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Análise Arkade – Gears of War: E-Day olha para o passado e revitaliza a série com uma campanha incrível

Já jogamos Gears of War: E-Day! Confira nossas impressões sobre a campanha, que olha para o passado para recolocar a franquia nos trilhos em grande estilo!

Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade -

Depois de alguns altos e baixos, com novas gerações de personagens e histórias inconclusivas, Gears of War: E-Day olha para o próprio passado, mas sem medo de trazer novos ingredientes à receita. Esta é nossa análise de Gears of War: E-Day.

Gears of War: E-Day é um jogo importante por diferentes motivos. Para começar, ele enfim conta a história que todos queriam ver: o momento em que tudo começou, quando os Locust emergiram das profundezas de Sera e transformaram um período de relativa paz no início de uma guerra que mudaria completamente aquele mundo. Além disso, ele também é um jogo que precisa agradar tanto os fãs das antigas quanto apresentar Gears para uma nova geração de jogadores — afinal, já se passaram 20 anos desde que a franquia começou, lá no Xbox 360.

O começo de tudo

Gears of War: E-Day volta ao passado para visitar um dos acontecimentos mais importantes da lore da franquia: o Dia da Emergência, quando os Locust surgiram das profundezas de Sera e deram início a uma guerra que transformaria completamente o planeta.

Análise Arkade - Gears of War: E-Day (imagem 2)

A história acontece após um longo período de conflitos em Sera. O planeta finalmente começava a vislumbrar a possibilidade de um período de paz, e muitos soldados estavam se preparando para deixar o exército e descobrir como seria a vida longe dos campos de batalha.

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Nossos queridos Marcus e Dom fazem parte dessa geração que acreditava estar deixando a guerra para trás. Só que essa esperança desaparece quando um exército de monstros começa a emergir do subsolo com intenções assassinas. A Emergência interrompe brutalmente qualquer possibilidade de aposentadoria e força os soldados a voltarem à ação justo quando eles acreditavam que iriam “pendurar as chuteiras”. Um novo conflito, ainda mais sangrento, está só começando.

Análise Arkade - Gears of War: E-Day (imagem 4)

Um diferencial interessante deste momento histórico é que nós (na teoria) sabemos muito mais que os personagens. Quem acompanha Gears of War já conhece os Locust e a ameaça que eles representam. Mas, ainda que muitos dos inimigos sejam familiares, a The Coalition insere novas monstruosidades que não deixam os combates caírem na mesmice. Prepare-se para odiar uma nova leva de criaturas hediondas entre os Locust — algo que fica um pouco incoerente com o que viria depois, mas é um problema recorrente de prequels.

Para os soldados, no entanto, tudo é completamente novo naquela situação. Eles não entendem o que está acontecendo, o que aquelas criaturas querem ou como podem ser combatidas. Sem contar que a possibilidade de vermos Marcus Fenix e Dominic Santiago ainda “verdes”, inexperientes, muito antes de tornarem-se os veteranos calejados que conhecemos, é muito interessante.

Análise Arkade - Gears of War: E-Day (imagem 5)

Essa perspectiva dá à história uma dimensão diferente. O Dia da Emergência não é apenas o início de mais uma guerra; é o momento em que a própria existência de Sera muda para sempre. Estamos acostumados a ver este mundo desolado, em ruínas. Aqui, porém, vemos este mundo sendo surpreendido pela guerra. Kalona, a cidade em que se passa boa parte da campanha, estava tendo um dia comum — mas de repente, bancos, hotéis e restaurantes se transformam em áreas de sobrevivência, enquanto civis correm desesperados e tentam encontrar algum lugar seguro.

