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Análise Arkade: Bayonetta & Vanquish 10th Anniversary Bundle – diversão e atitude

10 anos depois, Platinum Games e Sega relançam dois clássicos remasterizados: Bayonetta e Vanquish. E os dois jogos ainda são muito bons, confira nossa análise!

Rodrigo Pscheidt

Esta matéria é de 2020 e pode estar desatualizada.

Análise Arkade: Bayonetta & Vanquish 10th Anniversary Bundle - diversão e atitude

Era uma vez uma empresa chamada Platinum Games. Fundado por ex-membros do Clover Studio — incluindo aí figuras famosas como Shinji Mikami e Hideki Kamiya –, o estúdio tornou-se famoso por seus jogos de ação frenética e estilosa.

A empresa começou com o pé direito, lançando alguns jogos que se tornaram referências em termos de ação cinematográfica. Depois ela acabou dando umas bolas foras com jogos licenciados, mas, felizmente, depois do excelente Nier: Automata, parece que se reencontrou, e andou lançando bons jogos novamente.

Para celebrar os 10 anos de dois de seus melhores jogos, a Platinum e a Sega resolveram lançar esta coletânea, que traz dois clássicos da geração passada para os consoles atuais: estamos falando, é claro, da pancadaria sexy e visceral de Bayonetta, e dos tiroteios em altíssima velocidade de Vanquish.

Os jogos envelheceram bem?

Há jogos que envelhecem mal, seja por conta de gráficos que tornam-se ultrapassados, ou por mecânicas de gameplay que saem de moda. Nem todo jogo passa pelo teste do tempo simplesmente porque videogame é uma mídia que está em constante evolução — e se duvida, basta olhar como Dark Souls criou todo um novo gênero que sequer existia há 10 anos.

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Análise Arkade: Bayonetta & Vanquish 10th Anniversary Bundle - diversão e atitude (imagem 2)

Felizmente, não é o que acontece aqui: tanto Bayonetta quanto Vanquish envelheceram muito bem, e continuam dando um show, especialmente no que se refere ao gameplay, que está mais responsivo e fluido do que nunca. Isso é mérito do poder dos consoles atuais, que rodam os games com menos loadings, resolução 4K e framerate de 60fps sem engasgos nos consoles aprimorados (rodei ambos no Xbox One X).

Revisitando Bayonetta

Como fã de Devil May Cry e hack n’ slashes em geral, Bayonetta foi uma grata surpresa para mim quando saiu. Talvez a bruxa “boazuda” soe ofensiva para os tempos politicamente corretos atuais, mas é fato que seu jogo é extremamente divertido, e ainda que seja absurdamente sexualizada, a protagonista esbanja carisma e atitude.

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A trama do jogo gira em torno da busca de Bayonetta por suas memórias perdidas — ela acaba de despertar de um sono de 500 anos — e por pedras místicas que são importantes para o clã do qual ela faz parte (as Umbra Witches). O jogo tem bem mais história do que eu me lembrava, e envolve tanto viagens no tempo — que incluem a simpática Cerezita — quanto outras por diferentes planos astrais, que existem em paralelo ao nosso mundo.

Ok, Bayonetta tem história e uma protagonista cheia de personalidade, mas o que se destaca aqui é o gameplay, e ele continua incrível. As possibilidades de combos são quase infinitas, e a grande variedade de armas que podem ser equipadas aumentam ainda mais o leque de opções. A cereja do bolo são os cabelos de Bayonetta, que tornam-se variados tipos monstros (ou punhos e pés gigantes) para ajudá-la a surrar os inimigos!

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Bayonetta foi o jogo que introduziu uma mecânica que tornaria-se recorrente em outros jogos da Platinum: o Witch Time. Ao executar uma esquiva perfeita, o tempo é desacelerado, permitindo que o jogador aproveite para espancar sem dó os inimigos. Isso para não mencionar os Tortures Moves, que iam do doloroso ao sadomasoquista para mostrar a bruxa humilhando os inimigos.

Acho que o maior problema de Bayonetta ainda é sua lojinha: Rodin vende todo tipo de acessórios e habilidades, mas os preços cobrados são ridiculamente caros, tornando impraticável a compra da maioria deles. Presumo que isso seja uma manobra para estimular o jogador a rejogar as fases e acumular dinheiro argolas, mas convenhamos, este é um péssimo jeito de prolongar a vida útil de um jogo.

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Análise Arkade: Bayonetta & Vanquish 10th Anniversary Bundle - diversão e atitude (imagem 5)
Gates of Hell é a lojinha inflacionada do Rodin.

No mais, o visual do jogo continua ótimo — poderia ser um pouco mais colorido, mas tudo bem –, as dublagens são incríveis e a trilha sonora é grudenta de um jeito que não é de todo positivo. Bayonetta nunca foi um Triple A (boa parte de suas cutscenes são parcialmente estáticas), mas a Platinum Games fez um bom trabalho com a grana que tinha, e entregou um jogo épico, frenético e cheio de estilo!

Revisitando Vanquish

Enquanto Bayonetta conseguiu uma sobrevida tornando-se uma franquia exclusiva da Nintendo — o terceiro jogo já foi anunciado, mas segue sem previsão de lançamento –, Vanquish, por outro lado, foi para o limbo. O que é uma pena visto que ele é um shooter incrível, exagerado e muito gostoso de se jogar.

