Análise Arkade – Metal Gear Solid Delta é um “remaster-remake” que revive a obra para uma nova geração

24 de setembro de 2025

Metal Gear Solid é mais uma série, dentre tantas outras dos games, que fazem parte da onda de remakes da indústria. O primeiro game, inclusive, já teve seu remake lançado apenas seis anos após o seu lançamento original, o Twin Snakes.

Mas hoje em dia, sabemos que os remakes estão ainda mais presentes no nosso dia a dia, e a Konami, que tem grandes franquias em seu guarda-chuva, apostou em revitalizar a série Metal Gear Solid, mas preferindo começar no ponto inicial da história: o capítulo 3, que acontece em 1964 e dita os acontecimentos futuros na franquia.

Mas como revitalizar um jogo cujo criador já não está mais presente Hawkins na empresa, e que cujas decisões e escolhas são tão pessoais? É isso o que vamos ver, juntos, nesta análise. Vamos revisitar a União Soviética da Guerra Fria e embarcar na primeira aventura daquele que seria conhecido na história como Big Boss.

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Um “remake-remaster” 1:1

Revitalizar os gráficos não foi tarefa difícil aqui. A Unreal 5 deu conta do recado e recriou todo o game com a competência desejada. Temos os recursos atuais como “modo desempenho” e “modo qualidade”, mas, no geral, é o Metal Gear Solid 3 que conhecemos, com visual bem mais interessante e uma maior imersão visual nos cenários já conhecidos.

Mas, desde já, não espere a reconstrução completa que jogos como Resident Evil 2 e 3 tiveram. Não é este o foco aqui. Primeiro porque Metal Gear Solid 3 é um game mais recente, e não precisava da repaginação completa que a série da Capcom, referência em remakes, teve.

E, segundo, não podemos ignorar o fator Kojima. A ausência do criador da série fez com que tudo no game seguisse o padrão 1:1. O que significa que o game, no final, apesar de ser sim um remake, pois foi refeito do zero na Unreal, seja, na prática, como um “remaster de luxo”, já que tudo do jogo original está lá, intacto.

As lutas contra os chefes são exatamente as mesmas, com as mesmas técnicas utilizadas lá em 2004. Até a luta contra The End, que pode ser vencida após ficar uns dias sem jogar o game, está presente aqui. As cutscenes, o enredo, os inimigos, os alertas e tudo o mais estão exatamente nos mesmos lugares.

Mas é claro que, tecnicamente falando, isso não é nada ruim. Pois Metal Gear Solid 3 é um jogo muito bom e aqui, você terá acesso ao mesmo jogo de qualidade, mas com o potencial técnico, gráfico e sonoro que temos disponíveis atualmente.

O jogo realmente fica mais bonito assim, mas, para não comprar gato por lebre, tenha em mente: não se trata de um jogo refeito do zero, literalmente falando. O game original foi colocado em uma mesa, e a equipe trabalhou com afinco para reconstruir tudo, exatamente do jeito que estava em 2004. Se isso for bom pra você, então saiba que será uma experiência satisfatória. Mas se esperava algo mais próximo aos remakes de Resident Evil, é melhor ir para o game sabendo que não terá nenhuma grande novidade para curtir.

Mas é tão idêntico assim?

Vamos entender uma coisa: Kojima não está na Konami já faz um bom tempo. E isso significa que um remake de um jogo feito pelo designer, sem ele presente, não poderia se dar ao luxo de “reescrever” a história, nem criar cenários novos, muito menos adicionar pequenos elementos, aqui e ali, para “incrementar” o enredo.

Por isso, o jogo em si, no que diz respeito a conteúdo, enredo e gameplay, acabou seguindo a direção sensata de ser um remake 1:1.

Alguns pontos simples, como a escolha de um estilo de jogo mais próximo ao original e outro mais moderno, estão presentes, assim como acessos mais rápidos para as camuflagens e contatos do Codec via d-pad. E não podemos esquecer que o jogo salva sozinho, dispensando as chamadas para a Para-Medic, se assim você quiser.

Mas há pequenas mudanças, sim. A promessa de um multiplayer online focado nas camuflagens pode atrair quem quer mais do game, assim como o sistema de conquistas e troféus, normais nos nossos dias, também oferecem um pouco de replay para quem gosta destes elementos.

E alguns elementos emprestados da versão de 3DS também incrementam o game, como a mira acima do ombro e a possibilidade de andar agachado. Os controles modernos também permitem que o d-pad seja utilizado para armas e itens. Difere muito do sistema antigo baseado nos botões de ombro, mas se mostrou útil e prático.

Mas não se deixe enganar: Snake, o nosso futuro Big Boss, não vai se movimentar da mesma forma do que em Metal Gear Solid V, a sua última aventura original, lançado em 2013.

Apesar das mudanças, a ideia do remake 1:1 manteve ao máximo tudo do jogo original, incluindo um controle um pouco mais simples, e até o sistema original de “mini-mapas”, onde cada espaço do mapa funciona como um espaço independente. E, com isso, até a ideia de um jogo mais “datado” é presente aqui, o que pode trazer nostalgia para os veteranos, mas trazer estranheza para os mais novatos.

Respeito pela obra original a ponto de não inventarem moda

Mas entenda: nada disso é “ruim”. Pelo contrário. O mesmo jogo divertido e competente de 2004, que é o capítulo preferido de muita gente (mas não o meu, eu ainda prefiro o MGS 1 de 1998), ainda tem potencial em 2025. Tanto é que o remaster dele, que saiu nos tempos de PS3/Xbox 360 e depois chegou ao PS5/Xbox Series, segue legal de se jogar.

Se você se der ao trabalho de entender a proposta, e de que a ausência de Kojima não permitiria que uma vírgula do jogo original fosse alterada, então vai curtir o game como ele foi entregue. E ainda bem que não mexeram em nenhuma vírgula, pois quando inventaram isso, nos trouxeram aquele Metal Gear de NES que não tinha um Metal Gear no jogo inteiro!?

Isso é até bom, pois se resolvessem fazer pequenas alterações no game, quais as chances de estragar uma história tão icônica, que se conecta de forma direta com toda a franquia? Aqui nós estamos falando dos eventos que renderam todos os elementos que construíram a saga Metal Gear, incluindo experiências de personagens, ideologias e elementos práticos, que foram explorados nestes 50 anos de história, encerrados definitivamente em Metal Gear Solid 4.

Por isso, se você entende isso, e gosta do jogo original, vai gostar deste remake. Entendo que este era o máximo que podia ser feito, dentro das condições do jogo, e que pode até ser, por que não, uma nova porta de entrada para mais gente se interessar por este rico e intrigante universo.

Metal Gear Solid Delta, o remake do clássico MGS3: Snake Eater, já está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC.

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Junior Candido

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