Chegou a hora de Final Fight ganhar uma demo no Nintendo 64, com um novo port homebrew

Um projeto independente está dando os primeiros passos para rodar Final Fight no Nintendo 64. O clássico beat ’em up da Capcom, lançado originalmente em arcade em 1989, ganhou uma demonstração inicial feita por fãs usando ferramentas atuais de desenvolvimento para o console.
Ainda não se trata de um port completo e jogável do começo ao fim, sendo neste momento uma demo que mostra como o jogo pode funcionar no hardware do N64, criada para testar e apresentar uma ferramenta chamada Felipe 64. O vídeo que circula desde o início de junho já chamou atenção de quem acompanha a cena de homebrew.
O Nintendo 64 ainda tem uma comunidade de entusiastas menor do que a de consoles com o Super Nintendo, Mega Drive ou Dreamcast, com mais experimentos do que projetos envolvendo algum jogo. Este projeto envolvendo Final Fight, que já tem um port em andamento para o Mega Drive, pode ser o pontapé que fará a comunidade se interessar mais pelos 64 bits da Nintendo.
O desenvolvedor N64GameBuilder soltou um vídeo no YouTube mostrando o andamento. Nele aparece tanto a ferramenta Felipe 64 quanto o gameplay inicial, de forma bem básica, de Final Fight 64. A proposta da ferramenta é bem prática: ela permite criar caixas de colisão, configurar máquinas de estado e exportar dados de forma visual, tudo para usar depois em projetos com Libdragon, o SDK aberto mais usado hoje para programar jogos no N64.
O próprio criador explica que Felipe 64 não compila o jogo sozinho. Ele gera os arquivos de dados que depois vão para o projeto em Libdragon. A parte do gameplay que aparece no vídeo ainda conta com edição para mostrar a transição, mas já dá para ter uma ideia clara de como o beat ’em up fica rodando no console.
O interessante é que um jogo como Final Fight jamais chegaria ao Nintendo 64, ao menos por vias oficiais. Além do gênero beat ‘em up estar em baixa na época do console, o 3D era o que imperava, com poucos jogos 2D chegando ao videogame, sendo apenas uns 40 jogos em meio aos 380 lançados oficialmente.
Ferramentas como Felipe 64, no entanto, podem diminuir a barreira para quem quer começar um projeto no N64. Em vez de lidar manualmente com vários aspectos técnicos desde o início, o desenvolvedor consegue montar partes importantes do jogo de maneira mais rápida e visual. Isso não transforma o console em uma máquina de ports 2D da noite para o dia, mas abre espaço para mais experimentos.
Final Fight serve aqui como exemplo. O jogo original tem mecânicas mais simples, três (ou mais se o criador quiser) personagens jogáveis e fases que funcionam bem em 2D. Adaptar isso para o N64 mostra que o hardware reproduz bem o jogo, quando a ferramenta certa ajuda no processo.
A cena de homebrew do N64 vem crescendo devagar, com projetos que vão desde preservação até criações novas. Ver um nome conhecido como Final Fight entrando nessa conversa traz mais visibilidade para o que está sendo feito por aí.
Por enquanto não existe data para uma versão mais completa ou jogável de verdade. O foco atual parece ser justamente mostrar o que Felipe 64 consegue fazer e como ela pode ajudar outros projetos no futuro.
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