Análise Arkade: Splatoon Raiders reaproveita suas mecânicas PvP em um novo formato de jogo
Splatoon Raiders reaproveita quase tudo o que a franquia Splatoon já entregou, mas em um novo formato com mais raids e menos PvP.
Desde sua estreia no Wii U, Splatoon provou que havia espaço para uma abordagem diferente dentro do gênero dos jogos de tiro. Em Splatoon Raiders, a Nintendo subverte mais uma vez a fórmula da franquia.
Em vez de manter o foco em partidas competitivas, o novo jogo aposta em uma estrutura single player (com possibilidade de jogatina cooperativa) baseada em missões e “raids” contra grandes grupos de inimigos, adaptando quase todas as mecânicas que fizeram Splatoon funcionar tão bem para um formato que, apesar de poder se tornar repetitivo em alguns momentos, consegue entregar boas horas de diversão.
Uma nova aventura no universo de Splatoon
A campanha de Splatoon Raiders acompanha um grupo de exploradores enviado para investigar um arquipélago distante, onde misteriosas anomalias começaram a alterar o comportamento da fauna local e ameaçam o equilíbrio da região.

Quando acabamos presos ali, nossa missão passa a ser angariar recursos para que possamos melhorar nossa base/embarcação. E como fazemos isso? Encarando missões, eliminando inimigos e coletando tesouros.
Logo fica claro que a história funciona muito mais como pano de fundo para justificar a sucessão de expedições do que como o verdadeiro foco da experiência. Ainda assim, temos personagens carismáticos, muito bom humor e o estilo descontraído que sempre caracterizou a franquia.

Uma pena que Splatoon Raiders é vítima da falta de consistência da Nintendo, que decidiu não localizar o game para o nosso idioma. Eu não esperava dublagens (até porque eles falam em Gibberish), mas poxa, menus, legendas e tutoriais em PT-BR é o mínimo que a gente merece, né, Dona Nintendo?
O gameplay de Splatoon continua intacto
A maior qualidade de Splatoon Raiders está na forma como ele reaproveita as mecânicas da série principal sem simplesmente copiar sua estrutura competitiva.

Toda a movimentação baseada em tinta continua presente. Pintar o cenário permanece sendo essencial, e assumir a forma de lula para se deslocar rapidamente, fugir, recuperar recursos e acessar áreas elevadas segue sendo uma habilidade de suma importância. O resultado é que qualquer pessoa versada em Splatoon se sente imediatamente em casa, mesmo diante do novo formato.
As armas também mantêm suas características tradicionais, com diferentes padrões de ataques e formas de causar dano. Splatoon Raiders possui dezenas de equipamentos diferentes, que possibilitam estilos de jogo bastante distintos.

Somado a tudo isso, temos 3 diferentes tipos de tanque de tinta, cada um pensado para um tipo de abordagem — e com perks focados nessas diferentes abordagens. Para completar, temos um super ataque devastador — que é executado por um de nossos 3 companheiros, que funcionam como “equipáveis” antes de cada missão — e um robozinho que nos acompanha e ajuda a mapear objetivos e escavar pedras preciosas.
Missões e raids
Tudo isso está à nossa disposição para encararmos os diferentes tipos de raids que o jogo oferece. Incluindo (mas não se limitando a) controlar multidões de inimigos, proteger objetivos, enfrentar chefes gigantes, escavar o solo para encarar monstros em diferentes níveis e sobreviver a longas ondas de ataques.

Na prática, a rotina de Splatoon Raiders envolve começar a partida em nossa base, escolher um loadout, ir para uma missão, cumprir um objetivo (dentre aqueles que listei ali em cima), coletar a recompensa, voltar para a base… e assim sucessivamente. É uma estrutura que lembra um bocado jogos como Destiny, The Division e, claro, MMOs.
Embora funcione muito bem para oferecer conteúdo “infinito”, este formato também apresenta algumas limitações: como toda experiência baseada em missões, chega um momento em que determinados objetivos começam a se repetir.