Análise Arkade - Gears of War: E-Day (imagem 3)

No fundo, E-Day conta uma história bastante familiar dentro da temática da série Gears of War. Heroísmo, lealdade e sacrifício continuam sendo os pilares da narrativa, agora acompanhados pela brutalidade de uma guerra que ninguém esperava começar. A diferença é que, ao voltar para o primeiro grande confronto entre humanos e Locust, o jogo consegue dar um novo significado a elementos que os fãs já conhecem. E faz isso enquanto nos mostra como Marcus Fenix e Dominic Santiago começaram a se transformar nos heróis que conhecemos.

Gameplay familiar, mas refinado

Se existe algo que Gears of War: E-Day não precisa reinventar é justamente aquilo que sempre fez melhor. O grosso da campanha continua baseado em tiroteios no formato cover based, com momentos de exploração e alguns coletáveis espalhados pelos cenários.

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Análise Arkade - Gears of War: E-Day (imagem 6)

O sistema de tiro e cobertura que ajudou a definir o gênero continua extremamente divertido e funcional. O “shooter de murinho” ainda funciona muito bem, e os cenários são cuidadosamente construídos para favorecer esse tipo de combate, com veículos, muretas, fontes e balcões que se transformam em barricadas e proteções durante os confrontos.

A The Coalition afirma ter reconstruído o sistema de cobertura para ampliar a variedade de posições e ações disponíveis, e isso é notável no calor dos combates. Quando você está atrás de uma barreira de madeira, por exemplo, e ela vai sendo destruída pelos tiros, você vê seu personagem se dobrando e até deitando para se manter protegido até o último momento.

Análise Arkade - Gears of War: E-Day (imagem 7)

As armas que todo mundo adora — o fuzil Lancer, a escopeta Gnasher, o rifle de precisão Longshot — estão de volta, acompanhados de alguns novos tipos de armamentos e explosivos (muitos deles oriundos da tecnologia Locust). Inclusive, aqui podemos testemunhar a evolução da Lancer, da baioneta à motosserra que se tornou marca registrada da franquia.

Uma novidade que chama atenção é a possibilidade de personalizar armas e equipamentos. Ao longo da campanha, podemos encontrar perks e acessórios para nossos armamentos. Ao encontrarmos arsenais — que funcionam como pontos para troca e aprimoramento de equipamentos –, podemos equipar estes modificadores.

Análise Arkade - Gears of War: E-Day (imagem 8)

Isso permite, por exemplo, adicionar uma baioneta à escopeta, melhorar a mira de um rifle de precisão ou aumentar a capacidade de munição da Lancer. A armadura também pode receber modificações que alteram atributos do personagem, enquanto equipamentos oferecem habilidades específicas, como uma injeção de adrenalina capaz de recuperar a vida instantaneamente ou um drone que auxilia na localização dos inimigos. É uma camada de personalização que a série ainda não havia explorado desta maneira, e que consegue ser incorporada ao gameplay sem transformar Gears em um RPG.

Campanha linear, mas aberta

Não é de hoje que a franquia Gears of War flerta com mapas mais abertos. A diferença está na forma como isso é incorporado ao jogo: enquanto Gears 5 trazia, com seus veleiros por gelo e areia, uma abordagem que acabava ficando um pouco deslocada do gameplay tradicional da série, E-Day incorpora mapas mais expansivos sem descaracterizar a experiência.

Análise Arkade - Gears of War: E-Day (imagem 9)

Em determinados momentos da campanha, ficamos livres para explorar áreas mais abertas — como a cidade de Kalona, por exemplo — mas calma: não é um mundo aberto, mas um mapa que, em escala e densidade, lembra um pouco o que encontramos nos últimos jogos da série Sniper Elite: áreas densas, que recompensam a exploração e a curiosidade do jogador.

Análise Arkade - Gears of War: E-Day (imagem 10)

De fato, tirando o objetivo principal, nada fica simplesmente marcado no mapa: é preciso explorar e prestar atenção aos arredores para encontrar colecionáveis e missões secundárias. A curiosidade me levou, por exemplo, até um esquadrão de Gears encurralados, a uma construção abandonada tomada pelos Locust e a um sniper solitário que tenta honrar seus companheiros caídos eliminando o máximo de inimigos possível.

