Análise Arkade – The Alters é mais uma ótima surpresa em um 2025 que fugiu da mesmice

3 de julho de 2025

The Alters, desenvolvido pela 11 bit studios, é um jogo de sobrevivência com elementos de gerenciamento de base que apresenta uma proposta única: criar clones de si mesmo para sobreviver em um planeta hostil.

Lançado em 13 de junho de 2025 para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X/S, o título combina narrativa sci-fi, escolhas morais e mecânicas de estratégia, destacando-se em um ano de jogos que buscam inovação.

Nesta análise, vamos juntos conhecer a proposta diferente do game, que propõe unir o melhor dos jogos de gerenciamento de base, com uma premissa diferente: lidar com um grupo composto por “vários eus”, cada um com uma história de vida diferente, baseados em decisões ramificadas em momentos chave de cada um.

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Uma premissa diferente de sobrevivência por clonagem

Em The Alters, você controla Jan Dolski, único sobrevivente de uma missão de mineração que deu errado em um planeta onde a luz solar é letal.

Para escapar, ele utiliza uma substância chamada Rapidium e um computador quântico para criar versões alternativas de si mesmo, os chamados Alters.

Cada clone representa um caminho diferente que Jan poderia ter seguido na vida, com habilidades e personalidades únicas, como Jan Técnico, Jan Cientista ou Jan Mineiro.

A ideia aqui é simples, mas muito interessante: pensando em um “multiverso de si mesmo”, como você seria se tivesse escolhido outra faculdade, tivesse recusado uma viagem de intercâmbio ou não tivesse ido ao evento o qual conheceu o amor da sua vida?

A ideia de jogar com diferentes versões de um mesmo personagem é fascinante, criando uma dinâmica envolvente de gerenciamento tanto da base quanto das relações interpessoais entre os clones.

A narrativa explora temas como identidade, arrependimento e ética, com escolhas que impactam o comportamento dos Alters e o progresso da história, já que uns lidam bem com as decisões tomadas, enquanto outros são marcados pela amargura ou sentimentos depressivos.

As interações entre os clones, todos dublados por Alex Jordan, são bem construídas, trazendo profundidade emocional e momentos de tensão, embora algumas conversas possam parecer repetitivas. A história, que pode ser considerada um interessante romance de ficção científica, mantém o jogador intrigado, mesmo que o ritmo seja prejudicado por objetivos que exigem atenção rápida e acabam pressionando o jogador a cumpri-los.

Exploracao de recursos e Gerenciamento sob pressão

A jogabilidade de The Alters combina gerenciamento de recursos, construção de base e exploração em terceira pessoa. A base, um gigantesco roda móvel, precisa ser mantida em movimento para escapar do sol mortal, o que exige planejamento constante, além de recursos para manter a base sempre ativa.

O jogador deve coletar recursos como metais, recursos orgânicos e a tão procurada Rapidium, construir novas instalações e gerenciar as tarefas dos clones. A mecânica de atribuição de funções é intuitiva, com cada Alter trazendo habilidades específicas que otimizam o trabalho, como pesquisa científica ou reparos mais rápidos.

Os alters tem funções especificas, que os fazem render melhor em seus locais de formação. Por exemplo: o cientista vai pesquisar melhor o que for necessário na base, enquanto o minerador é o melhor para estar lá fora buscando recursos. Entretanto, você pode gerenciá-los para questões específicas.

Há momentos que a busca por recursos é a prioridade, então todos podem ser colocados na exploração. Mas em outros, como nas tempestades magnéticas que ocorrem, todos precisam estar na base, para garantir a manutenção, a comida e os itens de necessidade.

Isso sem falar que seus alters precisam estar bem. Eles podem se assustar, ficar com raiva e até se rebelar com você. Então é preciso manter conversa com eles, construir locais de distração e até cuidar da saúde mental deles, se necessário.

A exploração do planeta, embora limitada em variedade, oferece paisagens visualmente marcantes, com rios de lava e anomalias alienígenas que criam um senso de imersão. No entanto, a pressão constante para cumprir objetivos em um curto espaço de tempo pode ser desgastante.

Um dia no game passa muito rápido e seu personagem precisa dormir, e de preferência na hora certa, senão acordará atrasado. E ter que lidar com o tempo ao mesmo tempo que tem que explorar, manter seus alters satisfeitos, gerenciar a base e até curtir um cineminha com seus “eus” pode tornar o gameplay exageradamente desgastante, mesmo ele sendo generoso com prazos finais.

O jogo exige eficiência quase implacável, o que pode frustrar jogadores que preferem um ritmo mais tranquilo. Ainda assim, a combinação de gerenciamento de base e cuidados com os Alters – que possuem necessidades emocionais e físicas – cria uma experiência única, onde decisões estratégicas e humanas se entrelaçam.

Simplicidade com Charme

Os gráficos de The Alters são funcionais, mas não impressionam quando comparados a jogos de alto orçamento. A direção de arte, com cenários alienígenas e a base em forma de roda, compensa a simplicidade técnica, criando uma atmosfera envolvente.

A trilha sonora, composta por Piotr Musiał, reforça o tom sci-fi e emocional, enquanto a dublagem de Alex Jordan dá vida às diferentes personalidades dos clones. Apesar de alguns bugs relatados, como problemas em rebeliões dos Alters ou falhas no carregamento de saves, ou ainda o travamento do jogo, com botões não funcionando em alguns momentos a experiência técnica é estável na maioria dos casos.

Mais um AA que brilha em 2025

The Alters é um exemplo sólido de um jogo AA que entrega qualidade sem tentar competir com produções AAA. Sua abordagem inovadora, centrada na clonagem e na gestão de relações, diferencia o título em um mercado saturado por fórmulas repetitivas.

A experiência é particularmente atraente para fãs de jogos como This War of Mine e Frostpunk, também da 11 bit studios, que apreciam narrativas profundas e mecânicas de sobrevivência.

É mais uma interessante novidade que chega em um 2025 que também nos trouxe Kingdom Come Deliverance II, Dune: Awakening e Clair Obscur: Expedition 33, jogos que não tem o mesmo “hype” e investimentos de outras produções, mas reforçam o que muito executivo de empresa gigante não quer entender: a diversão em um game sempre vem em primeiro lugar.

E, após um tempo com muita mesmice nos games, com jogos e mais jogos entregando as mesmas coisas com temáticas diferentes, é bom saber que neste ano, enfim temos opções diferentes de bons jogos, que estejam na Idade Média ou num futuro distante, nos trazem, antes de “gráficos”, boa diversão.

Assim, embora a exploração limitada e a pressão intensa dos objetivos possam ser pontos negativos para alguns, a possibilidade de gerenciar uma equipe de clones com personalidades distintas é um diferencial que torna o jogo memorável.

Com uma campanha que varia entre 12 e 30 horas, dependendo do ritmo do jogador, The Alters oferece boa rejogabilidade, já que escolhas diferentes levam a desfechos variados, incluindo os finais.

Vale muito a pena cuidar de “si” mesmo em The Alters

The Alters é uma adição muito válida ao gênero de sobrevivência, misturando narrativa sci-fi, gerenciamento de base e exploração em um game bem interessante.

A ideia de trabalhar com clones de si mesmo é executada com criatividade, apesar de alguns desafios, como a alta pressão nos objetivos e visuais simples.

Para jogadores que buscam um jogo com profundidade emocional e inovação, The Alters é uma escolha altamente recomendada, especialmente para quem joga via Xbox Game Pass, quem gostou de outros jogos da 11 bit studios ou busca algo novo em 2025.

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Junior Candido

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