Análise Arkade: Maiden Cops, um beat ‘em up brasileiro nostálgico (e safadinho)

23 de agosto de 2025

Se você cresceu nos anos 1990, descendo a porrada em meliantes em clássicos como Streets of Rage ou Final Fight, vai gostar de saber que tem beat ‘em up brasileiro novo na área: esta é nossa análise de Maiden Cops, um jogo honesto de “briga de rua” que é colorido, nostálgico e… safadinho.

Criado pelo estúdio brasileiro Pippin Games, Maiden Cops é uma justa homenagem ao gênero, ambientado em uma cidade onde basicamente só existem mulheres — todas são híbridas de humanos e animais, o que traz esse aspecto um tanto “furry” e sensual ao jogo.

As Maiden Cops são as policiais da cidade, e quando a gangue das Libertadoras começa a tocar o terror pela cidade, elas vão ter que intervir — na base da porrada, claro. É uma trama é simples — como na maioria dos beat ‘em ups –, apresentada com cenas estáticas nem tão bem desenhadas, mas que ganha pontos por ser divertida e bem-humorada.

Os diálogos que rolam entre as protagonistas são ótimos: as personalidades bastante díspares geram pequenos conflitos situações engraçadinhas, inclusive nas conversas que rolam com as chefes de cada fase.

Jogabilidade e combate

Maiden Cops segue a cartilha básica de um bom beat ‘em up: vamos percorres ambientes urbanos e cobrir de pancada qualquer malfeitor que cruzar o nosso caminho, catando armas, itens e alimentos pelo chão. Ao final de cada fase, uma chefona nos espera.

Cada uma das três protagonistas representa um arquétipo do gênero: a pequena Nina é rápida, mas frágil; Meiga é lenta e fortona; e Priscila é a personagem mais balanceada. Embora todas tenham combos e agarrões de comandos similares, s diferenças entre elas mudam um pouco a experiência de jogo com cada uma. Por exemplo, apenas Meiga tem força para retirar postes, vergalhões e placas de trânsito do chão para usar como arma.

Um detalhe interessante é que todas as personagens têm 3 habilidades especiais, cada uma com seu próprio cooldown — sendo, geralmente, um combo, um ataque para a frente e um golpe em área. Como as inimigas costumam chegar em bandos, é bom que haja diferentes opções.

Sendo justo, o combate de Maiden Cops é divertido e acessível, mas também um tanto básico. Não acho justo esperar que um indie brasileiro revolucione um gênero tão antigo como o beat ‘em up, mas gostaria que o jogo, pelo menos, apresentasse uma senso de progressão ao longo da campanha — com um sistema de compras de golpes e habilidades, como em River City Girls, por exemplo.

Não há nada do tipo aqui: os golpes que você usa na primeira fase, ainda vai estar usando na última. Curiosamente, somos avaliados ao final de cada fase, e ganhamos dinheiro com base em nossa performance. Porém, não há muito o que fazer com esse dinheiro — algo que uma lojinha de golpes e upgrades resolveria.

“hora do pagamento”

No geral, em termos de gameplay, Maiden Cops é funcional, mas um tanto limitado. Poucas mecânicas surgem ao longo do jogo, e a variedade de inimigos também é pequena, o que faz com que a pancadaria acabe ficando repetitiva — mesmo que o jogo seja curto. É um brawler honesto, mas que deixa uma sensação de falta de ousadia.

Visual e trilha sonora: pixel art caprichada

A ousadia que falta no gameplay, está presente (talvez até demais) no visual do jogo. As protagonistas são voluptuosas, com animações “safadas” e diálogos sugestivos. Tudo é caricato, e o fato da pixel art ser bonitinha afasta um pouco a maldade, mas nas telas de loading e continue, onde vemos artes 2D em alta resolução das personagens, fica claro que, conceitualmente, a sexualização está mais do que presente.

Dito isso, não é algo que me incomodou, mas sei que há um público mais sensível para questões como essas. No mais, Maiden Cops é um jogo bem competente visualmente, com uma pixel art vibrante e boas animações. A paleta de cores é viva e os cenários remetem diretamente à era 16-bits, passando por becos, bares, praias e, claro, o covis de vilões.

Vale ressaltar que o jogo também traz muitas referências a games clássicos em animações, golpes e modelos de personagens. É o tipo de jogo legal para curtir com um(a) amigo(a) gamer retrô, para ambos irem identificando estes charmosos easter eggs.

A trilha sonora é outro ponto positivo. As batidas eletrônicas e sintetizadores lembram as músicas da era de ouro dos arcades, mantendo o clima energético e nostálgico na medida certa. Não há muitas vozes no jogo, mas todos os menus e legendas estão em PT-BR, enquanto os efeitos sonoros, acompanham bem o clima de pancadaria retrô.

Conclusão

Maiden Cops é um beat ’em up sólido e carismático, que acerta na pixel art e no clima nostálgico, mas escorrega por pesar a mão no fan service e, principalmente, por oferecer uma experiência de jogo um tanto limitada e repetitiva, apesar de sua curta duração.

Dado o revival do gênero beat ‘em up que tivemos nos últimos anos, as expectativas para novos jogos cresce; são esperadas experiências mais ousadas mecanicamente. Não é o que temos aqui. Mas, ainda assim, estamos diante de um bom beat ‘em up brasileiro, capaz de oferecer umas horinhas de diversão descompromissada — especialmente no bom e velho “coop de sofá”.

Maiden Cops está disponível para PC, PS4, PS5 (versão analisada), Nintendo Switch, Xbox One e Xbox Series X|S.

Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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