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São pequenas histórias e situações que ajudam a ampliar a percepção sobre os primeiros momentos da guerra e dão um contexto maior para o que está acontecendo em Kalona. Conteúdo super interessante e, ao mesmo tempo, opcional. Quem quiser seguir apenas as missões da campanha pode fazer isso sem grandes problemas — aqui não há level up, nem nada: o máximo que você vai perder são perks e modificadores. É fato, porém, que quem decidir explorar estas áreas mais amplas vai encontrar uma experiência consideravelmente mais rica.

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Também gostei da maneira como o clássico modo Horda foi incorporado à campanha. Em alguns momentos, somos colocados em situações que exigem que se estabeleça uma posição defensiva, espalhando armadilhas e erguendo fortificações para resistir a ondas sucessivas de Locust. São momentos pontuais, mas que funcionam bem justamente por quebrarem a cadência tradicional dos tiroteios, e nos obriga a pensar um pouco mais sobre nossa posição e sobre como utilizar o espaço para sobreviver.

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Gears of War: E-Day entende que não precisava transformar a série em outra coisa para fazê-la evoluir. O trabalho foi muito mais de refinamento e aperfeiçoamento. O tiro, a movimentação e o combate baseado em cobertura continuam sendo o coração da experiência, e tudo está mais bem calibrado do que nunca.

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Com as novas possibilidades de exploração e personalização, temos uma experiência que continua sendo indiscutivelmente Gears of War, mas apresenta uma versão mais fluida, variada e refinada daquele que continua sendo um dos melhores sistemas de tiro em terceira pessoa com cobertura dos videogames.

Audiovisual arrebatador

Visualmente, Gears of War: E-Day é impressionante. Como tenho o “pobrinho” Xbox Series S, optei por jogar em um notebook gamer intermediário — equipado com uma RTX 4050, um processador Ryzen 7 e 16 GB de RAM. Não é uma máquina de ponta, mas consegui ficar no meio do caminho entre os requisitos mínimos e máximos.

Análise Arkade - Gears of War: E-Day (imagem 13)

Isso me permitiu jogar com gráficos excelentes — claro, fazendo algumas concessões aqui e ali para preservar o framerate e a fluidez. E, mesmo sem aproveitar tudo o que o jogo tem a oferecer no Ultra, ouso dizer que E-Day é facilmente um dos jogos mais bonitos que joguei este ano.

Os personagens são extremamente bem modelados, as animações ganharam bastante refinamento e as novas finalizações ajudam a tornar cada confronto ainda mais brutal. O contraste entre os personagens enormes, com suas armaduras pesadas e silhuetas quase exageradas, e os ambientes extremamente realistas, impressiona.

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Acho que muito disso é mérito do escopo do jogo. Como não estamos diante “do maior mapa já visto em um game”, os desenvolvedores têm muito mais controle sobre aquilo que o jogador vê, e podem dedicar todo seu tempo e seu talento para construir cenários com um nível de atenção aos detalhes que é simplesmente incompatível com grandes RPGs de mundo aberto.

A iluminação é espetacular, e os momentos cinematográficos — com grandes invasões, monstros gigantes, helicópteros caindo e chuvas de escombros — tornam o impacto visual ainda maior. Fazia tempo que eu não via um exclusivo do Xbox com tanta cara de “Triple A endinheirado”, e é ótimo ver Gears recebendo o polimento e cuidado que ele merece.

Análise Arkade - Gears of War: E-Day (imagem 16)

O áudio acompanha esse nível de qualidade. Joguei toda a campanha com um bom headphone e a imersão proporcionada pelo som é absurda. Os tiros têm peso, a escopeta parece realmente explodir na sua frente e o barulho da motosserra contribui para deixar cada utilização ainda mais visceral. Gears tem uma identidade sonora muito própria, e o novo jogo sobe o patamar de qualidade.

