Análise Arkade – Fighting Force Collection traz dois clássicos do beat ‘em up 3D para os dias atuais
Os dois games da série Fighting Force estão de volta, em mais um projeto que busca preservar clássicos e apresentar estes jogos para uma nova geração.
Os anos 90 tiveram duas metades bem interessantes, no mundo dos games. A primeira metade foi marcada pelo auge dos fliperamas barulhentos, jogos em 2D com sprites cada vez mais avançados e games de luta e pancadaria fazendo a cabeça de todos.
Já na segunda metade, após a chegada do primeiro PlayStation, Saturn e Nintendo 64, o 3D trouxe novas possibilidades. Logo, estes jogos bidimensionais ficariam fora de evidência (embora ainda populares), dando lugar a jogos de aventura, exploração e até a introdução de novos gêneros, como o survival horror.
Isso não significou que o beat ‘em up, que daria uma “pausa” nestes dias para voltar com tudo duas décadas depois, ficou sem representatividade no mundo tridimensional. Tekken 3 conseguiu colocar um mini-jogo nesse estilo, Jackie Chan Stuntmaster trouxe uma aula de como fazer um jogo do gênero em três dimensões e a série Fighting Force também contribuiu, com dois jogos interessantes.

E, para relembrar este interessante capítulo da história dos games, Fighting Force Collection chegou aos consoles PlayStation, Nintendo Switch e PC (via Steam). Desenvolvida originalmente pela Core Design e publicada recentemente pela Limited Run Games com o Carbon Engine, a coleção reúne Fighting Force (1997) e Fighting Force 2 (1999) em versões fiéis aos originais do PlayStation, sede forma integral, sem grandes mudanças mas com algum recurso moderno aqui e ali.
Os dois jogos são beat ’em up em 3D que contam a história da transição do gênero e de vários outros jogos para ambientes tridimensionais na segunda metade dos anos 90. O primeiro título permite escolher entre quatro personagens — Hawk Manson, Mace Daniels, Alana McKendricks e Ben “Smasher” Jackson — e oferece modo cooperativo local para dois jogadores. Já o segundo foca em um único protagonista, Hawk Manson, com mecânicas semelhantes, mas em cenários diferentes.
O que a coleção oferece hoje

A versão atual mantém a jogabilidade original, com adição de recursos modernos típicos do Carbon Engine:
• salvamento em qualquer momento
• rebobinação
• filtros de tela
• galeria de artes conceituais
Fora isso, tudo do jogo original permanece o mesmo: a possibilidade de destruir vários elementos do cenário, armas (que vão de armas de fogo até pneus de carros destruídos) e a boa é velha pancadaria “travada” de jogos que tentavam levar um gênero consagrado para uma nova forma de se jogar.
Quem jogou na época, pode aproveitar a nostalgia, mas vai ter que entender que muita coisa dos games mudou de lá para cá. O modo cooperativo ainda é divertido por motivos óbvios, e a ideia de quebrar quase tudo e usar disso pra somar pontos (necessários para conquistas e troféus nesta versão) e achar itens úteis no game, mas não espere um gameplay fluído como nos jogos atuais.

Obviamente, o tempo mostra seus sinais nesta versão. A câmera é fixa e muitos vão ficar bravos pois a alavanca da direita “não está funcionando”. É o jogo que tenta o melhor ângulo pra você e claramente isso não funciona bem, especialmente hoje, quando nós temos o controle total deste elemento.
Outra coisa que pode desagradar quem está desacostumado, é a repetitividade desde gênero. Hoje em dia, temos a Dotemu e sua referência em pancadaria, mas que entende isso e busca trazer variedade em seu cardápio beat ‘em up. Mas como estamos falando de jogos dos anos 90, é o que temos e temos que ser felizes assim.
Mas independente disso, o primeiro Fighting Force está, como dizemos, “filé”. O jogo roda macio, é ainda divertido de se jogar, se entendido e respeitado seu contexto de época, mas o mesmo não podemos dizer do segundo jogo. Não é culpa de quem o trouxe de volta hoje, mas sim do próprio game, que regrediu muito em comparação ao original.
Nostalgia divertida para quem procura relembrar os velhos tempos

A Fighting Force Collection atende principalmente quem quer reviver memórias do PS1 ou experimentar beat ’em up clássicos em 3D sem grandes expectativas técnicas. O cooperativo local são argumentos favoráveis para reuniões de amigos, prontos para relembrar estes bons momentos.
Para jogadores acostumados com títulos mais modernos, a experiência pode parecer datada demais. E para a turma do “eu já jogo isso no emulador”, este tipo de projeto não é para você. Estes relançamentos, tanto da Limited Run, quanto da QUByte entre tantos outros, buscam apenas trazer praticidade para quem não sabe e não quer mexer com emuladores, além de uma interessante preservação destes jogos.
Dito isso, se você curte a preservação de jogos antigos, não liga para elementos datados e tem um amigo para jogar junto, a coleção cumpre o papel. Existe um público para estes relançamentos e se você se encaixa nele, com certeza irá se divertir bastante, e quem sabe até descolar mais conquistas com os desafios dos dois games.
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- Plataformas
- PlayStation, Nintendo, PC, Retrô
- Lançamento
- 31 de outubro de 1997
- Desenvolvedora
- Core Design
- Publicadora
- Eidos Interactive
- Gênero
- Beat 'em up



