BGS 2026 – Menor, com mais ausências, mas trazendo games ainda não lançados
A BGS 2026 foi muito diferente do que estamos acostumados. Com muitas ausências e uma sensação de que a feira ficou menor. Vamos falar um pouquinho sobre a edição deste ano.
2026 foi um ano com muitos eventos no Brasil, pelo menos em relação a games, com a “bolha” estourando e várias novas feiras surgindo pelas diferentes regiões do Brasil, alguns menores, com foco no público local, e outros cada vez maiores, trazendo até publico internacional para cá. Nesse cenário, a Brasil Game Show, o mais antigo e tradicional evento de games do país, teve mais uma edição, mas uma que não teve a “cara de BGS” que deveria ter.
A esse ponto, a ausência de Playstation e Xbox nem importa mais. Já estamos acostumados com as duas não darem mais as caras. Apesar da Xbox atualmente até colocar estandes pequenos, só com algumas estações com seus jogos, em eventos. Mas nem isso tivemos na BGS 2026. E a Playstation até estava lá, mas sem nenhum game, apenas com uma barraquinha vendendo produtos como roupas e canecas.
Somente a Nintendo mantém o padrão e faz o que se espera, focando em trazer seu estande gigantesco cheio de games e atrações para o público, como painéis para tirar focos, brindes e esse ano trazendo mais uma vez ao Brasil o grande Charles Martinet, a voz original de Mario e Luigi.

Quem realmente surpreendeu foi a Sega, que este ano trouxe um estande maior, com muito mais coisas, incluindo games que ainda não foram lançados, como Persona 4 Revival e Crazy Taxi: World Tour, com muitas estações para os jogadores poderem testar esses games antes do lançamento!
A Square Enix também trouxe um verdadeiro presente para o público brasileiro: Final Fantasy VII Revelation e Final Fantasy Resonance, ambos games imensamente aguardados, para serem testados antes de seus lançamentos! Os dois games estavam disponíveis num estande pequeno, mas cheio de estações para os jogadores, sendo possivelmente a maior atração deste ano, e uma que definitivamente chamou muito a atenção do público.
E a Activision também esteve presente com um estande focado em Call of Duty: Modern Warfare 4, colocando os jogadores para jogar um contra o outro em partidas multiplayer e até receber alguns brindes.
A Senac levou um grande estande para exibir os games criados por seus alunos, e os indies como sempre trouxeram interação, conversas com o público e games diferentes e surpreendentes, mas sem receberem a devida atenção do evento em si.

E… meio que foi isso. Pelo menos em termos de grandes nomes que vieram ao evento esse ano. Não tivemos Capcom, nem Nvidia com seu tradicional estande, nem a Samsung, que havia se tornado uma presença comum, e nem mesmo a Ubisoft que apesar de não trazer um estande próprio há anos, sempre estava presente de alguma forma com seus torneios de Just Dance. Até A Riot Games, que normalmente traz muitas atrações, especialmente de League of Legends, não teve um estande ou mesmo interações com o público esse ano.
Em termos dos grandes estandes que realmente eram a marca da Brasil Game Show, 2026 deixou muito a desejar. A maioria dos outros estandes presentes tinham foco na apresentação de periféricos, como controles, mouses, teclados e headsets, bem como lojas vendendo colecionáveis, além é claro os indies, que finalmente ganharam mais espaço na BGS, que ano após anos os escondia em locais isolados e bem apertados.
Os Indies estavam bastante presentes na BGS 2026, e foi justamente entre eles que passei a maior parte do tempo em minha visita, jogando, conhecendo novos games que entraram na minha wishlist e podendo conversar com seus criadores. E o público também fez o mesmo, com muita gente visitando e apoiando os indies. E tinha coisa boa por lá!

Entre os destaques que conferi estão o próprio Joeveno, criador de Aviãozinho do Tráfico, que compareceu em pessoa para trazer uma experiência 100% brasileira, pois ele trouxe versões físicas de Aviãosinho do Tráfico Pré-4, contendo chave da Steam, disco, manual e mais brindes, além de trazer uma verdadeira joia: Um port real de Aviãozinho do Tráfico 3 para Playstation 2, vendido em plastiquinho de camelô! E eu tive que garantir uma cópia para mim!
Outro destaque foi o game Arcane Ryft, dos brasileiros da Pixell Games, uma divertida mistura de Roguelike, RPG por turnos e Pokémon, com o jogador criando uma party e partindo em runs. E ainda tivemos alguns outros games brasileiros muito divertidos, como Caravana 2000, que transforma a Carreta Furacão num FPS de terror. Sigils of Nightfall, um game que mistura Deckbuilder, Dungeon Crawler, Roguelike, D&D em algo extremamente desafiador e viciante.
Infelizmente, ainda que a área dos indies não estivesse confinada e escondida, ainda assim estava, de certa forma, “marginalizada”, jogada mais pro canto da área utilizada no pavilhão da Arena Anhembi, e sendo disponibilizados apenas alguns cubículos simples e alguns totens para os desenvolvedores apresentarem suas criações. Essa será uma crítica minha constante ano a ano até que os indies sejam tratados com o respeito que merecem. É claro que eles infelizmente não terão estandes customizados e cheios de atrações como os das grandes produtoras, pois cada expositor é responsável pelo o que leva (tendo que pagar para estar lá), mas eu sou da opinião que indies merecem e precisam de desataque, sempre.

