Análise Arkade: Days Gone Remastered traz modo Horda, melhorias gráficas e bom uso do DualSense

11 de maio de 2025

Já faz quase 10 anos que os fãs esperam por um remaster — ou pelo menos uma atualização para PS5 — de um jogo muito querido do PS4. Um jogo que tem uma legião de fãs apaixonados, e é tido por muitos como um dos melhores exclusivos daquele console. Estou falando de Bloodborne. Mas, ao invés de remasterizar o jogo que todos queriam, a Sony foi lá e fez isso com Days Gone.

Calma, que esse começo foi só uma zoeira de leve. Para falar a verdade, eu não tenho nada contra Days Gone. Ainda que não seja particularmente inovador — e tenha saído originalmente em uma época onde mundo aberto e pós-apocalipse já estavam meio saturados — o jogo do Bend Studio faz tudo direitinho, e entrega uma boa jornada de sobrevivência.

O lance é que… Days Gone não era assim um favorito na fila dos remasters. Não só por ser relativamente recente, mas também porque já tinha recebido uma leva de aprimoramentos para rodar melhor no PS5. Mas, né, isso nunca impediu a Sony de remasterizar jogos recentes… Picuinhas à parte, falemos sobre Days Gone Remastered.

O mesmo Days Gone…

Days Gone Remastered chega com a mesma campanha do jogo original, mas traz junto um DLC inédito, Broken Road, que é basicamente o modo Ataque a Horda. Tudo isso com melhorias gráficas e de performance e suporte às funcionalidades do DualSense.

A campanha segue sendo a mesma: uma longa jornada de sobrevivência envolvendo o motociclista Deacon St. John e seu parceiro Boozer em um futuro pós-apocalíptico dominado por zumbis — aqui chamados Frenéticos.

É uma história um tanto piegas, recheada de cutscenes que careciam de mais profundidade, impacto e dramaticidade para emocionarem o jogador. Ambientada em uma cidade fictícia dos Estados Unidos, que é o lar do Motoclube do qual Deacon faz parte, a trama aborda temas como perda, sobrevivência e esperança, bem como o “bromance” de Deacon e Boozer.

Days Gone mistura elementos de sanbox e sobrevivência com muitas missões do tipo “garoto de recados”. Há diferentes facções espalhadas pela cidade — cada um com seus interesses, todas usando Deek para agilizar seus respectivos corres. Além disso, o crafting é parte importante da experiência, seja para manter Deacon saudável e bem equipado, seja para manter sua estilosa moto funcionando.

Não vou me aprofundar nos pormenores da campanha e do gameplay, uma vez que nada disso sofreu grandes mudanças neste relançamento. Para saber mais, consulte nossa análise do Days Gone original — e também já falamos especificamente da versão PC, que saiu em 2021.

Ataque da Horda: a principal novidade

O modo Ataque da Horda se destaca como a principal adição neste relançamento. Funcionando como um modo de combate em arenas bem arcade, ele coloca o jogador para sobreviver à uma verdadeira avalanche de Frenéticos, que surgem em ondas caóticas e ininterruptas.

A proposta é simples, mas eficaz: sobreviver o máximo possível. Começamos cada run com uma simples pistola, e vamos precisar explorar bem o mapa para descolar armas melhores — incluindo um lança-chamas exclusivo deste modo de jogo — e, claro, usar todas as armadilhas e estratégias aprendidas durante a campanha principal para não sermos massacrados pela horda. Além da sobrevivência em si, há objetivos secundários que ajudam a maximizar a pontuação e a experiência adquirida.

Apesar de estar disponível desde que você roda o jogo pelo menu principal, o Ataque da Horda é recomendável para quem já zerou a campanha, está bem adiantado, ou pelo menos já está devidamente “desenferrujado” das principais mecânicas do game. Falo isso porque é um modo de jogo que já começa caótico, e vai exigir domínio dos sistemas de combate, movimentação e crafting.

