Análise Arkade – Hyrule Warriors: Age of Imprisonment, o ápice dos musous de Zelda

21 de novembro de 2025

Quem jogou os Hyrule Warriors anteriores sabe: eram ótimos jogos, mas que sofriam na performance graças ao limitado hardware do Switch. Exclusivo para o Switch 2, Hyrule Warriors: Age of Imprisonment é o jogo que enfim atinge o verdadeiro potencial da franquia, e combina com maestria a pancadaria caótica de um musou com a rica narrativa de um legítimo jogo canônico da franquia.

Uma volta no tempo

Hyrule Warriors: Age of Imprisonment nos leva a um período muito impactante, mas pouco explorado de Hyrule: a lendária Guerra do Encarceramento (Imprisoning War). Aqui, Link fica no banco (ou melhor, no futuro) para jogarmos com Zelda — e outros personagens importantes da história de Hyrule — e acompanhar não só batalhas frenéticas, como também eventos que moldaram o futuro do reino.

É como se finalmente pudéssemos “viver” um monte de coisas que, até então, foram apenas mencionadas em Tears of the Kingdom. Ambientar o jogo em um passado remoto nos permite acompanhar de perto o momento em que lendas foram criadas, alianças foram forjadas e confrontos históricos foram realizados.

Aliás, há muita história aqui — bem mais do que em um musou tradicional — mas ela é especialmente interessante para quem curte o momento atual da franquia Zelda, pois mergulha fundo nas tretas sociopolíticas (ou nem tanto) que permeiam a história dos diferentes clãs de Hyrule. Vamos descobrir motivações, rivalidades e o sacrifício de figuras importantes que caíram para tentar impedir a ascensão do líder dos Gerudo — um tal de Ganondorf, conhece?

Para quem é fã do lore da franquia, é muito satisfatório ver esta mitologia sendo expandida — especialmente a parte que se conecta diretamente com Tears of the Kingdom. Por exemplo: você deve se lembrar que a Zelda aparece “com outra forma” em TotK, certo? Pois bem, aqui vemos o ritual que levou a isso. Conhecer a origem destes acontecimentos e a forma como a guerra se desenrolou traz uma bem-vinda sensação de completude a um universo tão interessante quanto expansivo.

Gameplay frenético, mas estratégico

No aspecto de jogabilidade, Hyrule Warriors: Age of Imprisonment segue fiel ao estilo musou: cada luta é grandiosa, contra centenas de inimigos simultâneos, que são em sua maioria, varridos da arena graças aos efeitos devastadores de nossos ataques e golpes especiais.

O combate está mais refinado do que em títulos anteriores, e também mais variado: ainda que as combinações de botões sejam as mesmas, o feeling de jogar com cada personagem é diferente, e novidades como habilidades únicas e ataques sincronizados (sync strikes) adicionam um toque de estratégia — e ainda mais sensação de poder — à fórmula hack-and-slash de um musou.

Além disso, há uma camada tática bem interessante adicionada por meio do uso de dispositivos Zonai — elementos bem característicos de Breath of the Wild e Tears of the Kingdom. Esses dispositivos permitem explorar fraquezas dos inimigos, adicionar efeitos elementais nas batalhas e tornar os confrontos mais do que simples exercícios de button mashing.

Há também um sistema de esquivas precisas que lembram mecânicas clássicas de Zelda (como o Flurry Rush), o que traz familiaridade para quem ama a saga, ao mesmo tempo em que adiciona algum frescor ao estilo musou. E, como não poderia faltar em um musou, temos intensas batalhas contra chefes, que vão desde simples generais até monstros gigantes e outras criaturas.

Variedade e repetição

A variedade de personagens é outro ponto positivo: jogar com uma Zelda boa de briga é marcante, mas também podemos controlar figuras imponentes como Rauru, Mineru e outros líderes antigos dos povos de Hyrule. E, cada personagem tem seu próprio apanhado de missões paralelas, que lhes permite um caminho próprio de progressão para desbloquear habilidades e melhorar armas.