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Vanquish se passa em um futuro não muito distante e acompanha Sam Gideon, soldado de elite da DARPA que está testando um novo traje de batalha em meio a uma guerra entre os Estados Unidos e uma versão altamente evoluída da Rússia. O megalomaníaco vilão Victor Zaitsev está utilizando um colossal laser de micro-ondas para tocar o terror no mundo, e tem todo um exército de robôs para lhe defender. Nosso trabalho é frustrar seus planos no melhor estilo “tiro, porrada e bomba”.

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Vanquish bebe de leve na fonte de Gears of War: ele é um “cover based shooter”, mas definitivamente não quer que você fique o tempo todo agachado atrás de muretinhas: o traje de Sam lhe permite deslizar pelo chão em alta velocidade e realizar algumas proezas fantásticas — com destaque para as Augmented Reactions, que desaceleram o tempo para que ele possa se esquivar dos tiros inimigos, ou simplesmente atacar “like a boss”.

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Falando em boss, este é um dos pontos altos de Vanquish: o jogo traz algumas batalhas realmente memoráveis contra chefes e robôs gigantes. Sempre fod*o, Sam resolve tudo de maneiras incrivelmente épicas, e os Quick Time Events (que ainda não estavam saturados na época) rendiam momentos memoráveis e explosivos.

Deixo um deles abaixo:

É engraçado como, de lá para cá os jogos de tiro tornaram-se mais sérios e sisudos. Mesmo Gears of War foi por um caminho bem mais dramático. Parece que todos os desenvolvedores optaram pelo “realismo” (com grandes aspas) e acabaram esquecendo-se da diversão. Vanquish vai pelo caminho oposto: ele é 0% realismo e 100% diversão.

Quer exemplos? Pois vamos lá: Vanquish vai contra convenções que hoje se tornaram regra na indústria. Ele não tinha nada de mundo aberto, nem estatísticas de armas ou trechos de stealth obrigatório. O que importa aqui é a adrenalina, o dedo no gatilho e as explosões massivas. Tudo isso com um monte de frases de efeito — e cigarros que estão ali só pelo efeito “cool” — e cutscenes muito bem dirigidas (lembrando que este também não foi um legítimo Triple A, mas claramente teve mais verba do que Bayonetta).

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Vivemos tempos de jogos punitivos e frustrantes — que sem dúvida têm seus méritos — mas se tornaram o padrão, o modelo a ser seguido. Produtores de videogames precisam entender que a diversão pura e simples também é importante. E nisso, Vanquish dá uma aula. Sua campanha é curta (cerca de 6 horas) mas intensa, e consegue manter o ritmo acelerado o tempo todo, sempre premiando o jogador com novas batalhas épicas e explosivas.

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As três “novas” armas de Vanquish

Ah, e este relançamento traz 3 armas “inéditas” — na verdade eram bônus de pré-venda das lojas GameStop no lançamento original –, que não são nada demais, mas servem como um adendo para um jogo que é incrível, e faz a gente se sentir incrível com o controle na mão.

Conclusão

Ainda que falte a palavra “remasters” no título, é isso o que temos aqui: versões remasterizadas de dois grandes jogos, que marcaram época e — felizmente — envelheceram muito bem e estão rodando melhor do que nunca. Bayonetta e Vanquish são remanescentes de uma outra época, onde nem todo jogo queria ser um Souls-lik ou um RPG de mundo aberto.

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Os dois jogos mostram uma Platinum Games afiada, ousada e criativa, uma produtora que queria, antes de mais nada, entregar diversão para seus jogadores. E faz isso sem perder a pinta de badass ou o timing das piadas, esbanjando carisma e trazendo mecânicas impressionantes que acabaram tornando-se marcas registradas do estúdio (como o Witch Time, que muda de nome conforme o jogo, mas marcou presença em praticamente todos os títulos da empresa).

Em termos de hack n’ slash, eu diria que Bayonetta não é o maioral — o recente Devil May Cry V revitalizou a fórmula do gênero com maestria –, mas em se tratando de cover based shooters, acho que nunca houve nada tão legal e diferente quanto Vanquish. E isso por si só torna esta nova chance de revisitá-lo uma obrigação para os fãs.

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(Lembrando que você pode adquirir os jogos separadamente, mas o preço do combo acaba valendo mais a pena — e te brinda com dois clássicos onde diversão e atitude sempre andam de mãos dadas).

https://youtu.be/QkwyIpaVKaU

A coletânea Bayonetta & Vanquish 10th Anniversary Bundle foi lançada em 18 de fevereiro de 2020, com versões para Playstation 4 e Xbox One (versão analisada, rodando em um Xbox One X). Infelizmente, os jogos não receberam localização para o nosso idioma, e têm como idioma padrão o inglês.

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Vanquish

Ficha do jogo
Plataformas
PlayStation, Xbox, PC
Lançamento
19 de outubro de 2010
Desenvolvedora
Platinum Games
Publicadora
Sega
Gênero
Tiro em terceira pessoa e ação
Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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