Ir para o conteúdo

Análise Arkade: Mbappé, The Grounds, muito do mesmo e algumas surpresas em EA Sports FC 27

Análise de EA SPORTS FC 27 avalia o hub social The Grounds, as mudanças na carreira, no FUT e a evolução dentro de campo.

Paulo Roberto Montanaro
Análise Arkade: Mbappé, The Grounds, muito do mesmo e algumas surpresas em EA Sports FC 27 (imagem 31)

Você, meu caro leitor, pode ter passado por algumas situações surpreendentes neste ano de 2026, mas quando muita coisa parece incerta, é possível contar com, ao menos, uma verdade absoluta: a metade do segundo semestre trará um novo EA Sports FC. A edição 27 acaba de sair do forno prometendo o maior pacote de novidades desta geração desde a saída da marca FIFA da franquia, três edições atrás. Será?

Análise Arkade: Mbappé, The Grounds, muito do mesmo e algumas surpresas em EA Sports FC 27 (imagem 27)

Novidades? The Grounds!

Liderando um mercado praticamente sem competidores — faz bastante tempo que o eFootball segue outra linha mercadológica, o UFL não emplacou, e outros jogos tematizados no futebol, como Captain Tsubasa, não oferecem qualquer concorrência de nicho —, é ponto comum que a série joga no seguro há anos, mantendo aquele 4-4-2 protocolar para não correr riscos.

Contudo, seguindo tendências um pouco mais presentes em outras modalidades esportivas do mundo digital, o EA Sports FC 27 toma liberdades fora de campo para renovar o interesse de um público que parecia estar resignado. A principal adição, ou ao menos a mais explícita (inclusive em toda a campanha de marketing do game), é o tal The Grounds.

Análise Arkade: Mbappé, The Grounds, muito do mesmo e algumas surpresas em EA Sports FC 27 (imagem 6)

Apresentado como um hub social compartilhado dentro do jogo, o modo funciona como um ponto de encontro que traz para a franquia de forma mais incisiva uma cultura urbana do futebol, só que pela perspectiva gringa, obviamente. Longe daquilo que nós no Brasil conhecemos como o futebol de rua, há um mundo razoável a se explorar com seu avatar personalizado para encontrar atividades pontuais de ambientação e contexto.

Publicidade

Há, por exemplo, peladas no bom e velho x1 contra adversários aleatórios; por vezes algumas interações sofisticadas com e contra estrelas do futebol moderno (como o próprio Kylian Mbappé, que uma vez mais empresta imagem e prestígio ao jogo) ou até missões com figuras da vida real e da ficção, como o personagem de modos narrativos passados Alex Hunter ou o treinador Ted Lasso, egresso de um seriado homônimo da TV por streaming.

Análise Arkade: Mbappé, The Grounds, muito do mesmo e algumas surpresas em EA Sports FC 27 (imagem 9)

O hub ainda cria pontes e atalhos para opções mais estabelecidas, como partidas formais no estilo tradicional do futebol de campo ou em formato reduzido do Modo Rush (5×5), mas seu maior diferencial está nas mecânicas que se tornam altamente cativantes, como um sistema de progressão imersivo e minigames divertidos.

O primeiro destes sistemas é baseado em Amps (melhorias temporárias para partidas), além de pontos para maestria do personagem e, como não poderia deixar de ser, elementos de customização e personalização do avatar, com lojas numerosas para compra de roupas, acessórios e emotes de marcas reais presentes no game.

Análise Arkade: Mbappé, The Grounds, muito do mesmo e algumas surpresas em EA Sports FC 27 (imagem 12)

Já o segundo, confesso, é o meu espaço favorito, com a possibilidade de partidas que usam as mecânicas básicas do jogo em atividades como estourar balões, rodas de bobinho, corridas com controle de bola e até uma versão esquisita de Bocha, cada qual se apropriando do que antes só estava em treinos burocráticos e tutoriais enfadonhos para adicionar uma camada lúdica ao que já conhecemos tão bem.

O maior desafio aqui é, provavelmente, garantir a manutenção do interesse neste espaço de forma viva e constante. Por mais que algumas missões sejam convidativas, permanecer conectado depende do quão populoso este mundo é, já que minha maior dificuldade no modo foi tentar adentrar atividades que demandam mais de quatro pessoas e ficar esperando bastante tempo para, no final, não aparecer ninguém.