Para não dizer que tudo são flores, a campanha — especialmente as missões principais — é um tanto formulaica e linear. Você sente que está trilhando um caminho pré-estabelecido, não conduzindo sua própria aventura, sabe? Sei que este é um musou, não um RPG, mas o que mais encanta os jogadores de Zelda Breath of the Wild e Tears of the Kingdom é a liberdade que eles oferecem, e eu gostaria de ver algo minimamente similar a isso aqui.

Aprofundando um pouco: as fases em locais emblemáticos, como as Ilhas do Céu e as Profundezas até têm potencial, mas não exploram completamente seu escopo: o mapa fica limitado, e a sensação de amplitude se perde. São questões inerentes a um “jogo de arena”, mas justamente pelo fator Zelda — e o maior poder de fogo do Switch 2eu gostaria de ter visto um pouco mais de ambição em termos de level design e exploração.

Audiovisual

No departamento audiovisual, Age of Imprisonment impressiona pela estabilidade e pela fidelidade artística aos últimos jogos da franquia Zelda. O jogo entrega gráficos mais nítidos e consistência no desempenho durante a maioria das batalhas — mesmo mirando nos 60fps –, o que soma muitos pontos à fluidez da ação. Ao contrário dos jogos anteriores, esse roda realmente bem, e não parece exigir o máximo que o console híbrido é capaz de entregar.

A direção de arte é belíssima. Tudo tem aquele ar de pintura dos Zeldas recentes, mas o fato de estarmos em outra época acrescenta um charme extra à esta versão de Hyrule, que possui mais construções e vilarejos. O design dos personagens também é excelente, e as animações de combate são tão poderosas quanto extravagantes.

As (muitas) cutscenes são uma faca de dois gumes. Por um lado, é legal que o jogo invista tempo e recursos para contar sua história de um jeito mais impactante do que imagens estáticas e paredes de texto. Por outro, é bastante forte aquela sensação de “filminho pré-renderizado”, que não se conecta de forma orgânica aos momentos de gameplay — seja pela diferença de fluidez, seja pela compressão visual perceptível. Pode ser só chatice minha, mas fica o aviso.

A trilha sonora, por sua vez, é excelente: tem toda a grandiosidade esperada de um Zelda, misturada com a energia de um musou. As músicas são empolgantes, intensificam o ritmo e reforçam a vibe épica de estarmos em uma guerra gigantesca. Os efeitos sonoros também são ótimos, concedendo aos combates o tom de exagero overpowered que se espera do gênero.

Age of Imprisonment tem muita conversa, e as dublagens no geral são excelentes. Infelizmente, porém, este é mais um jogo que a Nintendo não se deu ao trabalho de traduzir para o português brasileiro. O filtro de localização da empresa segue sendo um mistério para mim: ela traduz jogos que quase não tem história, mas deixa de localizar jogos cheios de diálogos e tutoriais. Vai entender.

Conclusão

Hyrule Warriors: Age of Imprisonment é, sem dúvidas, o mais ambicioso e interessante jogo dentro dos crossovers de Warriors + Zelda. Ele é bem-sucedido justamente em fazer algo que muitos spin-offs não conseguem: amarrar o peso da mitologia canônica de um jogo (no caso, Zelda) à diversão frenética de outro (a série Warriors). É o melhor dos dois mundos: temos a trama densa e o rico mundo de Zelda lado a lado com a pancadaria caótica de um bom musou.

Isso faz com que ele seja especialmente recomendável para quem é fã de Tears of the Kingdom e quer saber mais sobre o passado de Hyrule, e a lore deste universo tão fascinante. Felizmente, ele também é um excelente musou, e suas mecânicas de combate são sólidas e funcionais — e ainda adicionam um flavor estratégico, com as mecânicas Zonai e os ataques combinados.

Tudo isso rodando muito bem, em um hardware mais potente, que entrega a performance que a série Hyrule Warriors sempre precisou (mas nunca alcançou). Seja você um fã de Zelda, ou de musou — se for de ambos, melhor ainda — o que temos aqui é o ápice técnico, narrativo e mecânico desta bela união entre duas grandes franquias.

Hyrule Warriors: Age of Imprisonment está disponível exclusivamente para Nintendo Switch 2.

Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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