Análise Arkade – Earthion brilha com a aura de Mega Drive e músicas de Yuzo Koshiro

Jogos atuais com gráficos retrô não são uma novidade, felizmente. Vários games, cada um com sua proposta e competências, somam de forma positiva em paralelo a jogos que buscam realismo gráfico, mantendo um bom equilíbrio entre as formas antigas e atuais de se fazer games.
Mas, e quando uma lenda do passado, responsável por trilhas sonoras incríveis e que nos apresentou bons games nos tempos dos 16-bits, retorna para o mundo dos games e nos apresenta um clássico instantâneo, que une a qualidade dos bons jogos do passado, uma aura incrível de Mega Drive, e traz uma trilha sonora de primeira como a cereja do bolo?
Esse é Earthion, um game de Mega Drive, que chega primeiro aos PCs e consoles atuais, e que marca a grande volta de Yuzo Koshiro, que ainda é presença na playlist de quem gosta de músicas de jogos antigos, em especial os primeiros Streets of Rage. Vamos conhecê-lo melhor, agora mesmo!
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O mais legal, logo quando você começa a jogar Earthion, é que você não está jogando um game feito por quem gosta de jogos retrô e se inspirou neles para criar seus sprites. Estamos falando de alguém que tem conhecimento do Mega Drive, está fazendo um jogo para os 16-bits e fez questão de dar o mesmo tratamento para a versão para consoles atuais e PC.
A sensação que temos ao jogar o game é a de que estamos jogando alguma coletânea, curtindo um game de Mega Drive lançado em algum dia de 1993. Os sprites, a ação na tela, as animações e o gameplay são dignos dos melhores jogos do 16-bits da SEGA, como Gunstar Heroes, um ótimo exemplo de jogo frenético de ação do console.

Isso sem esquecer da trilha sonora. Mas falaremos das músicas do game de forma adequada em breve, pois este game pede uma análise à parte deste elemento.
Mas, basicamente, é isso: um bom jogo de Mega Drive, adaptado para os dias atuais, mas que não perde em nada a aura que fez questão de trazer consigo. Tanto é que, mesmo sem a vindoura versão para os 16-bits, o game atual apenas aproveita o poder maior dos consoles atuais para amplificar alguns elementos, mas não quis, por escolha própria, sair dos trilhos que se propôs a seguir, o que é uma ótima escolha, dentro do contexto.
Ação de qualidade

A ação de Earthion é simples, mas com interessantes e pontuais novidades. O jogo é um típico “jogo de navinha”, como R-Type, onde você tem que “embarcar na nave que vai salvar o universo e lidar com uma onda de inimigos enquanto desvia de projéteis e obstáculos”. A ação não é tão frenética quanto em outros jogos do gênero, valorizando um pouco de estratégia. Mas nem por isso é um desafio fácil.
Para te ajudar, o game oferece escudos que protegem até certo ponto sua nave, mas não se você continuar sendo atingido toda hora; aí não tem jeito. E se manter vivo em fases que variam em formato de progressão, inimigos e obstáculos na tela são um bom desafio aqui, mas que premiam quem os encara e os supera.
Os famosos tiros complementares e armas diferentes também adicionam um pouco de estratégia, e podem ser acionados ou com dois botões, como se jogava antigamente, ou aproveitando os controles atuais, com um botão que faz o ataque simultâneo, poupando os dedos de quem está desacostumado com essa ação.
Entre outras ajudas, além dos controles atuais que permitem um melhor desempenho ao controlar a nave e usar apenas um botão para usar os dois tiros, temos também ajudas “antigas”, como a opção de aumentar de três até seis vidas, o modo fácil e três continues.