A área com fliperamas e arcades também estava de volta, maior do que antes e com muitas atrações para o público. Algumas que agora passaram a ser cobradas, como as máquinas de soco e os martelos para testar a força. Um inconveniente, mas provavelmente inserido devido as imensas filas que essas máquinas geram. Mas ainda assim, essa área, como sempre, era imensamente movimentada, atraindo não só a galera mais velha, mas muita criançada!
Uma atração que já estava presente nas edições anteriores mas agora ganhou seu próprio espaço foi o dos simuladores em VR, com simuladores de corrida, montanhas-russas e até uma experiência coletiva em um ambiente VR em que os visitantes podiam andar e interagir livremente dentro de um espaço cercado.
No fim, a edição de 2026 da Brasil Game Show foi… diferente. E isso já era notável ao visualizar o mapa dos estandes da feira que, primeiro, não apareciam no app oficial da BGS, mesmo após atualizar o app (Só consegui encontrá-lo pesquisando na internet, e apenas em sites externos à feira), segundo, não listava o que cada estande continha e terceiro, mostrava que havia muito espaço mal utilizado. E era visível lá dentro do pavilhão da Arena Anhembi que mesmo utilizando todo o espaço do pavilhão, parecia que tinha pouca coisa lá.

A sensação que ficou no final, na perspectiva da de um visitante em pleno fim de semana, quando a feira atinge sua lotação máxima, foi a de que, ainda que houvesse bastante coisa para se ver, ao mesmo não tempo não havia muito o que se ver.
Havia bastante coisa nos estandes menores, na área indie, nas lojas espalhadas lá dentro e nas atrações fora do “foco mainstream”. Mas não havia muito o que se ver pois essa foi a edição com a menor presença da indústria de games em si. A Nintendo felizmente é praticamente a única das três grandes que realmente está se importando com o Brasil de fato, criando conexões e interagindo diretamente com o público, entregando a experiência grandiosa e pomposa que se espera de um evento do porte da BGS.
A Sega fez o mesmo e trouxe um grande estande cheio de atrações e games ainda não lançados, suprindo o vácuo deixado por Playstation e Xbox cuja presença já nem se espera mais. A Sega sabe que o público brasileiro a ama e tem história com ela, está vindo ao Brasil justamente para reconstruir essa relação do passado.

A Square Enix teve um estande mais enxuto, mas trouxe o que o público realmente quer: games antes do lançamento. Mas não qualquer game, e sim Final Fantasy. E ela trouxe exatamente isso!
E… foi isso. Quando você consegue ver tudo o que quer em apenas um dia de BGS, com certeza isso é algo realmente bom, pois você conseguiu aproveitar bem o dia. Quando você vê tudo o que quer ver e não sobra muito mais coisas para fazer, mas sobra tempo para matar lá dentro, já não é legal. E isso evidencia que as ausências desse ano foram especialmente impactantes.
Não é somente a ausência da Playstation e Xbox, que com toda a certeza deixaram um imenso vácuo. Mas é a ausência mesmo dos vários estandes grandes ou médios (em tamanho), com Capcom, Ubisoft, Samsung, Nvidia, Warner, Blizzard e etc. Mesmo sem todas essas empresas, felizmente havia como se divertir lá dentro, mas não havia conteúdo o suficiente para um evento do porte da Brasil Game Show. Realmente havia pouca coisa para se ver esse ano.
Sempre termino apontando que, inevitavelmente, há coisas a se melhorar para o ano seguinte. E é preciso reconhecer que trazer as grandes empresas da indústria de games não é algo simples de se fazer. Será que é falta de interesse da parte deles? Excluindo Playstation e Xbox, não acredito que seja. A Capcom tem uma relação linda com o Brasil. A Samsung é a maior vendedora de smartphones e TVs no país, ela entende o mercado daqui, especialmente o mercado gamer. A Nvidia sempre esteve presente e sempre teve estantes apinhados de gente. E a Ubisoft, mesmo não tendo um estande próprio há anos, pelo menos trazia Just Dance. Então, o que aconteceu?
Podemos especular a vontade. E certamente há muitas coisas visíveis que podem explicar o motivo de uma edição tão morna. A única coisa que espero é que na BGS 2027 essa pergunta sequer surja na mente.
- Plataformas
- PlayStation, Xbox, PC
- Lançamento
- 18 de fevereiro de 2027
- Desenvolvedora
- Atlus, P-Studio
- Publicadora
- Atlus, Sega




