Análise Arkade: Fading Echo é um divertido RPG de ação que brinca com elementos e fluidos

10 de agosto de 2026

Desenvolvido pela estreante Emetria, Fading Echo é mais uma grata surpresa entre os lançamentos de 2026. Um RPG de ação bastante focado em puzzles, o game traz uma estética super carismática e um cuidado audiovisual estupendo, além de jogabilidade criativa e competente. Tudo isso para nos colocar numa jornada que envolve mecânica de fluidos, realidades paralelas e interações elementais.

Se você está atrás de um jogo linear como poucos conseguem ser hoje em dia, mas sem abrir mão de um nível de qualidade decente e excelente jogabilidade, talvez valha a pena ler esse texto até o final, pois Fading Echo pode verdadeiramente te surpreender. Prepare seu cajado, vista uma roupa que pode molhar e vem comigo nessa review completa de Fading Echo.

A água fluindo através de dimensões

O que me surpreendeu já nos primeiros minutos jogando Fading Echo foi o carisma e personalidade de suas escolhas estéticas e de seus personagens. Tudo é muito estiloso por aqui, em uma arte que lembra vagamente o estilo mais autoral que vemos na franquia Aranhaverso nos cinemas. Nesse contexto acompanhamos a garota chamada de One, que vaga juntamente com sua mãe por um mundo desértico bem distópico.

A aventura em si começa quando One é escolhida por uma entidade multidimensional para impedir que a chamada Corrupção do Paradoxo acabe com todas as realidades. Realidades essas que são exploradas por One no decorrer do jogo de forma alternada, através dos poderes que a protagonista adquire que permitem que ela se transforme em água e interaja com diversos materiais distintos no decorrer da jornada.

Não demora muito até chegarmos no local chamado Bastion, um templo enorme que serve como uma espécie de hub do qual partimos para diversas regiões distintas, com o intuito de reconectar as diversas fontes do material chamado Aether espalhados pelo mundo. Tarefa necessária para juntar força o suficiente para que a entidade que nos dá o poder da água consiga restaurar o mundo corrompido e impedir a total aniquilação de tudo.

Mesmo que nada nessa premissa soe necessariamente original, é bacana ver como uma história mais clichê consegue se manter interessante simplesmente por uma narrativa cativante e personagens carismáticos ao longo do caminho. Os diálogos do jogo, repletos de sinismo e humor passivo-agressivo, conseguem cativar bastante. Ainda mais com o jogo totalmente dublado em português brasileiro, o que deixa tudo ainda mais imersivo.

Jogabilidade cativante

A jogabilidade de Fading Echo sem dúvidas é seu maior trunfo. Principalmente quando estamos falando de puzzles e mecânicas de jogo. Isso porque a principal habilidade de One se resume na personagem se transformando em uma esfera de água no melhor estilo Metroid Prime possível, que permite uma movimentação mais rápida e também a possibilidade de atravessar objetos que seriam impossíveis por um corpo sólido.

Se fosse só isso, o jogo já seria interessante, mas aqui em Fading Echo temos toda uma relação elemental e química entre essa esfera de água e vários elementos do cenário. Por exemplo: essa esfera de água vai molhando o cenário por onde ela passa, gerando um rastro de água que pode ser recoletado depois por One para recarregar sua barra de energia mais rapidamente.

Mas essas mecânicas interativas brilham mesmo quando somos apresentados a outros elementos fluidos do cenário, como poças de veneno ou rios de lava. Existem orbes específicas que podemos carregar dentro da nossa esfera de água e, quando estouramos essa orbe, nos transformamos temporariamente naquele elemento específico. Cada elemento traz uma habilidade diferente para One: se a água é mais ágil, o veneno permite saltar mais alto, enquanto a lava nos transforma numa esfera de vapor que nos permite acessar locais mais altos ou mais distantes temporariamente.

E isso só pra exemplificar os usos mais básicos dos elementos mais básicos do jogo. Mais pra frente encontramos puzzles cheios de mecânicas como grudar em determinadas superfícieis, carregar chaves por caminhos incertos e atravessar tubos de fluidos para alcançar locais escondidos. Tudo isso começa a se combinar de formar bem inteligentes e nada mastigadas para o jogador, nos obrigando a experimentar e tentar de diversas formas diferentes até resolver cada enigma.