Análise Arkade: Mbappé, The Grounds, muito do mesmo e algumas surpresas em EA Sports FC 27 (imagem 10)

Na parte tradicional…

Para quem preferir seguir pelos modos mais tradicionais da franquia, as novidades são bastante significativas fora de campo. A começar pelo modo Carreira de Treinador (que, como todos bem sabem, é a campanha de gestão completa de um clube), que ganhou uma reformulação estética notável. Saem algumas cenas repetitivas, entra um modelo mais dinâmico de negociação e administração geral do time.

Publicidade

As contratações tiveram um salto gigantesco em complexidade, com o valor de mercado e salários dos atletas flutuando com base na forma física, moral e poder de compra dos clubes. Há mais cláusulas e condições, como opções de recompra e metas de desempenho, que se somam a bônus e outras letras miúdas às quais já estávamos acostumados.

Análise Arkade: Mbappé, The Grounds, muito do mesmo e algumas surpresas em EA Sports FC 27 (imagem 19)

Outros elementos que já haviam funcionado bem na edição passada — como torneios de base no formato Rush, sistema de composição de escalações, esquemas táticos e participação em campeonatos — parecem refinados e, somados às melhorias na interface, finalmente apresentam um certo ar de frescor para algo que parecia sedimentado.

Este mesmo refinamento está presente, mas em menor escala, na grande estrela da companhia: o famigerado Football Ultimate Team (FUT). Enquanto as estruturas seguem firmes na criação do elenco, modelo de aquisição de cartinhas via pacotes aleatórios, recompensas por objetivos alcançados e compra no mercado de transferências, a interface é quase imutável, salvo pequenos ajustes e realocações em menus e na leve atualização visual desta edição.

Análise Arkade: Mbappé, The Grounds, muito do mesmo e algumas surpresas em EA Sports FC 27

Talvez a maior adição aqui seja a Galeria FUT (ou Hall do FUT), que basicamente funciona como uma exposição para suas aquisições favoritas e traz consigo algumas recompensas específicas. Nada que mude o cenário do jogo ou que eleve o status do seu elenco, mas entra como mais um elemento de valorização e personalização da experiência.

Falando especificamente do Clubs, a estrutura clássica de divisões, escalações 11 contra 11 e evolução do seu time continua exatamente a mesma de sempre. A grande diferença está na simbiose com o The Grounds: seu avatar deixa de viver apenas em menus estáticos e vira sua persona física no hub social, servindo tanto de ponto de acesso direto para a fila de partidas quanto de vitrine para ostentar os equipamentos, uniformes e conquistas do seu clube para toda a comunidade.

Análise Arkade: Mbappé, The Grounds, muito do mesmo e algumas surpresas em EA Sports FC 27 (imagem 13)

Igual, mas diferente

O maior susto para quem já tem movimentos memorizados e uma memória muscular automatizada é que as mudanças dentro das quatro linhas são realmente evidentes, sobretudo em níveis maiores de competição. A começar pela maior distinção entre as formas Autêntica (com uma cadência tática bem mais pesada) e Competitiva (mais veloz e quase caótica), disponíveis logo no início dos modos para moldar aquilo que se espera do jogo.

Mesmo quem prefere aquela correria mais descompromissada das tardes preguiçosas de domingo há de admitir que a valorização do passe e de jogadas um pouco mais elaboradas na vertente autêntica torna o jogo muito mais parecido com o esporte do mundo real. Talvez mais lento, mais sistemático e mais enfadonho para alguns, mas de fato se aproxima do que vemos nos estádios e na TV.

Análise Arkade: Mbappé, The Grounds, muito do mesmo e algumas surpresas em EA Sports FC 27 (imagem 25)

Independentemente desta escolha, porém, é evidente que o jogo abre mão, mesmo com algumas facilitações ativadas, das automações exageradas que tornavam a edição anterior quase insuportável depois que o adversário – humano ou não – entendia o que a máquina fazia sozinha e o que precisava de fato da participação de quem controla as coisas.

