Análise Arkade: Pipistrello and the Cursed Yoyo, o cativante “Yoyovania” brasileiro da Pocket Trap

A Pocket Trap sabe fazer jogos carismáticos! Depois do divertido Ninjin e do “RPG esportivo” Dodgeball Academia, eles agora nos brindaram com o “primeiro YoyoVania” do mundo, Pipistrello and the Cursed Yoyo!
Lançado em 28 de maio para PCs e consoles, Pipistrello and the Cursed Yoyo é um título que combina elementos de ação, aventura e Metroidvania, com um toque dos Zeldas de antigamente e uma carinha de jogo de GBA que torna a experiência muito nostálgica.
Limpando a barra da família
A narrativa de Pipistrello and the Cursed Yoyo gira em torno de Pippit, um jovem fissurado em ioiô que, por acaso, é membro da rica e poderosa família Pipistrello. O poder da família, contudo, vem de fontes escusas: eles controlam a cidade por meio de um monopólio de energia que está deixando toda a população descontente.

Durante uma visita à mansão da família (para pedir mais dinheiro), Pippit se vê envolvido em uma conspiração para derrubar sua tia, que é a manda-chuva das Indústrias Pipistrello: alguns malfeitores locais tentam roubar a alma de sua tia para convertê-la em energia. Pippit acaba intervindo, o que coloca uma parte da alma da nobre Madame Pipistrello em seu fiel ioiô.
Assim, munido de um ioiô “possuído”, e tendo muitas habilidades com o brinquedo, Pippit vai explorar os quatro cantos da cidade para confrontar os chefões do crime, recuperar a alma da tia e reestabelecer os negócios da família.

Apesar desse começo “trágico”, Pipistrello and the Cursed Yoyo é um jogo muito engraçado. Seu texto é divertidíssimo, e os personagens são todos muito carismáticos. A história, por mais absurda que seja, diverte e entretém, e a dinâmica entre Pippit e sua tia (ela conversa com o sobrinho por meio do ioiô) adiciona um toque extra de humor.
Ioiô multifuncional
Com um jogo que tem ioiô no nome e se intitula “Yoyovania”, é de se esperar que Pipistrello and the Cursed Yoyo abuse do brinquedo em suas mecânicas. E o jogo não decepciona: o ioiô está no cerne do gameplay, sendo utilizado tanto como arma quanto como ferramenta de exploração.

Usar o ioiô de formas inventivas e pensar “fora da caixa” na hora de utilizá-lo para resolver puzzles é parte da diversão e do charme do jogo. Temos total liberdade para explorar a grande cidade onde a aventura se passa, e não demora para esbarrarmos em barreiras e áreas aparentemente inacessíveis. Segredos que vão exigir criatividade e precisão do jogador para serem acessados.
Com diversos truques e movimentos especiais que podemos aprender, o ioiô cumpre o papel das habilidades que encontramos em outros Metroidvanias. E sua utilização vai ficando mais variada conforme liberamos novas “manobras”, que nos permitirão chegar a novos lugares.

Por exemplo: já de cara, podemos ricochetear o ioiô em quinas de paredes, ou mesmo arremessá-lo para que possa coletar e carregar itens e voltar para nossas mãos. Posteriormente, vamos aprender o truque “Cachorrinho”, que nos permitirá usar o ioiô para andar sobre a água.
Há outras habilidades que serão aprendidas ao longo da jornada, e é impressionante como a Pocket Trap conseguiu transformar um simples brinquedo em uma ferramenta com tantas utilidades — muitas delas inspiradas em truques reais de ioiô!
Bottons, agiotagem e combate
Além de seu fiel ioiô, Pippit também pode equipar bottons em sua roupa. O funcionamento é similar aos emblemas de Hollow Knight: você ganha alguma melhoria ou habilidade — como um rastro de fogo no seu ioiô — mas precisa administrar um número limitado de slots para equipar seus bottons.

Existe uma lojinha de upgrades passivos que funciona de maneira peculiar: você precisa pagar para adquirir um upgrade, porém, a responsável pela lojinha (que é sua prima) é germofóbica, e não quer o dinheiro sujo que você carrega na carteira: metade do dinheiro que você coletar dali pra frente será usado para quitar a dívida.
Para não te deixar na mão, ela vai te dar a melhoria que você quer… mediante a assinatura de um contrato. Na prática, você vai levar junto um debuff — tipo um coração a menos de vida, ou os inimigos deixarem de dropar pétalas de vida — e terá que ficar com ele até quitar sua dívida. A lojinha só funciona desse jeito, e acho que nunca vi nada do tipo em um jogo antes.

Mas, você não vai querer ficar sem as melhorias, pois o combate pode se tornar bem desafiador. O jogo costuma deixar grupos pequenos de inimigos pelo mapa, mas vez ou outra tranca você em uma arena de combate, que só se abre depois que todos forem vencidos. O combate não é particularmente complexo, mas o volume de inimigos vai lhe obrigar a dominar alguns truques de ioiô — especialmente o ricochete nas quinas.
Audiovisual: um tributo ao GBA
Pipistrello and the Cursed Yoyo é um título de visual simples, mas que adota uma estética retrô por escolha, não por limitação. Visualmente, o jogo é uma carta de amor aos títulos do Game Boy Advance, com sprites coloridos e detalhados que transbordam personalidade e evocam nostalgia.

A interface e os menus também seguem essa estética, reforçando a identidade visual do jogo. O visual pixelado prejudica um pouco o entendimento dos ícones no mapa — a cidade é grade, dividida em quatro distritos, e ainda tem toda uma rede de caminhos pelos bueiros e outros segredos — mas não é nada que atrapalhe muito a experiência.
A trilha sonora complementa a experiência, pois tem uma vibe totalmente retrô, que varia entre temas animados e melodias mais sombrias, conforme o tom das diferentes áreas e situações. Os efeitos também são ótimos, bem típicos desse tipo de aventura.

E, como estamos falando de um jogo brasileiro, não podemos deixar de falar da localização. O jogo possui menus e legendas em PT-BR de ótima qualidade, mas não para por aí: temos trocadinhos e regionalismos por todos os cantos. Da lanchonete “X-Burgão” à uma avenida chamada “Faria Slimer“, até o “Guaraná Ratártica“, Pipistrello and the Cursed Yoyo esbanja brasilidade.
Conclusão
Pipistrello and the Cursed Yoyo é uma experiência que consegue ser nostálgica e nova ao mesmo tempo. Ao combinar elementos clássicos com mecânicas inovadoras, o game entrega uma aventura divertida e imersiva, com desafio na medida e muito bom humor.

O jogo cativa já de primeira pelo seu visual, mas conquista mesmo, é na jogabilidade, cuidadosamente pensada para extrair o máximo do inseparável e versátil ioiô que Pippit carrega. Sério, eu nunca pensei que um ioiô poderia ser tão útil em um videogame!
Com Pipistrello and the Cursed Yoyo, a Pocket Trap mostra porque é um expoente da indústria nacional: o estúdio não se acomoda, e continua passeando por diferentes gêneros de forma leve e bem humorada, sempre com muita criatividade, brasilidade e inovações mecânicas.

E se você está em dúvida, saiba que o jogo teve seu preço adaptado para o público brasileiro, e custa MENOS DE R$ 50 EM TODAS AS PLATAFORMAS. Fala sério, é menos do que custa uma pizza, atualmente. Escolha sua plataforma e aproveite um baita jogão por um mini precinho!
Pipistrello and the Cursed Yoyo está disponível para PC, Playstation 4, Playstation 5, Xbox One, Xbox Sries X|S e Nintendo Switch (versão analisada).