As bolhas interdimensionais

Como se não bastasse os puzzles envolverem diversas interações químicas e mágicas diferentes, ainda podemos incluir como uma das principais mecânicas do jogo as plataformas de transporte entre realidades. Elas funcionam como verdadeiras bolhas que nos transportam não espacialmente, mas extradimensionalmente.

Com isso, muitas vezes precisamos descobrir a ordem certa de atravessar determinados locais combinando realidades diferentes em ordens específicas para conseguir itens específicos e transportá-los entre realidades. Ás vezes achave para você passar por um suposto caminho bloqueado está em outra realidade, te obrigando a fazer todo um caminho extradimensional para resgatar um objeto específico.

Isso tudo funciona de modo bem fluido justamente porque a tela de loading entre essas dimensões paralelas é inserida dentro da própria gameplay. Daí, mesmo que leve um minutinho para carregar o outro mapa, não temos necessariamente aquela sensação de quebra de ritmo de jogo, até porque não paramos de controlar One em momento nenhum do processo, o que é bem legal.

Combate não tão inspirado

Porém, nem tudo são flores no que tange a exploração do jogo. Isso porque mesmo que tenhamos mecânicas tão interessantes e interativas, o level design peca um pouco em construir cenários convidativos a serem explorados. Muitas vezes nos perdemos sobre o que realmente é acessível e o que é cenário de fundo do game, além também de não ficar claro de início o que é uma queda fatal e o que são plataformas acessíveis.

O problema que citei agora a respeito da exploração do game é somado com um senso de repetição um pouco frustrante. Isso porque existem muitos cenários muito parecidos. Cenários esses que me fizeram ter a sensação de estar perdido ou em um beco sem saída mais vezes do que eu gostaria de admitir enquanto eu jogava. Isso ao meu ver é um problema de level design porque, isso sim, quebra bastante o ritmo de jogo.

Somado a isso, os combates também geram um senso de repetição um tanto frustrante na maior parte da jogatina. Demora mais do que deveria para conseguimos acessar uma variedade decente de movimentos que nos permitem gerar combates mais inspirados. Na maior parte do tempo, é basicamente apertar repetidamente um mesmo botão enquanto alternamos com uma esquiva aqui e ali.

Até existem mecânicas de relação elemental para congelar os inimigos, enfraquecer suas defesas ou simplesmente empurrá-los para fora de plataformas, gerando uma morte instantânea. Porém, mesmo essas interações não tiram a sensação de repetição que rapidamente passamos a ter com os combates. Isso ao meu ver se dá justamente pela pouca opção de movimentos que temos com One nesse quesito, que é um contraste até bem grande em relação a outras mecânicas do jogo.

Acima de tudo, um jogo com personalidade

Fading Echo não é perfeito, isso é um fato. Com combates pouco inspirados e exploração um tanto confusa, o jogo tem pontos relevantes a serem melhorados. Entretanto, nem de longe se torna um jogo dispensável por isso. Na verdade, o game transborda originalidade e personalidade, seja em suas escolhas estéticas, em seus personagens carismáticos ou em suas mecânicas de puzzle criativas.

Para um jogo indie distribuído pela Nuuvem, Fading Echo surpreende em vários aspectos, podendo agradar bastante aqueles que sentem falta de bons jogos de plataforma/aventura ou ação mais lineares que estávamos bem acostumados na geração do PS3 e Xbox 360. Revisitar esses gêneros em Fading Echo foi realmente prazeroso. E experienciar tudo isso com dublagens cheias de vozes marcantes da dublagem brasileira só deixa tudo com um gostinho ainda melhor, mesmo que não seja perfeito.

Fading Echo foi lançado no dia 21 de julho de 2026 e está disponível para PCs (via Steam e Epic Games), Steam Deck (funcionando bem com Proton Experimental) e Xbox Series, com uma versão pra PlayStation 5 ainda em desenvolvimento.

O jogo possui localização completa para português brasileiro, incluindo vozes famosas na dublagem como Guilherme Briggs, Carol Valença, Adriana Torres, Flávia Saddy e Reginaldo Primo.

Gilson Peres

Gilson Peres é Psicólogo, Mestre em Comunicação e aqui no Arkade fala principalmente sobre Realidade Virtual, jogos de PC e novas tecnologias desde 2019.

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