Também há a cápsula de adaptação, que é o nome dos upgrades que o jogo oferece, e que permite que elementos como vida extra ou maior defesa cheguem para um apoio.
Mas, vamos lá. O game foi feito pensado em um Mega Drive e é assim que ele vai se comportar. Por isso, esqueça desde o ray-tracing até questões como save points e checkpoints. Perdeu todas as vidas, volta pro começo, sem reclamar. No máximo, você tem passwords, que são um pouco diferentes dos jogos antigos.
Ao invés de usar códigos para visitar qualquer fase do jogo, os passwords são gerados para quem termina o game, sendo uma espécie de “new game +”, onde você começa de novo o desafio, mas contando com as vidas e upgrades coletados no jogo anterior. Achar um bom password pela Internet, caso você esteja tendo dificuldades, é a única grande ajuda que você encontrará neste game.
É um jeito moderno de curtir os “antigamentes” dos games. É claro que, nos dias de hoje, com games que salvam automaticamente a cada minuto e oferecem todo tipo de ajuda, tal forma de se jogar pode trazer reclamações por parte de alguns jogadores. E até vi reclamações em reviews também. Mas temos que entender que o público-alvo do game esperava exatamente por um jogo assim, e este público vai ficar realmente satisfeito.
A música de qualidade de Yuzo Koshiro
Quando o jogador é craque, o tempo passa, mas a habilidade nunca vai embora. E isso obviamente acontece com Earthion, pois além da competência de quem já produzia games legais pela Ancient nos anos 90, temos também a mente que nos trouxe as icônicas músicas de Streets of Rage.
E Koshiro esteve realmente empenhado na composição de seu novo game. O simples fato de ouvirmos os sonzinhos de acesso vindos de Streets of Rage já nos traz otimismo. Que é concretizado quando jogamos o game, ou quando fazemos uma visita obrigatória na Jukebox do game, presente nas opções.

Dawn of Earthion é o nosso primeiro contato com a música do game, e é uma ótima faixa, com energia e propondo adrenalina. Gostei muito também da faixa Hyperion, que também é bem enérgica, mas um pouco mais intensa, combinando muito bem com o tipo de jogo.
Endless Horizon é uma daquelas faixas que dá vontade de colocar no carro e sair dirigindo por aí, enquanto Burning Rush é quase um “bate cabeça”. Sério: quem gosta de game music, vai curtir bastante o Jukebox, para apreciar a obra inspirada de Koshiro. Ele realmente transmitiu a sua paixão em cada uma das faixas compostas, o que é a cereja de um bolo delicioso.
É das antigas ou curte o jeitão retrô de se jogar? Jogue Earthion AGORA!

Já faz um tempo que o mundo dos games se ramificou de uma forma a qual vários universos, embora joguem nos mesmos consoles e PCs, ou celulares, são completamente diferentes entre si. É mais ou menos como o rock, que com guitarras, baixo e bateria pode produzir folk rock, punk rock, hard rock ou metal (que por si só também é bem fragmentado).
Isso significa que um jogo como Earthion pode ser um “Natal gamer” para uns, e um jogo “atrasado” para outros. Mas para entender o game de Koshiro, é obrigatório colocar os óculos não só da nostalgia, como também de tempos em que “Fera” (inclusive o nome da dificuldade mais elevada) e “Radical” eram os sinônimos dos melhores. As limitações aqui são propositais e dão sentido ao game, e para sua proposta.
Tanto é que a configuração padrão do game simula uma TV de tubo, o que mostra a intenção real do game, embora você possa confirmar tudo ao seu gosto.

Earthion consegue respeitar passado e presente, trazendo ação raiz, diversão simples, bom desafio e ainda consegue trazer algumas pequenas ajudas sem atrapalhar a experiência principal, mesmo para enferrujados ou pessoas que, se são mais novas, não têm costume com jogos assim, mas se interessam pelo tipo de jogo.
O game é extremamente “crocante” com seus pixels muito bem feitos, gameplay afiado e trilha sonora arrebatadora. Seria, caso tivesse sido lançado em 1993, um grande lançamento em seu tempo. Mas hoje, com uma indústria e públicos totalmente diferentes, ainda encontra um Porto Seguro em pessoas que irão aproveitar o game exatamente como ele foi feito, pois vão entender a “mensagem” passada em seu desenvolvimento.
Resta agora esperar a versão de Mega Drive, o motivo de Earthion existir, para ver o que poderemos curtir, dentro das limitações do console, mas com as possibilidades atuais. Outra coisa: se você quiser mais do game, saiba que ele traz versões de demo e até o primeiro protótipo.
Earthion já havia saído para PC, mas agora também está disponível para consoles PlayStation, consoles Xbox e Nintendo Switch. A versão para Mega Drive chegará em 2026.
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