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Análise Arkade: Crackdown 3 tem muitas explosões e pouca identidade

Já jogamos Crackdown 3! Confira nossa análise completa deste exclusivo da Microsoft que está chegando hoje ao Xbox One e ao PC!

Rodrigo Pscheidt

Esta matéria é de 2019 e pode estar desatualizada.

Análise Arkade: Crackdown 3 tem muitas explosões e pouca identidade

Crackdown 3 foi anunciado lá em 2015, prometendo tornar-se um benchmark para a indústria ao utilizar tecnologia de cloud computing para oferecer níveis inéditos de destruição. Corta para 2019, e o que temos… não é bem aquilo que foi mostrado em 2015. Mas ainda é um jogo bem divertido, confira nossa análise!

Salvando a cidade

Crackdown 3 nos coloca em New Providence, uma metrópole futurista dominada pela Terra Nova, uma mega-corporação inescrupulosa que está envolvida em métodos altamente questionáveis de manutenção de diversos serviços: transporte, segurança pública, geração de energia, mineração, etc.

Análise Arkade: Crackdown 3 tem muitas explosões e pouca identidade (imagem 2)

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A Terra Nova está controlando a cidade com punho de ferro, e os cidadãos parecem dependentes demais destes serviços para se rebelarem contra “o sistema”. Felizmente, existe a Agência, um supergrupo de mercenários com DNAs aprimorados que, liderados por ninguém menos que Terry Crews, irão meio que “explodir a cidade pra salvar a cidade”.

Assim, nosso trabalho é basicamente chegar em New Providence com os dois pés no peito, destruindo estruturas da Terra Nova para chamar a atenção dos cabeças da corporação, que obviamente, irão colocar um exército de soldados, tanques, drones e tudo o mais que puderem em seu caminho, na esperança de frustrar sua missão.

E olha que as vezes eles mandam tudo isso ao mesmo tempo, e a coisa fica nesse nível:

Eu sei que a maneira como descrevi isso faz a coisa parecer séria, mas a verdade é que Crackdown 3 não se leva a sério — e falo isso como um baita elogio. Seus companheiros da Agência estão o tempo todo fazendo piadinhas e trocadilhos, e mesmo alguns dos bosses do game são absurdos, tipo uma inteligência artificial com problemas de auto-estima. É tipo um bom filme de ação dos anos 80: tem tiroteio e explosões pra todo lado, mas sempre sobra um espacinho para a zoeira.

Gameplay

Confesso que tive pouco contato com série Crackdown antes desse terceiro jogo, mas é fato que o gameplay é bastante familiar, visto que bebe na fonte de diversos jogos de ação/mundo aberto modernos: mecanicamente, o jogo me lembrou muito títulos como Just Cause e Agents of Mayhem.

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Análise Arkade: Crackdown 3 tem muitas explosões e pouca identidade (imagem 3)
Um momento típico de Crackdown 3

Há jogos preocupados em contar histórias, mas Crackdown 3 está mais interessado em oferecer mais e mais possibilidades de controle ao jogador. Enquanto jogos como Assassin’s Creed e Sombras de Mordor transformaram o ato de escalar em algo quase automático, aqui o jogador tem o controle de tudo o tempo todo, devendo utilizar com sabedoria as habilidades de seu traje para alcançar lugares elevados. O jogo é cheio de objetivos que são praticamente mini-games de plataforma, e vão testar justamente o controle que você tem sobre seu agente.

Tipo assim ó (ignore os bugs no vídeo, é por conta do streaming):

O básico do jogo resume-se a se locomover de forma ágil e causar destruição: os generais da Terra Nova comandam diferentes setores da cidade, e você deve destruir as instalações de cada um até ganhar o direito de enfrentá-los em uma batalha — ou não visto que certos chefes são vencidos de formas distintas, tipo destruindo suas “bases”.

Por exemplo, há um chefe que cuida de transportes e logística. Para atraí-lo, você deve invadir e tomar todas as estações de trem da cidade. Só ao fazer isso ele irá aparecer para enfrentá-lo. Outro é responsável pela exploração de minérios; desmantelar suas operações é a chave para poder ter acesso a ele. Cada atividade que você executa está atrelada a um chefe, e ao cumprir um número X delas, a chefona do rolê irá exigir que ele tente parar seu avanço.

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Nada como parar para admirar um trabalho bem feito!

Isso acaba deixando a campanha um pouco repetitiva e formulaica, visto que a progressão está o tempo todo atrelada à repetição de coisas como “tome posse de x lugares ou “destrua Y veículos”. Claro que a ideia é que você cumpra os diferentes objetivos conforme explora a cidade, mas como todos eles geralmente envolvem invadir e/ou explodir coisas, acaba meio que dando na mesma. O lado positivo é que isso quebra qualquer indício de linearidade  — você escolhe o que quer fazer primeiro, ou mesmo em qual ordem vai enfrentar os chefes.

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Crackdown 3 ganha pontos por ser muito divertido. É simplesmente muito legal assumir o controle de um mercenário turbinado e sair explodindo a p*#ra toda. Desafios de plataforma para desativar torres de rádio, corridas e orbes de power up escondidas incentivam a exploração, e aproveitam a verticalidade do mundo do jogo para testar as habilidades do jogador.

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Hologramas e néon dominam a paisagem

O grande volume de coisinhas brilhantes  para coletar até dá um ar de collect-a-thon ao game, que está o tempo todo atirando números e estatísticas na sua cara, para você sempre saber o que já fez e o que falta fazer. Os colecionistas sem dúvida terão trabalho para fazer 100% do game.

