Análise Arkade: Final Fantasy Resonance, um jogo novo (e incrível) que resgata o charme dos clássicos
Final Fantasy Resonance resgata o combate por turnos e a estética clássica da franquia (em HD-2D) em uma aventura imperdível para fãs!
Final Fantasy Resonance chega esta semana, e representa um marco na história da franquia. Depois de tantas aventuras em 3D, combates em tempo real e apresentações cada vez mais cinematográficas, é um jogo que olha para trás e resgata elementos clássicos como os personagens pixelados, as batalhas por turnos e, claro, uma história envolvendo cristais mágicos ameaçando o destino do mundo.
História
A aventura começa no reino de Grandshelt, uma terra cuja população vive em paz graças ao poder de enormes cristais mágicos. Essa tranquilidade logo chega ao fim quando Rain, comandante de um esquadrão de airships, e seu amigo Lasswell recebem do Rei a missão de investigar um santuário onde a proteção do Cristal da Terra está enfraquecendo.

Chegando lá, os dois encontram um misterioso guerreiro de armadura negra que demonstra um poder assustador e destrói o cristal diante deles. Após uma derrota devastadora, Rain e Lasswell retornam ao reino e descobrem que a ameaça é ainda maior do que imaginavam.
Existe um grupo de poderosos malfeitores — os Sworn Six — determinados a destruírem todos os cristais. Antes de embarcarem em uma jornada para proteger os cristais restantes, Rain e Lasswell conhecem Fina, uma garota misteriosa e sem memória que deseja ajudá-los nesta missão.

O que começa como uma missão para impedir a destruição do mundo logo se transforma em uma aventura repleta de revelações emocionantes, conflitos pessoais e lições de coragem, altruísmo e lealdade.
Não quero entrar em detalhes que possam estragar surpresas, mas posso dizer com tranquilidade que fazia tempo que um novo Final Fantasy não me emocionava tanto. A história é cheia de passagens impactantes, personagens ricos e momentos genuinamente tocantes. É impressionante como estes bonequinhos pixelados conseguiram fazer com que eu me importasse não só com eles, mas com sua missão e o destino daquele mundo.
Gameplay familiar e nostálgico
Em termos de gameplay, Final Fantasy Resonance é muito familiar. Temos um mapa-mundi visto de cima repleto de dungeons, cavernas e cidades para explorar — e, sim, podemos chamar um chocobo para agilizar a exploração!

Os combates são por turnos, como antigamente. A UI de batalha exibe uma timeline no topo da tela, que organiza a ordem das ações de aliados e inimigos. Escolhemos ataques, magias e habilidades navegando por menus, sempre de olho nos stats da party e nas fraquezas dos inimigos para decidir a melhor estratégia.
Os confrontos são mais ou menos aleatórios — um “medidor de perigo” no mapa indica quão perto estamos de entrar em combate — podem incomodar quem não está acostumado, mas né, tudo isso faz parte daquela estrutura clássica de JRPG que ajudou a definir a identidade da franquia.

Além de tudo isso, as classes de personagens estão de volta — 6, no total, nem todas clássicas — mas há alguma flexibilidade na evolução graças às habilidades que podemos herdar das Visions (mais sobre isso na sequência). No geral, a experiência de jogo, seja na exploração ou no combate, é deliciosamente nostálgica.
Nostálgico, mas com gostinho de futuro
Faz tempo que Final Fantasy deixou para trás o combate tradicional por turnos. Eu gosto das experiências mais focadas em ação que a série oferece hoje, mas é ótimo reencontrar essa estrutura clássica — especialmente porque ela arruma espaço para inserir novidades. E a principal delas são as Visions.

A história incorpora conceitos de multiverso para trazer heróis lendários de outros Final Fantasy para o universo de Resonance. O Warrior of Light de FF1, Terra de FF VI, Cloud de FF VII, Zidane de FF IX e Noctis de FF XV (entre vários outros) podem ser “equipados” por meio de cristais que guardam a essência desses personagens.
Na prática, eles funcionam mais ou menos como Personas, oferecendo suas habilidades e ataques especiais para o time — em troca de pontos de MP. Suas habilidades mais poderosas, porém, estão atreladas a um engenhoso sistema de stagger (atordoamento).
O básico é simples de entender: todo inimigo tem uma barra de stagger que, quando esvaziada, deixa o oponente atordoado — e, obviamente, explorar as fraquezas elementais dos inimigos é uma forma simples e eficaz de atordoá-los.

Se conseguimos colocar todos os adversários nessa condição, entramos no sweeping stagger e não só ganhamos um turno extra de ação, como também podemos ativar as habilidades mais poderosas das Visions — chamadas Resonances.