Publicidade

O maior impacto desta nova premissa está no sistema de defesa sem a bola, com uma redução notável no automatismo da inteligência artificial defensiva e no rebalanceamento da pressão de equipe. Se os zagueiros continuam correndo e se movimentando de forma pouco esperta, ao menos agora há um controle maior no posicionamento da última linha.

Análise Arkade: Mbappé, The Grounds, muito do mesmo e algumas surpresas em EA Sports FC 27 (imagem 5)

Isso significa que aqueles gols bobos que tomávamos antes vão deixar de existir? Na verdade, é o contrário: eles estão mais presentes do que nunca quando relaxamos na pressão ou quando temos problemas na seleção do personagem a ser controlado. Sair correndo com o defensor atrás do atacante pode abrir aquela clareira absurda no miolo de zaga e deixar tudo escancarado para o adversário.

Siga o Arkade no Instagram @revistaarkade Seguir

Em outras palavras, sem a mão invisível da inteligência artificial para cobrir artificialmente buracos, a disciplina tática virou item de sobrevivência: volantes empolgados que gostam de bancar os pontas agora deixam uma verdadeira avenida na defesa, enquanto o novo balanceamento de atributos e estilos de jogo finalmente dá utilidade real a meias construtores e defensores clássicos.

Análise Arkade: Mbappé, The Grounds, muito do mesmo e algumas surpresas em EA Sports FC 27 (imagem 15)

Somado ao sistema de movimentação e posicionamento de atacantes e meias menos óbvio e previsível, há aqui uma boa chance de abrir um abismo ainda maior entre os mais habilidosos e os peladeiros de fim de semana, já que quem dependia da automação para equilibrar as coisas agora vai se ver tomando dribles fáceis e gols no atacado. Para competir de verdade no FUT ou no The Grounds, será necessário abandonar vícios antigos e abraçar o novo.

Não que todas as mudanças sejam exatamente para melhor, porque as tomadas de bola seguem uma física ainda mais esquisita, o controle de bola é caótico (com tropeções e esbarradas aleatórias em pseudo-divididas) e o sistema de escanteios, cruzamentos e cabeceios é estranhamente burocrático. Mas ao menos há um caminho aberto para o futuro aqui.

Análise Arkade: Mbappé, The Grounds, muito do mesmo e algumas surpresas em EA Sports FC 27 (imagem 20)

Diferente, mas igual

Se as mecânicas dentro e fora do campo passaram por uma reciclagem considerável, o aspecto audiovisual, por sua vez, parece satisfeito com o nível atual da geração, e são poucas as melhorias perceptíveis nesta seara. Modelos de jogadores têm aquele refresh sutil em alguns casos, sobretudo das figuras mais famosas e destacadas da edição, mas nada que os diferencie daquilo a que estamos habituados. Poses, animações e expressões são basicamente as mesmas.

Esta manutenção não é necessariamente ruim, já que não há dúvidas de que este quesito nunca foi um problema: a ambientação de estádios, a presença da torcida e as sutilezas do clima seguem muito bem-feitas. Ainda há alguns elementos nas colisões a serem ajustados, mas tudo dentro do esperado para o gênero.

Análise Arkade: Mbappé, The Grounds, muito do mesmo e algumas surpresas em EA Sports FC 27 (imagem 17)

O lado sonoro é o que mostra mais sinais de esgotamento. A narração brasileira do jogo, uma vez mais contando com a voz de Gustavo Villani e comentários de Caio Ribeiro, já evidencia repetições chatas com as mesmas frases, bordões e cadência há anos. Não fica claro o quão atualizada ela foi para esta edição, mas sou da opinião de que uma reformulação completa na versão tupiniquim seria benéfica para as próximas edições, mesmo sendo um fã declarado do narrador atual.

Mas se o áudio no gramado dá sinais de cansaço, a curadoria musical continua sendo um dos acertos mais consistentes da franquia. A trilha sonora do game traz uma seleção excelente que equilibra com maestria o indie pop, batidas eletrônicas e ritmos urbanos globais, com faixas de nomes consagrados e novas apostas internacionais. É aquele tipo de seleção que fatalmente vai ficar martelando na cabeça mesmo depois de desligarmos o jogo e, não raro, vai parar na playlist do Spotify.