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Um jogo sem identidade

Crackdown 3 traz alguns elementos típicos do “mundo aberto estilo GTA” — tipo roubar carros de civis –, mas ele está mais preocupado em ser um jogo de ação explosivo do que um jogo de mundo aberto imersivo. A cidade de New Providence é até bonita com todos os seus outdoors holográficos e letreiros de néon, mas ela não parece viva, orgânica, e sua paleta de cores é bem repetitiva. Esqueça o mundo aberto vivo e pulsante de Assassin’s Creed ou Red Dead Redemption, a cidade aqui serve apenas como um cenário apático para as ações do protagonista.

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New Providence: quase uma cidade fantasma

Isso evidencia algo que talvez seja o maior problema de Crackdown 3: ele é um jogo genérico. E olha que ele tem Terry Crews em seu elenco — um dos sujeitos mais carismáticos de Hollywood. Porém, nem a presença deste ícone da testosterona salva a situação, e o potencial cômico do ator é diluído completamente, tornando-o apenas um avatar de luxo. As piadas ficam por conta das conversas que ouvimos pelo rádio, e embora eu respeite o jogo por não se levar a sério, isso não necessariamente torna-o mais interessante. Falta “alma”, sabe?

O audiovisual de Crackdown 3 como um todo é sem graça, e o fato do jogo ter demorado tanto para sair talvez faça com que ele pareça datado se comparado a outros jogos atuais. É aquele tipo de jogo que não é feio, mas também não é bonito, ficando em um meio termo sem sal que… bem, caracteriza produtos genéricos.

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Em alguns momentos ele até parece um jogo da geração passada

Que fique claro: o fato do jogo ser genérico não necessariamente significa que ele é ruim. Como já dito, mecanicamente ele é bem divertido. A questão é que o jogo não tem identidade, e se parece com diversos outros jogos com temática semelhante. Ele lembra o recente Agents of Mayhem, ou uma versão mais urbana de Just Cause.

Área de Demolição e Cloud Computing

Quando foi anunciado lá em 2015, Crackdown 3 prometia um nível absurdo de destruição, com prédios sendo derrubados em tempo real graças à uma inovadora tecnologia de Cloud Computing, que dividiria o trabalho de processar tanta informação com o console. Seria praticamente um benchmark de uma nova forma de se fazer games. Trailers como esse abaixo deixaram todo mundo  empolgado há um tempos:

Pois bem, se você esperava ver tudo isso na campanha, esqueça. A cidade em que se passa a campanha do jogo é bastante sólida, e a maior parte de suas construções continuará em pé, não importa o quanto você atire nelas. É no multiplayer — que foi produzido por outro estúdio e exige uma instalação separada — que vemos um pouquinho disso que nos foi prometido.

A Área de Demolição consiste em uma série de arenas, onde podemos entrar em partidas de 2 tipos: Caçador de Agente (basicamente um mata-mata em equipes) e Territórios (um king of the hill de controle de áreas). O gameplay permanece o mesmo, mas aqui as coisas se tornam explosivas de verdade, com muito vidro quebrando, estátuas gigantes ruindo e estruturas que realmente podem ser destruídas sendo efetivamente destruídas.

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Esse tipo de destruição a gente só vê no multiplayer

Joguei meia dúzia de partidas online, e todas rolaram numa boa, sem engasgos — ainda que o framerate seja cortado pela metade, mantendo-se nos 30fps e quebrando um pouco da fluidez da campanha — e a destruição dos ambientes em si torna as coisas bem caóticas. Sem sacanagem, você pode literalmente abrir caminho até o inimigo simplesmente explodindo pisos e paredes!

Apesar da diversão, é fato que o multiplayer do game é um tanto raso neste primeiro momento: são apenas 2 modos de jogo, e a falta de um senso de progressãonão há level up, nem customização de personagens, nada — acaba não dando muito propósito às partidas. É diversão rápida, mas sem recompensa. Espero que isso melhore no futuro, pois o fato do jogo chegar hoje ao Xbox GamePass lhe dá potencial de criar uma comunidade bem ativa desde o primeiro dia.

Conclusão

Falta personalidade a Crackdown 3, mas sem dúvida não faltam explosões e boas mecânicas. Este é um jogo que se apoia totalmente em seu seu gameplay, oferecendo muitas possibilidades ao jogador para que ele explore (e exploda) como quiser. O quanto você vai se divertir com ele depende muito do quanto sua fórmula pautada por repetição e destruição é capaz de te entreter.

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Apesar de ser formulaico e meio datado, Crackdown 3 entrega um nível aceitável de entretenimento, afinal, explodir coisas sempre é legal. Isso também vale para seu multiplayer, que é raso mas divertido, e merece ser expandido e melhorado com o tempo para manter o interesse da comunidade.

Se tudo isso vai acontecer eu não sei, afinal o jogo está sendo lançado hoje, mas eu me diverti o suficiente com Crackdown 3 para recomendá-lo a você leitor, ainda que sua gritante falta de carisma tenha me incomodado o tempo todo. Vou me lembrar de sua história ou de seus personagens? Bem pouco provável. Mas o efeito catártico de salvar uma cidade explodindo tudo sem dúvida tem seu apelo.

Crackdown 3 está sendo lançado hoje para Xbox One e PC. O jogo está 100% localizado para o nosso idioma, com dublagens, menus e legendas (mas, para jogar em inglês no Xbox One, só mudando o idioma do sistema).

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Crackdown 3

Ficha do jogo
Plataformas
Xbox, PC
Lançamento
15 de fevereiro de 2019
Desenvolvedora
Sumo Digital, Cloudgine
Publicadora
Xbox Game Studios
Gênero
Tiro em terceira pessoa
Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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