Chegou a hora de Super Mario 64 rodar no clássico 3DO, com alguns truques para adaptar o game no console 32-bits

Super Mario 64 já está rodando no 3DO e de forma nativa. Isso é fruto de mais um projeto independente que pegou o código do jogo, adaptou tudo e fez funcionar no console real. A demo técnica já roda no Panasonic FZ-10, um dos modelos do 3DO, e mostra Mario explorando partes do castelo da Peach e o Bob-omb Battlefield.
O vídeo que divulgou o feito veio do canal Eyepatch Entertainment no YouTube e foi compartilhado pelo usuário @yoshinokentarou no X. Nele aparece o Mario andando, pulando e interagindo com o ambiente no hardware original, carregado por um emulador de drive óptico USB. Do lado tem o emulador Opera rodando a mesma coisa pra comparação. Ainda está tudo cru, mas o básico já está lá.
O 3DO, além de ser mais velho do que o Nintendo 64, também não foi feito pra esse tipo de jogo. Lançado em 1993, o console usava um processador ARM de 12,5 MHz e tinha bem pouca memória. O jeito dele reproduzir gráficos também é diferente, pois era baseado em cels, mais voltado pra escalar e girar texturas do que entregar jogos poligonais, como o Nintendo 64 fazia. Por isso muita gente achou que nunca ia rolar algo do nível de Super Mario 64 ali.
Mesmo assim o projeto seguiu em frente usando o projeto de decompilação do Super Mario 64. Em vez de tentar rodar o jogo original por cima, o pessoal reescreveu as partes de renderização, memória, entrada e física pra casar com o que o 3DO consegue entregar. Cada objeto, cada textura e cada cálculo de colisão precisou ser repensado. Isso porque não dá pra simplesmente transferir o código do N64 e esperar que funcione.
Na demo atual dá pra ver o castelo da Peach com exterior, interior e pátio. No Bob-omb Battlefield tem o cenário com os campos verdes, com a companhia dos Goombas, o Chain Chomp, o Big Bob-omb e estrelas pra pegar. A câmera acompanha, o Mario se move e dá pra sentir a estrutura do nível original. A taxa de frames ainda oscila bastante no hardware real, alguns detalhes visuais estão simplificados ou faltando e, no vídeo inicial, não tinha som (atualizações posteriores adicionaram música de um jeito bem peculiar).
O projeto continua em andamento. Tem bastante coisa pra ajustar, incluindo a performance, estabilidade, tempo de carregamento e mais fases completas. Quem acompanha, sabe que esses trabalhos caseiros costumam demorar e passam por várias versões antes de ficarem bem estáveis. Por enquanto é uma demonstração técnica, mas já prova que o hardware aguenta mais do que a galera imaginava.
Ver o Mario no 3DO tem aquele efeito de “como diabos eles conseguiram?”. A cena de homebrew vive disso: gente que pega limitações antigas e vai apertando até o jogo caber. Se você curte acompanhar esse tipo de adaptação, vale dar uma olhada pra ver até onde chegou até agora e ficar de olho no que pode vir pela frente.
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