Análise Arkade: Stellar Blade no PC brilha com desempenho estupendo

23 de junho de 2025

Excelentes combates de espadas somados a garotas exageradamente bonitas e voluptuosas, esse é Stellar Blade. Um game que, em seu lançamento original para o PlayStation 5 em abril de 2024 deu o que falar, seja por suas qualidades ou por suas polêmicas. Agora, ele se junta à crescente coleção de jogos exclusivos da Sony PlayStation que chegam aos PCs.

Sempre que um port desses rola, fica a dúvida se estamos lidando com uma boa conversão ou com algo “meia boca”, já que os lançamentos do estúdio nos PCs são uma verdadeira roleta russa no que diz respeito à qualidade.

Felizmente, com um combate de primeira e visuais de cair o queixo (em todos os sentidos), Stellar Blade chega aos PCs em excelente estilo e forma, resultando em um sucesso estrondoso e imediato.

O clichê que deu certo, mas ainda é clichê

Como falamos na review de Stellar Blade para PlayStation 5, o jogo passa longe de ser algo original. Aqui temos o já batido cenário futurista pós-apocalíptico. No “fim do mundo da vez”, a humanidade foi dizimada do planeta por criaturas mutantes sem muita personalidade conhecidas como Naytiba. Sem muita explicação inicial, assumimos o papel de Eve, uma androide que faz parte de um batalhão de invasão contra os Naytibas.

Após perder todo o seu batalhão de aliadas, Eve recebe uma ajuda improvável do pouco interessante Adam, um humano que revela para a protagonista que ainda existe uma cidade humana no planeta: Xion, o último bastião da humanidade contra os mutantes. Com muitas reviravoltas no caminho, Eve precisa juntar aliados para completar seu grande objetivo: juntar núcleos de quatro Naytibas alfas para conseguir acessar o covil do chamado Naytiba ancião, que supostamente terminaria com a guerra ao ser derrotado.

A história até parece promissora, mas a forma que ela é contada é, ao mesmo tempo, expositiva demais e superficial demais. Com isso temos um enredo que até serve de desculpa para a pancadaria que temos pela frente, mas nada muito interessante por si só. Os inimigos por sua vez, embora bem variados em mecânicas, são pouco inspirados em visual, tornando tudo ainda mais clichê.

Porém, é um clichê que cumpre o seu papel. Mesmo que vez ou outra Stellar Blade se leve a sério até demais, a história está ali mais como um pano de fundo do que qualquer outra coisa. É um enredo, e ele existe. Ponto. Dito isso, vamos pular para as partes mais interessantes do game.

Versão de PC e suas melhorias

Como estamos falando de um port para PCs de um game do ano passado, vou passar batido de alguns tópicos que o nosso amigo Rodrigo Pscheidt já abordou na review de PS5. Mas, antes de mais nada, vamos falar logo o que a versão de PC de Stellar Blade tem disponível para os jogadores além de roupas curtas e um ótimo gameplay de ação.

Surpreendendo bastante, a relativamente novata Shift Up já havia mandado bem por estrear com um game AA nos consoles em 2024 (antes só haviam games mobile da desenvolvedora). Agora, surpreenderam novamente com um port de excelente qualidade para PCs do mesmo jogo. Stellar Blade foi muito bem otimizado para aproveitar o melhor que os hardwares atuais podem fazer.

A começar pelo mais comum, o jogo conta com suporte a monitores ultrawide (21:9 e 32:9), e também possui compatibilidade tanto com o famoso DLSS 4, como também com FSR 3 e Reflex, o que garante um considerável aumento de desempenho e qualidade gráfica em máquinas que suportam uma dessas tecnologias. E para finalizar o capricho, os visuais do game receberam uma repaginada com suporte a texturas 4K e destravamento de taxa de frames, algo importantíssimo pra um game de ação.

Tudo isso, fico feliz em dizer, está funcionando com excelência invejável no PC. Mas nem só de “master race” vive Stellar Blade, já que ele também possui configurações mais modestas para PCs já mais defasados, tendo requisitos mínimos bem enxutos, como um processador Intel Core i5-7600k ou AMD Ryzen 5 1600X e uma placa de vídeo NVIDIA GTX 1060 6GB ou AMD RX 580 8GB. Enquanto que no Steam Deck o game já chega no lançamento com o selo de compatibilidade, rodando a incríveis 60 fps no portátil da Valve.

