Análise Arkade: Bionic Bay é tipo um Limbo de ficção científica, com uma pixel art maravilhosa

Os “Limbo-likes”(jogos similares ou inspirados no clássico Limbo) deram uma sumida, né? Mas Bionic Bay é um novo e ótimo representante deste subgênero, com um twist de ficção científica e uma pixel art absurdamente linda!
Não tem história, mas tem atmosfera
Bionic Bay não tem exatamente uma história para contar, mas uma premissa. Controlamos um cientista que, após um experimento dar errado, vai parar em um bizarro mundo biomecânico repleto de perigos: lasers, bombas, hélices e muitas outras coisas afiadas, pontudas e letais.

Nossa missão, obviamente, é dar um jeito de fugir dali. Para isso, vamos utilizar um curioso dispositivo de teleporte, que nos permite “trocar de lugar” com basicamente qualquer objeto móvel do mundo.
Ocasionalmente vamos encontrar outros cientistas — que não conseguiram escapar — e ler um pouco das memórias deles, mas não espere uma grande narrativa. Tal qual Inside, Stela e outros jogos desse tipo, o que temos aqui não é uma história, mas uma premissa, algo que nos coloca em movimento.

O que “falta” em narrativa, sobra em ambientação. O mundo biomecânico de Bionic Bay é tão lindo quanto desconcertante, e consegue deixar o jogador imerso em seus cenários obscuros e misteriosos. Muito disso é graças a um departamento audiovisual impecável, mas logo a gente fala mais disso.
Trocando de lugar
Em se tratando de gameplay, Bionic Bay é um jogo de plataforma 2D bastante tradicional e sem muitas firulas. Temos basicamente um botão de pulo, outro de rolagem — e também podemos escalar certas estruturas.
O que torna esta jornada realmente diferenciada é justamente o dispositivo tecnológico que nosso protagonista carrega preso em seu braço. Na maior parte do tempo, sua principal função é fazer com que o personagem troque de lugar com algum objeto previamente “marcado”.
Tipo assim:
Na prática, isso funciona quase como um teleporte. Ao trocar de lugar com outro objeto, você vai parar onde ele estava (e vice-versa). Obviamente, o level design foi meticulosamente pensado para tirar proveito desta mecânica, e entrega environmental puzzles simples, mas engenhosos.
Tenha em mente, porém, que as situações são muito variadas e vão exigir não apenas atenção do jogador, mas também reflexos rápidos e agilidade mental. A mecânica básica de “trocar de lugar” com algum objeto é extrapolada, ganhando novas nuances e um tom emergencial de vida ou morte.
Tipo assim:
Esta é a mecânica que o jogo mais explora ao longo de sua campanha — que dura cerca de 7 ou 8 horas. Porém, em momentos específicos, o dispositivo ganha outras funções, como desacelerar o tempo ou inverter a gravidade.
Estas outras mecânicas são interessantes e divertidas, mas bem pouco utilizadas. A impressão que dá é que Bionic Bay foi criado com o teleporte/troca de lugar em mente, mas de última hora resolveram acrescentar outros “poderes”.

Isso não é realmente um problema, mas eu gostaria de ver essas outras habilidades recebendo o mesmo tratamento, sendo utilizadas de forma mais perene ao longo do jogo — ou mesmo desafios onde precisasse combinar todas as funcionalidades do dispositivo.
Single player com modo online?
Bionic Bay é um jogo claramente pensado para ser single player. Porém, para colocar um pouco mais de “recheio” ao pacote, os desenvolvedores deram um jeito de meter um modo competitivo online.

Não há multiplayer direto, tudo é assíncrono. O modo online consiste em desafios onde a ideia é o jogador chegar mais longe, ou terminar uma fase mais rápido, para chegar ao topo das leaderboards.
Com opções de customização de personagem, desafios diários e a promessa de eventos e atualizações, o que temos aqui me lembrou o tipo de experiência online competitiva que vimos em Rayman Legends.

É legal que o jogo traga este conteúdo extra — sem dúvida, agrega valor ao produto. Mas, como alguém que não faz questão de aparecer nas leaderboards, este modo online acaba sendo um adendo que não faz muita diferença para mim.
Audiovisual
Bionic Bay é um jogo de visual estonteante. Ele trabalha pixel art de uma forma muito única, concedendo volume e profundidade de um jeito que impressiona e é pouco utilizado. O jogo chega a parecer 2.5D, mas não se engane: é tudo sprite 2D, construído, colorido e iluminado de forma surpreendente.

O contraste entre claro/escuro é uma parte importante da ambientação. O mundo de Bionic Bay é escuro e opressivo, e ele realmente consegue criar uma atmosfera muito rica dentro desta temática.
Ocasionalmente, ele “rasga” esta escuridão com fachos de luz brilhantes que deixam o visual ainda mais bonito. E, cada ambiente tem uma paleta de cores distinta, o que deixa o visual ainda mais marcante.

O departamento sonoro acompanha esta proposta imersiva: como estamos nesta bizarra realidade biomecânica, o jogo é cheio de barulhinhos sinistros, e tudo soa alto no silêncio do jogo, que é retumbante justamente para potencializar a ideia de vazio.
Conclusão
Bionic Bay é um jogo impressionante. Seu gameplay é simples, mas ele faz um ótimo uso de suas mecânicas, criando situações e puzzles que casam muito bem com a própria temática do game.

Em uma primeira olhada, ele pode parecer “só mais um” jogo 2D inspirado em Limbo. Mas quem se aventurar por seu bizarro mundo vai encontrar uma jornada intrigante e bem executada. O primor do departamento audiovisual é a cereja de um bolo sombrio, mas muito saboroso.
Bionic Bay está disponível para PC e Playstation 5 (versão analisada). O game possui menus e legendas em português brasileiro — mas quase não há o que ler no game.