Além disso, se a ideia aqui era termos um “Splatoon single player com campanha”… lamento, mas não é bem isso que você vai encontrar. Falta até um level design mais arrojado — algo que a Nintendo sempre soube fazer muito bem. Afinal, não estamos jogando fases, mas raids. Os mapas tendem a ser mais genéricos e multifuncionais para comportar essas partidas infinitas.
Ainda assim, o gameplay é gostoso e dinâmico o suficiente para que esta repetição demore para se tornar cansativa. A movimentação é deliciosa, o arsenal é bastante variado e há um grau de imprevisibilidade nas partidas que impede que duas incursões pareçam exatamente iguais.
Cooperativo um tanto capenga
Ainda que eu não seja um expert em jogos multiplayer, é fato que a Nintendo nunca foi sinônimo de qualidade quando o assunto é experiência de jogo online. E Splatoon Raiders não foge à regra.

Ao invés de facilitar a vida do jogador, a Nintendo optou por tornar as coisas um tanto obtusas, dificultando a vida de quem quer jogar com amigos — e também de quem só queria deixar seu jogo aberto par receber ilustres desconhecidos.
Sem um sistema de matchmaking decente, o que sobra é a possibilidade de pedir (ou oferecer) ajuda. Porém, nem isso funciona tão bem quanto deveria, pois impõe limitações arbitrárias de tempo e desconecta os jogadores após o cumprimento de uma missão — isso quando não rolam quedas que simplesmente separam os jogadores.

Talvez a melhor forma de experienciar o multiplayer de Splatoon Raiders seja na jogatina local… porém, ele não oferece a opção de jogar em tela dividida, nem oferece suporte ao “game share” — recurso que permite que diferentes consoles usem uma única cópia do jogo para coop local. Ou seja: se quiser jogar Splatoon Raiders localmente em 3 pessoas, serão necessários 3 consoles e 3 cópias do jogo. Patético.
A Nintendo nunca foi referência em jogatina online, mas Splatoon Raiders parece deliberadamente propenso a dificultar o multiplayer. Umas aulinhas com Destiny sem dúvida cairiam bem — e, espero que algo seja feito para melhorar minimamente a experiência cooperativa.
Audiovisual
Visualmente, Splatoon Raiders preserva toda a identidade artística da franquia. Por mais que o level design não encante, os cenários continuam extremamente coloridos, com uma boa variedade de biomas e ambientes que, ainda que se repitam, são charmosos e funcionais.

As animações continuam excelentes, principalmente no que diz respeito à movimentação dos personagens e suas transformações e à fisicalidade e fluidez da tinta e dos respingos. O design dos personagens esbanja estilo — principalmente entre os Salmonids — e, embora não haja muitas opções iniciais de personalização, conforme você joga e cumpre objetivos, vai liberando uma boa variedade de roupinhas diferentes.
A trilha sonora mantém a mistura característica de rock, música eletrônica e faixas experimentais que sempre acompanharam a série, e segue sendo boa. No geral, é um conjunto audiovisual que preserva a personalidade de Splatoon, mesmo dentro de uma nova proposta.

Só ficou faltando um mínimo de carinho na localização para o público brasileiro — mas esse é um deslize que a Nintendo já cometeu antes, mas que parecia disposta a remediar… até agora.
Conclusão
Splatoon Raiders pode não ter o mesmo formato dos jogos principais da franquia, mas faz um ótimo trabalho em adaptar mecânicas testadas e aprovadas para uma nova estrutura. Toda a mobilidade baseada em tinta segue sendo útil e prazerosa, e a boa variedade de armas mantém as partidas dinâmicas.

É verdade que a repetição de objetivos aparece depois de algumas horas — algo praticamente inevitável em uma experiência construída em torno de missões e raids. Ainda assim, a qualidade do gameplay segura a onda, de modo que o loop de gameplay pautado por repetição não estraga completamente a experiência.
Se você gosta de Splatoon, mas não necessarimente gosta de muliplayer competitivo PvP, Splatoon Raiders pode ser uma ótima pedida. Só tenha em mente que ele não brilha no single player… e algumas idiossincrasias típicas da Nintendo podem render mais frustração do que diversão no multiplayer.
Splatoon Raiders está disponível exclusivamente para Nintendo Switch 2.
- Plataformas
- Nintendo
- Lançamento
- 28 de maio de 2015
- Desenvolvedora
- Nintendo Entertainment Analysis and Development
- Publicadora
- Nintendo
- Gênero
- Tiro em terceira pessoa



