Chapolin e os Colorados traz o herói mexicano para o Século XXI, mas sem perder sua essência

12 de janeiro de 2026

O Chapolin Colorado é querido no Brasil e isso todo mundo sabe. Desde 1984, quando as suas aventuras gravadas nos anos 70 começaram a ser exibidas no Brasil, crianças e adultos de todas as idades adotaram o herói desastrado, mas de bom coração e muita astúcia, e o colocaram no mesmo rol de heróis famosos como Batman, o Superman e o Homem-Aranha.

Mas já se passaram 50 anos após as aventuras que consagraram o personagem, e lá pelos lados do México acharam que era uma boa hora de trazê-lo de volta para novas aventuras. Mas aí temos a pergunta: como trazer um herói feito nos anos 70, para o século XXI? Simples: através de um desenho animado.

Sim, nós já tivemos o desenho animado de Chaves, que misturou “remakes” de episódios clássicos com novas aventuras, aproveitando das animações para trazer elementos lúdicos que os episódios originais não tinham condições de oferecer. E a animação de Chapolin seguiu o mesmo caminho, mas tomou a liberdade de ousar um pouco e, felizmente, a fórmula funcionou.

Começando pelo próprio nome da animação: Chapolin e os Colorados. Estes “colorados” são a família do herói, que agora viverá suas aventuras ao lado de sua esposa Suzy, seus filhos Lina e Bobby (provavelmente referências a Paulina e Roberto, dois dos filhos de Chespirito) além da mãe do herói, Luisa Colorado. A ideia, que parecia ser estranha, se mostrou muito interessante, pois mostra não só o lado heróico do personagem, como também a convivência com sua família.

O que nos leva para uma outra questão interessante: a abordagem dos episódios. Enquanto Chapolin precisa lidar com os velhos vilões de sempre, como Tripa Seca ou o Alma Negra, ele também tem que ser marido, pai e filho. Estas questões permitem que os episódios sejam desenvolvidos de forma bem interessante, mudando a conhecida estética de “vilão aparece, Chapolin chega, faz trapalhadas mas derrota o vilão”.

Isso não quer dizer que não tenhamos referências ao seriado clássico. Ao contrário. Chapolin e os Colorados é repleto de referências, como o próprio som das cacetadas, que é o mesmo “pim” que todo fã do seriado sabe bem qual é. Além disso, e só para citar dois momentos, os piratas cantando seu famoso tema e os anões cantarolando Churi Churin Fun Flais são suficientes para arrancar sorrisos dos fãs.

Vale lembrar que, embora os personagens são velhos conhecidos, questões contratuais e de direitos autorais (além de reflexos de tretas do passado) são percebidos aqui; Por exemplo: os anões não fazem mais referência direta ao desenho da Disney que inspirou aqueles famosos episódios, e alguns vilões não são representações de seus respectivos atores, embora os vilões outrora interpretados por Ramon Valdéz tenham a lendária voz de Carlos Seidl e a Bruxa Má, dublada novamente por Cecília Lemes.

Ah, e uma coisa rápida para esclarecer: pode ser que você se “assuste” ao ouvir Suzy chamando seu marido de “Chaves”. Mas não, não é nenhuma “teoria confirmada” de que o menino do barril seria o Chapolin quando adulto. Na verdade ela o chama de “Chapis”, uma forma carinhosa de se referir ao seu marido.

Os episódios, por se tratar de um desenho animado, vão seguir a estética atual de desenhos de “sábado de manhã”: agitados, cheios de ação, com histórias leves, mas com muita essência da produção original. E é aí que o desenho conseguiu o seu maior mérito: pois realmente apresenta o Chapolin para uma nova geração, mas sem descartar a essência que consagrou o personagem. Não é necessariamente um desenho de humor, mas diverte muito com histórias simples, mas bem desenvolvidas.

Rolam, também, elementos que jamais poderiam ser desenvolvidos na série original dos anos 80: algo mais lúdico, mais “superheroinesco”, com prisões especiais, o Chapolin podendo realmente mostrar seus poderes e as invenções do Professor Inventivo, que incluem um veículo que viaja pelo tempo (e explica o motivo do Chapolin ir ao velho oeste e na era dos piratas) além das suas famosas anteninhas de vinil, que agora sabemos mais sobre o seu funcionamento.

As histórias contam sim com vilões e referências, mas não seguem nenhum roteiro previamente conhecido, o que faz com que fãs de velha data possam se sentir confortáveis no universo de Chapolin, mas aproveitando novas histórias. Mas também garante a alegria das crianças, que poderão se divertir, e muito, com uma animação bem feita e de qualidade, e que conta com histórias divertidas.

Eu costumo dizer que o fã brasileiro de Chaves e Chapolin deveria abrir mais a mente. Chespirito produziu muito mais do que os famosos episódios exibidos no SBT, ainda ajudou a transformar Chaves em desenho animado e mesmo depois de sua morte, novas produções que respeitam o seu legado podem ser apreciadas. Se você entende isso, pode ter certeza que irá se divertir muito com esta nova animação, que já conta com dez episódios dublados na HBO Max.

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Junior Candido

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