Análise Arkade: NBA The Run tenta resgatar a diversão do estilo “Street”, mas fica a desejar

14 de julho de 2026

Basquete não é um esporte que eu tenha lá muita familiaridade, mas quando a ideia são partidas ao estilo “Street”, aí a coisa muda. E NBA: The Run chegou para suprir essa demanda, mas acaba deixando a desejar.

Sem conversa, direto pra quadra

NBA The Run não te enrola em nenhum momento. Você entra no jogo, escolhe o seu jogador e entra numa partida. Simples assim. O game funciona em partidas de 3v3, sem faltas, sem tempo, sem burocracia. Não há um “modo história” aqui, algo que definitivamente é desnecessário. Muito menos um modo de progressão ao estilo campeonato.

O game possui apenas três modos de jogo: Torneio estilo Knockout com times de 3 jogadores online. Um torneio Knockout em 1v1 em que cada jogador controla um time de 3 personagens. E um torneio Knockout fechado para jogar com seus amigos. E é isso. O game só possui esses três modos de jogo que funcionam exatamente iguais, com a única diferença sendo a quantidade de jogadores por time.

Há ainda um modo de treino, em que você pode aprender os controles de NBA The Run. Mas infelizmente esse modo de treinamento é extremamente limitado, focando apenas no controle da bola, não permitindo que o jogador aprenda a se defender, roubar bolas e etc. A única forma de realmente aprender o game é jogando online e melhorando na base da tentativa e erro.

Apenas um modo de jogo, mas com regras aleatórias

Com apenas um modo de jogo, focado em partidas 3v3, as coisas podem acabar ficando repetitivas rapidamente, mas NBA The Run adiciona regras aleatórias em cada partida, mudando os objetivos de cada jogo e adicionando alguns modificadores que deixam as coisas um pouco interessantes.

Alguns conjuntos de regras, por exemplo, definem a quantidade de pontos para a vitória: 11, 21, 30, etc, bem quanto o valor de cada lance, com lances próximos da cesta ou enterradas valendo 1 ou 2 pontos e lances distantes podendo valer 2 ou 3 pontos. Além de adicionar alguns buffs, como por exemplo melhorar dribles ou melhorar o modo “In the Zone”.

O modo “In the Zone” é um poder especial ativado quanto melhor você joga na partida. Quanto mais dribles e cestas fizer, uma barrinha vai se enchendo. Quando ela enche e você ativa o modo In the Zone, seu personagem é coberto por uma chama azul, podendo driblar livremente e fazendo cestas muito mais facilmente.

Entretanto, conforme eu jogava, sempre caía nos mesmos conjuntos de regras, que são escolhidas aleatoriamente antes da bola rolar. Então, tem muitas regras interessantes no game que até agora eu não vi, mesmo tendo jogado uma boa quantidade de partidas. E isso acaba deixando as coisas menos diversificadas conforme eu jogava.

Ainda assim, NBA The Run é um game divertido se você jogá-lo da forma que ele pede: descompromissadamente, sem levar as partidas a sério. Mas por outro lado, exige uma certa habilidade na hora de se defender, que pra mim foi o ponto mais complicado do game, pois isso nunca é ensinado.

Gameplay estilo “aprenda por conta própria”

Como já dito, NBA The Run é um game 3v3, em que cada jogador online contra um membro do time. Os controles são bem básicos: Andar, correr, driblar, passe e jogar a bola/enterrar, este último dependendo da distância que o jogador está da cesta. Esses são os controles básicos quando você está com a bola na mão.

Se você não tem a bola e seu time está no ataque, você pode andar e correr, bem como empurrar oponentes, derrubando-os no chão e os deixando incapacitados por alguns segundos, sem qualquer tipo de falta ou penalidade. E se você está na defesa, pode empurrar, cercar oponentes, tentar roubar a bola e pular para tentar defender a cesta de bolas no ar. Parece bem simples não é? O problema é entender como tudo isso funciona.

Como o modo de treino do game não tem nenhuma opção para praticar defesas, a única forma de conseguir é na prática. Talvez eu seja ruim no game, o que é uma forte possibilidade, mas percebi que defender só realmente funciona ao segurar um botão que trava a mira de seu personagem no jogador com a bola, facilitando roubar a bola de suas mãos. Tentar defender sem isso é bem complicado. E não apenas isso, mas sempre que eu estava na defesa meu personagem ficava empurrado o ar e gastando stamina (Sim, o game possui stamina e todo tipo de ação, exceto jogar a bola, passar ou enterrar, gasta energia). Não sei se isso é um bug no game ou algo relacionado a drift do Dualsense (Possuo 2 Dualsenses e ambos sofrem de drift. infelizmente).

E é aí que a fata de modos de jogo é realmente evidente. NBA The Run é um game 100% online. Não há como jogar contra times controlados por IA, ou mesmo entrar em uma partida rápida. Só é possível jogar o modo de torneio, que contém 4 partidas, incluindo a final. Não há como melhorar antes de partir para partidas reais.

Ou melhor dizendo, há como jogar contra IA, mas apenas através de gambiarra. Ao mudar o modo de jogo para torneio fechado com amigos (que só podem participar online, não havendo opção de multiplayer local), você pode criar uma sala vazia e iniciar uma partida, e todos os outros jogadores serão controlados por bots. Mas ainda assim, é preciso estar online para jogar dessa forma, o que não é nada ideal.

E isso ainda leva em conta que, como cada time é composto por três jogadores, jogando online há partidas em que você pode acabar mal tocando na bola. Pois é fácil encontrar fominhas que não passam a bola e ficam “monopolizando” o jogo. Assim, você muitas vezes acaba mais defendendo do que pontuando. Mas, quando você cai num time legal, aí a coisa é realmente divertida.