Com 4 mapas disponíveis, um sistema de randomização de itens e baús e modificadores que podem ser ativados, este modo de jogo é praticamente uma releitura em modo roguelike do que sempre foi o destaque de Days Gone: suas hordas colossais de zumbis. E para os que conseguirem resistir por 30 minutos, o jogo reserva um desafio final: a Horda Suprema. Esta não é uma batalha para ser vencida, mas para ver por quanto tempo você aguenta.

Entre as recompensas do modo Ataque da Horda estão itens cosméticos — como novos visuais e emblemas para o protagonista –, além do desbloqueio de seis personagens jogáveis adicionais (exclusivamente para este modo), incluindo figuras conhecidas como Skizzo, O’Brian e Lisa.

Não acho que o Ataque da Horda seja um diferencial enorme. Mas, é um adendo que consegue aumentar significativamente a longevidade do jogo, ao mesmo tempo em que oferece “mais Days Gone” para a dedicada comunidade de fãs do jogo.

Ah, e para os masoquistas jogadores mais hardcore, tem outra novidade: o modo Morte Permanente. Válido para a campanha, ele faz o que o nome sugere: se você morrer, é Game Over, sem choro. O máximo de colher de chá que ele te dá é a possibilidade de começar do início do Ato 2 (caso você tenha passado de lá). Como eu preservo minha sanidade, nem tentei.

Performance, audiovisual e DualSense

Days Gone Remastered não se reinventa, mas faz bonito em um hardware que ainda nem era comercializado em 2019. Os destaques são a iluminação, que foi toda refeita e está muito mais realista, e uma maior densidade de vegetação. São detalhes que deixam o mundo pós-apocalíptico do game mais bonito e imersivo do que nunca.

A performance é estável, e há duas opções de visualização: “Qualidade“, que roda em 4K a 30 fps, e “Desempenho“, que opera em 1440p e mira nos 60 fps. Em ambos os modos, temos uma experiência fluida, com um loading inicial meio devagar para os padrões atuais, mas sem outros carregamentos depois que a jogatina começa.

São melhorias? Sem dúvida. Mas, por ter saído na reta final da vida útil do PS4, Days Gone já era um jogo bem bonito lá em 2019. Quem experimentou o título original via retrocompatibilidade no PS5 talvez não note uma grande diferença.

O que faz uma baita diferença é a boa utilização do DualSense, que adiciona uma camada extra de imersão. A vibração aprimorada permite sentir a potência do motor da Drifter do protagonista, enquanto o feedback háptico torna as mudanças climáticas muito mais interessantes — é possível “sentir” a chuva no controle. Para completar, os gatilhos adaptáveis oferecem resistência variável ao utilizar diferentes armas, intensificando a sensação de realismo durante os combates.

O departamento sonoro não sofreu grandes mudanças. Days Gone Remastered segue 100% localizado para o nosso idioma, com dublagens de qualidade variável (em termos de interpretação). Os sons ambientes transportam o jogador naquele mundo, e as músicas aparecem especialmente para coroar momentos de tensão e perseguições.

Conclusão

Enquanto Bloodborne segue esquecido no churrasco, Days Gone Remastered chega como uma atualização competente, que aprimora a experiência original com melhorias gráficas, um novo modo de jogo divertido e fazendo um bom uso do DualSense e do poder de fogo do PS5.

Não é o título remasterizado que todo mundo queria, mas ei, há quem diga que Days Gone é um título injustiçado. Essa galera — ou mesmo novos fãs que pularam a geração PS4 — agora tem a chance de (re)visitar a jornada de Deacon em sua melhor forma: com audiovisual superior, desafios adicionais e uma excelente performance.

Days Gone Remastered está disponível para PC e PS5. Quem já tem a versão PS4 pode fazer o upgrade para a versão remasterizada por um precinho mais em conta.

Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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