A apresentação é sensacional: os heróis surgem em CGs super detalhadas, executam sequências estilosas de ataques e, em seguida, seus golpes aparecem integrados ao combate em pixel art.
Confira o ataque especial do Cloud abaixo:
Lega, né? É uma mistura de estilos que funciona tanto visualmente quanto na estratégia, já que esses ataques podem mudar completamente o rumo de uma batalha.
Além das Visions, temos os tradicionais Summons, aqui chamados de Espers. A forma como “caçamos” eles é interessante: os Espers não são simplesmente entregues de bandeja. Precisamos ouvir NPCs e investigar relatos sobre criaturas misteriosas espalhadas pelo mundo, para então encontrar seus esconderijos, enfrentá-las e só então conquistar o direito de invocá-las.

Essa exploração opcional é uma dos diferentes tipos de side quests que Final Fantasy Resonance possui. E o melhor é que nenhuma delas é tipo “encontre minha panela preferida”. Cada missão opcional tem uma narrativa instigante, aprofunda um pouco mais o mundo do jogo e os personagens que nele vivem — e, de quebra, nos dão motivos para explorar, grindar e desvendar segredos.
Audiovisual
A apresentação audiovisual é simplesmente impecável. Final Fantasy Resonance é o primeiro Final Fantasy a adotar a estética HD-2D, combinando personagens em pixel art com ambientes tridimensionais, iluminação elaborada, sombras, efeitos de partículas e tantos outros recursos modernos.

O resultado preserva o charme dos jogos clássicos sem abrir mão do apelo visual contemporâneo. Os cenários são ricos em detalhes e os personagens pixelados são bonitinhos e expressivos — enquanto as ilustrações que vemos durante os diálogos são detalhadas e cheias de personalidade. Jogos como Octopath Traveller e o recente The Adventures of Elliot têm o mesmo capricho, mas é ótimo vermos isso aplicado a um legítimo Final Fantasy.

A trilha sonora também respeita a tradição da franquia, com composições grandiosas e releituras de temas conhecidos, que ganham novos temperos sem perder a essência original. A dublagem é outro destaque: embora nem todo diálogo tenha vozes (conversas com NPCs genéricos em cidades são só por textos), o elenco faz um excelente trabalho em conceder personalidade aos personagens e peso aos momentos dramáticos.

A grande decepção fica por conta da ausência de legendas em português brasileiro. É uma pena que um RPG com uma narrativa tão densa e emocional não receba uma localização que permita a mais jogadores aproveitarem sua história. Quem cresceu jogando RPGs em inglês vai conseguir acompanhar a aventura sem grandes dificuldades, mas a barreira do idioma continua sendo tão problemática quanto a falta de critério da Square Enix para escolher quais jogos merecem tradução.
Conclusão
Mesmo sendo uma adaptação de um jogo mobile já descontinuado (Final Fantasy: Brave Exvius), o que temos aqui está longe de ser apenas um spin-off, ou um título de menor impacto. Final Fantasy Resonance é um retorno às origens de uma série que passou por transformações profundas ao longo dos anos, mas também é um jogo novo, que usa o que há de melhor em tecnologia para entregar uma experiência HD-2D belíssima e inesquecível.

Eu já esperava gostar de Final Fantasy Resonance, mas não imaginava que ele fosse mexer tanto comigo. Para ser sincero, acho que desde Final Fantasy X não me sentia tão envolvido emocionalmente com um novo game da franquia. E, considerando que a apresentação aqui é bem menos “cinematográfica”, isso é um baita atestado da qualidade narrativa de Resonance.
De fato, Final Fantasy Resonance meio que resgata tudo aquilo que fez eu me apaixonar pela série: combates estratégicos, uma apresentação audiovisual belíssima e uma narrativa emocionante. É um retorno às raízes que não vive apenas de referências ao passado, mas entende como torná-las relevantes novamente.

Eu consigo entender quem bater o olho nele e pensar que ele “joga sujo” ao apelar para a nostalgia de tantos personagens queridos da franquia Final Fantasy. Mas, felizmente, não faz isso como fan service gratuito. Tais heróis lendários estão aqui como coadjuvantes de luxo: o verdadeiro coração de Final Fantasy Resonance está em Rain, Lasswell, Fina e nos demais companheiros (originais) que farão ao longo da jornada.
Em resumo, Final Fantasy Resonance é um jogo imperdível, especialmente para quem cresceu curtindo os clássicos da saga ali nos 16 e 32 bits. Mas, mesmo quem conheceu a franquia por suas entradas mais modernas, tem muito o que apreciar aqui, pois estamos diante de um JRPG excelente, que demonstra como uma fórmula antiga ainda pode surpreender quando executada com esmero.
Final Fantasy Resonance chega no dia 22 de outubro, com versões para PC, Playstation 5, Xbox Series, Nintendo Switch e Switch 2 (versão analisada, que inclusive roda muito bem, tanto em modo portátil quanto dockado).
- Plataformas
- PlayStation, Xbox, Nintendo, PC
- Lançamento
- 22 de outubro de 2026
- Desenvolvedora
- Square Enix, Lancarse
- Publicadora
- Square Enix