O game ainda possui duas características que precisam ser faladas. A primeira é que ele contém 0 microtransações, o que é algo excelente. Enquanto você joga, você ganha experiência, que sobe o seu ranking de jogador, desbloqueando novos itens cosméticos, como avatares e banners de perfil, visuais para os jogadores e até animações de enterradas. E é possível comprar esses itens com as moedas do game, que são conquistadas exclusivamente ao jogar. Não existe nenhuma forma de monetização, bem ao estilo de games de antigamente em que se você quer desbloquear algo, precisa jogar.

E aí vem a segunda característica: O game é 100% online, não oferecendo co-op ou multiplayer local, ou modos de jogo single player. Atualmente, live services são basicamente loteria. Se não faturarem milhões logo de cara, seus servidores são fechados e o game é destruído. Todo live service corre esse risco, e hoje em dia até os maiores games desse estilo, ainda que não corram o risco de sair do ar, parecem não serem mais rentáveis quanto antes (ainda que faturem milhões por ano, pois se ganha milhões, os executivos querem bilhões. E se fatura bilhões, eles querem trilhões). Torço muito para que NBA The Run não sofra esse tipo de fim, mesmo ele não sendo tecnicamente um live service, mas ainda sim um game que requer conexão constante para jogar. Mas não imagino esse game tendo uma vida útil muito longa, motivo pelo qual modos de jogo single player seriam muito bem vindos.

Audiovisual

Sendo um game estilo “street”, era de se esperar uma identidade visual específica. E o game não decepciona nisso. Todas as quadras do game são quadras de bairro. Algumas mais simples, outras mais “modernas”, mas o estilo street está bem presente aqui.

Cada jogador presente foi recriado com bastante cuidado, desde rostos, altura e até mesmo suas tatuagens. E jogadores mais lendários ainda possuem versões alternativas desbloqueáveis, com Lebron James e Stephen Curry contendo modelos atuais e modelos lá nos anos 2000 no início de suas carreiras como jogadores profissionais da NBA.

Toda a identidade visual, com grafitti, roupas, e até as cidades em que as quadras estão localizadas é marcada com um visual “semi-cel shaded” que, pessoalmente, eu gostei muito. Mas no fim, um game ao estilo street não tem segredo, é só fazer a lição de casa que não tem como errar.

Na parte do áudio aí eu tive problemas. As músicas do game, ainda que não sejam lá marcantes, complementam a atmosfera, com muito hip-hop. Seria estranho por exemplo jogar uma partida na quadra de Venice Beach em Los Angeles e a trilha sonora ser de metal. Então, ainda que não se destaque, a trilha sonora é boa.

E aí vem a pior parte, o narrador do game. O narrador não imita profissionais da televisão falando quem está com a bola na mão, pra quem passou e etc. Ele solta alguns comentários durante cestas e enterradas, mas ele fala principalmente antes e após as partidas e no menu principal. E esse narrador é irritante, extremamente irritante.

Talvez seja eu, mas acho que não. Quando você escolhe qual jogador da NBA quer controlar, no menu principal, ele fala o nome do jogador das formas mais estranhas possíveis. Como não sou fã da NBA, resolvi jogar com Lebron James pois é o único jogador que realmente conheço. E ao selecioná-lo, o narrador ficou quase 10 segundos ou mais berrando o nome dele, ao estilo “Lebroooooooon J-J-J-J-James”, quase ao estilo “Leroy Jenkins” de WOW, mas mais longo e irritante.

E antes de cada partida, quando o mapa e as regras são selecionadas, com ambas literalmente girando na tela como um caça-níqueis, o narrador solta alguns comentários do tipo “vamos ver, vamos ver, o que vai ser? O que vai ser?” – E isso não seria problema se, as vezes pelo tempo que ele leva pra falar, a escolha acabasse demorando mais do que o normal. Pois é, quando ele fazia comentários curtos a partida era definida rapidamente, quando ele não calava a boca, o game terminava sua faixa de áudio acabar para definir a arena e regras.

Enfim, se houvesse uma opção de desativar a voz do narrador, eu sem dúvida alguma a usaria.

Conclusão

NBA The Run é um game que apela para quem é realmente fã da NBA. Eu não sou parte desse grupo. Porém, mesmo na adolescência eu não curtia muito futebol, mas amava Fifa Street. Então, mesmo não sendo um apreciador do esporte, esse era um game que eu esperava encontrar uma diversão descompromissada. E realmente o game oferece isso.

Mas é só isso. A falta de outros modos de jogo, nem que fosse um campeonato de melhor enterrada, ou um modo com objetivo de fazer cestas à distância, ou mesmo um modo de treinamento que realmente fosse útil, ajudaria muito o game, pois ele realmente parece bem vazio, o que é uma enorme pena.

Felizmente o game não possui nenhuma forma de monetização, o que é uma enorme vitória em uma era que publishers querem monetizar qualquer coisa, muitas vezes de formas extremamente inúteis e desnecessárias. Porém, o fato do game ser 100% online e não oferecer muito conteúdo me faz questionar se algum jogador realmente se dedicaria a desbloquear tudo o que o game tem. Mas, se você for fã da NBA, certamente o game deve divertir, ainda que um pouco.

NBA The Run foi lançado no dia 9 de junho de 2026 com versões para PC, Playstation 5 e Xbox Series X/S.

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Renan do Prado

Amante de Metal Gear, platinador de Soulsborne e exímio jogador online (quando o lag não atrapalha).

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