprios poloneses começassem a desenvolver seus games.

Cultura Polonesa nos Jogos

Os jogos poloneses frequentemente refletem a história e a cultura do país. Gabriela mencionou The Thaumaturge, ambientado na Varsóvia do início do século XX, e The Alters, cujo protagonista, Jan Dolski, tem um nome tipicamente polonês e aprecia pierogi, prato tradicional. “Incorporar esses elementos vem de um orgulho cultural e ajuda a destacar nossas raízes”, explicou. Konrad complementou, citando The Invincible, baseado no livro do escritor polonês Stanisław Lem, como exemplo de conexão com a literatura local.

The Thaumaturge é um dos vários games que abordam momentos históricos da Polônia

Para a dupla, incluir traços culturais diferencia os jogos poloneses em um mercado global saturado por tendências americanas. “É uma forma de compartilhar nossa história com o mundo e aprender sobre outras culturas através dos jogos”, disse Gabriela.

O Legado de This War of Mine

This War of Mine foi o ponto de virada da 11 bit

O sucesso de This War of Mine foi um divisor de águas para a 11 bit studios. Lançado em 2014, o jogo, que aborda os horrores da guerra sob a perspectiva de civis, recuperou os custos de produção em dois dias e alcançou impacto além do entretenimento.

Incluído no currículo escolar polonês e exposto no Museu de Arte Moderna de Nova York, o título também arrecadou mais de um milhão de dólares para ONGs como Anistia Internacional e Cruz Vermelha. “Ele colocou a 11 bit no mapa e mostrou que é possível combinar visão artística com sucesso comercial”, afirmou Gabriela. Konrad reforçou: “Sem This War of Mine, a 11 bit não seria o que é hoje.”

Novos Projetos: The Alters e Frostpunk

A dupla detalhou The Alters, com lançamento previsto para 13 de junho de 2025. O jogo mistura ação, sobrevivência, gerenciamento de base e o que chamam de “gerenciamento emocional”. Nele, o protagonista, Jan Dolski, está preso em um planeta hostil e usa um elemento chamado Rapidium para criar versões alternativas de si mesmo, baseadas em escolhas passadas.

“Esses ‘alters’ têm memórias e personalidades próprias, o que gera conflitos. Você precisa liderá-los, sobreviver ao sol mortal e gerenciar a base, tudo ao mesmo tempo”, explicou Gabriela. As escolhas do jogador afetam o desfecho, tornando a experiência profundamente pessoal.

Sobre Frostpunk, a 11 bit trabalha em uma “reimaginação” do primeiro jogo, agora em Unreal Engine 5, com 70% do conteúdo original e 30% de novidades, incluindo uma nova rota narrativa, a “Caminho do Propósito”.

O jogo terá suporte a mods desde o lançamento, atendendo a um pedido antigo da comunidade. Paralelamente, Frostpunk 2 segue em desenvolvimento, com atualizações, lançamento para consoles no verão e três DLCs planejados. “Os fãs terão muito conteúdo nos próximos anos, com ambos os jogos crescendo lado a lado”, disse Konrad.

Conexão com o Brasil

Konrad e Gabriela em painel na gamescom latam 2025. Foto: 11 bit

Na gamescom latam, a 11 bit apresentou The Alters e DefHow, além de um painel sobre Moonlighter 2: The Endless Vault. Konrad destacou a popularidade de Moonlighter no Brasil, especialmente a mecânica de gerenciamento de loja, que será ampliada na sequência. “Sabemos que a comunidade brasileira gosta desse aspecto, e estamos reforçando isso”, afirmou.

A dupla expressou entusiasmo com a recepção dos fãs brasileiros. “É incrível ver que reconhecem nossos jogos tão longe de casa. Isso mostra que nossas mensagens universais ressoam em diferentes culturas”, disse Gabriela. Eles reforçaram a importância da localização em português e do diálogo com a comunidade. “Queremos que os brasileiros continuem enviando feedback. Vocês fazem parte da nossa jornada”, completou Konrad.

O bate-papo com Konrad e Gabriela serviu para observarmos, juntos, a paixão da 11 bit studios por criar jogos que vão além do entretenimento, conectando culturas e histórias. Para os fãs brasileiros, a mensagem é clara: “Acompanhem nossos próximos passos, joguem The Alters e Frostpunk, e continuem nos dizendo o que acham. Estamos aqui para criar juntos.

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Junior Candido

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