Análise Arkade: Mbappé, The Grounds, muito do mesmo e algumas surpresas em EA Sports FC 27 (imagem 29)

Outro elemento, este sim mais problemático e que precisa urgentemente de atualização, são os goleiros cada vez mais erráticos e com falhas essenciais facilmente mapeáveis. Há momentos em que eles são injustamente brilhantes, mas, na maior parte do tempo, é fácil saber exatamente de onde chutar com garantia total de sucesso, mesmo em bolas que, em tese, deveriam ser defensáveis.

A arbitragem segue sendo algo tenebroso, e mesmo que já saibamos exatamente como contorná-la para aproveitar a jogatina sem passar (mais) raiva, ela não deixa de ser um ponto historicamente negativo. Faltas em encontrões aleatórios, cartões sem qualquer critério e uma sequência de bizarrices – que são resultado não da programação das regras, mas sim das inconstâncias da física do jogo – tornam alguns resultados difíceis de aceitar.

Análise Arkade: Mbappé, The Grounds, muito do mesmo e algumas surpresas em EA Sports FC 27 (imagem 22)

Por fim, não subestimo a importância da manutenção das muitas licenças do jogo, sobretudo das principais ligas nacionais e continentais da Europa. Entretanto, é mais uma vez frustrante a ausência do futebol brasileiro para além de versões genéricas nos modos periféricos sul-americanos, ainda que o escrete canarinho finalmente venha completo desta vez. A responsabilidade desta lacuna, sabemos todos, é bem complexa, mas saber disso não torna a situação menos lamentável.

Conclusão

Para os fãs de longa data, EA Sports FC 27 oferece uma experiência agridoce: diante de tantos elementos mantidos e facilmente reconhecíveis, algumas melhorias pontuais resolvem problemas que já estavam entre as maiores reclamações da comunidade, mas outros tão urgentes quanto permanecem ou só mudaram superficialmente.

Análise Arkade: Mbappé, The Grounds, muito do mesmo e algumas surpresas em EA Sports FC 27 (imagem 23)

É uma vitória que as mecânicas menos automatizadas, bem como a maior cadência do modo Autêntico sejam aspectos bem-vindos para quem quer um pouco mais do que a correria caótica em que a série tinha se transformado, o que também vale para as renovações de interface (mais no modo Carreira e menos no FUT) e de administração nos principais modos de jogo.

A maior novidade, entretanto, é o que a EA está tentando fazer com o The Grounds em consonância com jogos esportivos tradicionalmente mais populares nos Estados Unidos. Mas, passado o verniz inicial, a vivência parece vazia, superficial e rapidamente cansativa, mesmo cheia de artifícios de evolução de personagem. Após o impacto inicial, o modo vai precisar de mais conteúdo para se sustentar ao longo da temporada 2026-2027, que está só começando.

Análise Arkade: Mbappé, The Grounds, muito do mesmo e algumas surpresas em EA Sports FC 27 (imagem 14)

No geral, jogo de futebol segue sendo jogo de futebol. Quem gosta, vai seguir gostando, e quem não liga provavelmente vai encontrar aqui poucos incentivos para dar uma nova chance para a modalidade. Dos controles tradicionais à monetização controversa por microtransações, tudo está no mesmo lugar de sempre. Afinal, como manda a regra máxima dos gramados: em time que está ganhando (e faturando alto), a EA prefere não mexer.

EA Sports FC 27 foi lançado oficialmente em 25 de setembro de 2026 para PC, PlayStation 4, PlayStation 5 (versão utilizada para esta análise), Xbox One, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2, totalmente localizado em áudio, menus e legendas para o português brasileiro.

Próxima matéria Análise Arkade – Core Keeper e Riders of the Underground Análises Análise Arkade – Core Keeper e Riders of the Underground Análise de Core Keeper e da atualização gratuita Riders of the Underground, que adiciona montarias e novas opções ao sandbox de sobrevivência.

EA SPORTS FC 27

Ficha do jogo
Lançamento
2026
Publicadora
Electronic Arts
Gênero
Futebol
Paulo Roberto Montanaro Mais matérias de Paulo Roberto Montanaro

Buscar no Arkade