Análise Arkade – Call of the Elder Gods oferece boas doses de puzzles e Lovecraft para os fãs de ambos os gêneros

Call of the Elder Gods é a sequência direta de Call of the Sea que chega com foco total em exploração, quebra-cabeças e uma narrativa que expande o universo lovecraftiano.
Desenvolvido pela Out of the Blue Games, o título mantém a fórmula que funcionou no jogo de 2020, mas aprofunda os elementos de mistério e jornada pessoal, tornando a experiência mais completa para quem curte aventuras narrativas em primeira pessoa.
Disponível a partir de 12 de maio para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC, o game coloca o professor Harry Everhart e a estudante Evangeline Drayton no centro de uma investigação sobre um artefato antigo desenterrado uma década antes. Sonhos estranhos, desaparecimentos de entes queridos e segredos que vão além da sanidade humana formam o núcleo da trama, que se passa 30 anos após os eventos de Call of the Sea.

Logo nas primeiras horas é fácil perceber a qualidade da exploração. Os ambientes são variados e detalhados: você anda por uma mansão iluminada por lareiras em New England, atravessa desertos vermelhos do outback australiano, caminha em terras congeladas, bases abandonadas dos tempos da Segunda Guerra e chega a paisagens que parecem vir de outro tempo.
Tudo é construído no Unreal Engine 5, o que garante cenários ricos em detalhes, com documentos, livros e objetos espalhados que recompensam quem presta atenção. A sensação de escala e estranheza aparece naturalmente, sem forçar tensão artificial.
Os visuais seguem o estilo cartunesco do antecessor, com cores vivas e traços estilizados que facilitam a imersão. Ao mesmo tempo, a temática transmite uma intimidação sutil, vinda do horror cósmico que permeia o cenário. Não é um terror direto de jumpscare, mas uma inquietação que surge da ideia de forças antigas e indiferentes à humanidade, o que se encaixa no jeito Lovecraft de se contar histórias. A trilha sonora, composta por Eduardo De La Igreja, reforça essa atmosfera sem exageros.

Os puzzles são outro ponto forte. Eles são simples na base, baseados em observação e lógica, mas bem construídos e divertidos de resolver. Você alterna o controle entre Harry e Evangeline para lidar com enigmas que envolvem tempo e espaço, o que adiciona camadas interessantes.
Como alguém que tem “hiperfoco” em histórias da guerra, o que mais me chamou atenção foi usar uma Enigma, dispositivo que a Alemanha nazista usava para enviar mensagens criptografadas, para descobrir mensagens úteis para a progressão, além de ter este contexto dos mistérios da Segunda Guerra embutidos para incrementar a narrativa.
Mas apesar dos puzzles serem simples, um sistema de dicas no menu de pausa dá uma ajuda para quem está travado, revelando pouco a pouco as soluções, até entregar a solução completa caso você empaque de vez. E a exploração completa oferece mais desafios para quem quer mais, com a ajuda de um diário que envolve as informações.

Comparado ao primeiro jogo, aqui os quebra-cabeças ganham mais profundidade sem perder a acessibilidade. Você liga equipamentos, mexe com câmeras de vigilância, abre passagens secretas, interage com tecnologia além da nossa compreensão, prepara equipamento para andar dentro d’água, mexe na já citada Enigma e muitas coisas mais.
A narrativa também avança em relação a Call of the Sea. A história ganha peso com temas de luto, família e sanidade, tudo narrado com dublagem completa (incluindo vozes de Yuri Lowenthal e Cissy Jones). A conexão com o jogo anterior aparece de forma orgânica, sem exigir que o jogador tenha jogado o anterior, mas enriquecendo quem já conhece.

O jogo se inspira diretamente em A Sombra Vinda do Tempo, conto de H.P. Lovecraft publicado em 1936. Na história original, o professor Nathaniel Wingate Peaslee sofre um apagão em 1908 e passa cinco anos com uma personalidade completamente diferente. Ao recuperar a memória, ele é atormentado por sonhos de civilizações alienígenas e descobre que sua mente foi trocada com a de uma entidade de uma raça antiga, a Grande Raça de Yith, capaz de projetar consciências através do tempo. O livro explora a insignificância humana diante de horrores cósmicos e a ideia de que o tempo e a realidade são bem mais frágeis do que parecem.
Call of the Elder Gods pega esses conceitos e os transforma em uma jornada agradável, mesmo com os incômodos propositais da trama, com exploração que incentiva a curiosidade e puzzles que fazem o jogador pensar sem frustração. Para quem gosta de jogos como Call of the Sea ou aventuras narrativas com toques de mistério, além das histórias de Lovecraft, vale a pena dar uma conferida. A demo já disponível ajuda a ter uma ideia rápida do tom e do ritmo, pra quem quiser testar antes de adquirir a aventura completa.
Se você procura uma experiência que equilibra descoberta, visuais marcantes e uma história que se aprofunda aos poucos, Call of the Elder Gods entrega exatamente isso. Sendo um jogo totalmente recomendado para quem curte Lovecraft e jogos de puzzle em geral, sem o peso de um survival horror pesado.
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