A importância do desempenho nos combates

Talvez Stellar Blade seja o port da PlayStation Studios que mais se beneficia do altíssimo desempenho e otimizações que recebeu em sua versão fora dos consoles. Isso porque o combate do game é densamente influenciado pelo desempenho do local onde você está jogando. Como ele se trata de um jogo de ação com fortes inspirações de Bayonetta, Nier Automata e Dark Souls, temos um apelo muito grande a desvios, parries e bloqueios.

Com isso, jogar Stellar Blade com uma taxa de atualização superior aos tão sonhados 60 frames por segundo dos consoles pode ser uma experiência simplesmente incrível de jogabilidade. E daí vejo esse port como uma melhoria não só visual, mas uma daquelas situações onde o desempenho impacta diretamente na jogabilidade — nesse caso, para o bem.

Diversas vezes jogando pude ter uma resposta mais “no reflexo” justamente por estar jogando a uma taxa de quadros que beirava os 80 fps estáveis. Tudo isso com um visual impecável, efeitos de iluminação e partículas de primeira e tudo que um game sob o selo PlayStation Studios deveria ter.

Não é exagero dizer que Stellar Blade pode ter, em sua versão de PC, o modo definitivo de se jogar o game. E isso, claro, sem contar os conteúdos extras como trajes inéditos e colaborações que o jogo recebeu junto com esse port. Mas também levando em consideração todo o potencial que ele possui através de mods — e nem estou falando daquele tipo de mod ( ͡° ͜ʖ ͡°).

O elefante branco na sala

Claro que não podemos deixar de comentar justamente sobre a grande polêmica envolvida com o nome de Stellar Blade: sua hipersexualização. Confesso que esperava algo bem pior no que tange sua história, mas em termos narrativos, o título da Shift Up simplesmente não aborda os trajes mínimos ou as curvas exageradas da protagonista. É totalmente o oposto do que vemos em Bayonetta, por exemplo, que traz ângulos de câmera invasivos e cinemáticas picantes que valorizam ainda mais a volúpia da protagonista.

Nem de longe podemos simplesmente “passar pano” para Stellar Blade já que, inda que não extrapole na sexualização da personagem nas cutscenes, toda a sutileza vai pelo ralo quando começamos a destravar novos trajes para a personagem.

Não faltam maiôs, lingeries, decotes e outros modelitos que simplesmente não fazem sentido com o contexto pós-apocalíptico, tampouco com a missão de salvar o mundo. Roupas que estão ali só para valorizar as curvas da protagonista, e é isso. Algo que o jogador pode simplesmente aprender a relevar com o tempo, mas que pode ser incômodo para algumas pessoas — afinal, não é como se ainda estivéssemos em 2009, não é mesmo?

E claro que algumas movimentações da personagem propiciam momentos ainda mais constrangedores nesse sentido, como a animação dela descendo de cordas ou escadas quase como uma dançarina de striptease e alguns slowmotions durante as lutas. São elementos passíveis de serem relevados se a pessoa focar mais nos aspectos de jogabilidade ou simplesmente não se constranger com toda a exposição ali.

Um excelente game de ação

Apesar das polêmicas e das apelações, Stellar Blade continua sendo um jogo de ação incrível. Cheio de excelentes combates e visuais fantásticos, embora tenha uma história bem clichê e a questão apelativa já citada. Nos PCs, o game encontra seu verdadeiro ápice, seja para quem gosta de games de ação, seja pros mal intencionados de plantão ávidos por “aqueles” mods.

Independente de qualquer coisa, Stellar Blade chega em excelente forma aos PCs em um port que dá ao pessoal da Shift Up um holofote muito interessante, encabeçando um dos melhores lançamentos da Playstation nos PCs até então.

E nem digo isso só em desempenho técnico como também em números, já que o jogo superou grandes marcas da empresa como God of War, Spider-Man e The Last of Us, tornando-se o maior lançamento single player da Playstation na Steam.

Stellar Blade foi lançado inicialmente para PlayStation 5 em abril de 2024, chegando aos PCs e Steam Deck em 11 de junho de 2025. O jogo conta com textos e áudio completamente localizados em português brasileiro.

Para esse review, testamos o game no Steam Deck e em um notebook gamer com um processador Intel Core i5-13420H, placa de vídeo NVIDIA RTX 4050 e 24 Gb de Memória RAM.

Gilson Peres

Gilson Peres é Psicólogo, Mestre em Comunicação e aqui no Arkade fala principalmente sobre Realidade Virtual, jogos de PC e novas tecnologias desde 2019.

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