Por falar em áudio, a localização para o português brasileiro também merece destaque. E-Day chega completamente localizado, com dublagem, legendas e menus em nosso idioma, e o trabalho realizado é muito bom. As vozes de personagens conhecidos, como Marcus Fenix e Dominic Santiago, se mantém as mesmas de jogos anteriores, o que ajuda bastante na continuidade da experiência. Poder acompanhar uma campanha desse porte totalmente dublada — e com este nível de qualidade de localização– torna a experiência ainda mais impactante.

Todo esse cuidado com a apresentação faz de E-Day um excelente ponto de entrada para quem nunca teve contato com Gears of War. Além de acompanhar o início cronológico da história, o jogo funciona como uma espécie de vitrine de tudo aquilo que a franquia construiu ao longo dos anos. É uma experiência tecnicamente impressionante, mas que também demonstra como um jogo de tiro em terceira pessoa pode trabalhar direção de arte, animação, iluminação e level design para criar uma identidade forte e coesa, mesmo 20 anos depois.

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O resultado é uma campanha que consegue ser tecnicamente exuberante sem perder sua identidade. Os cenários são detalhados, bonitos e, ao mesmo tempo, carregados daquela sensação de melancolia e destruição que combina perfeitamente com o momento histórico retratado pelo jogo. E-Day consegue fazer cada cenário parecer importante, e tudo ali foi construído para cumprir uma função dentro da experiência. É um espetáculo visual que corre ao lado dos principais lançamentos da geração.

Conclusão

Dito tudo isso, é com alegria que afirmo que Gears of War: E-Day é muito bem-sucedido naqueles dois pontos que eu trouxe lá no começo: ele não só recoloca a série nos trilhos, como também consegue torná-la muito relevante, muito atual. E faz tudo isso sem precisar reinventar a roda ou apresentar uma experiência completamente diferente de tudo o que já vimos.

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Muito pelo contrário: seu maior mérito está em entender exatamente o que faz Gears of War ser Gears of War e refinar praticamente todos esses elementos. Evolução nem sempre significa mudar completamente uma fórmula. Às vezes, evoluir significa pegar uma fórmula que já funciona e executá-la melhor do que nunca. A The Coalition fez exatamente isso aqui, e entregou uma campanha intensa, brutal e cinematográfica, coroada por alguns dos visuais mais impressionantes que já vi em um exclusivo Xbox.

Vale destacar que esta análise é dedicada exclusivamente à campanha. Durante o período de acesso antecipado, não foi possível experimentar o multiplayer, portanto não vou fingir que tenho condições de julgar essa parte da experiência. Mas, conhecendo o histórico da série, eu diria que os fãs podem ter altas expectativas pelo que vem aí, tanto no tradicional Versus como no Horde Siege, uma evolução do clássico modo Horda que amplia a experiência cooperativa contra ondas de inimigos.

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Para quem acompanha Gears of War desde os tempos do Xbox 360, E-Day tem tudo para ser um reencontro muito especial com a franquia. E para quem nunca jogou um game da série, este jogo tem tudo para fazer você se apaixonar por este universo de caras que tem corações tão grandes quanto seus bíceps. Sem dúvida, um jogo que merece estar na coleção de qualquer fã de bons shooters em terceira pessoa.

Gears of War: E-Day chega em 6 de outubro de 2026 para Xbox Series e PC, — também disponível no lançamento via Game Pass. Nossos agradecemos à Xbox Brasil por nos ceder acesso antecipado para a produção desta análise.

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Gears of War: E-Day

Ficha do jogo
Plataformas
Xbox, PC
Lançamento
6 de outubro de 2026
Desenvolvedora
The Coalition
Publicadora
Xbox Game Studios
Gênero
Tiro em terceira pessoa
Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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