Análise Arkade: The Rogue Prince of Persia une o Príncipe com Dead Cells de forma divertida

28 de agosto de 2025

Desenvolvido pela Evil Empire, empresa que também trabalhou no famoso Dead Cells, e publicado pela Ubisoft, The Rogue Prince of Persia esteve em acesso antecipado desde o ano passado. Agora, após muitas atualizações e modificações de conteúdo, ele finalmente foi lançado oficialmente e conseguimos conferir tudo que o game traz de bom.

Como o próprio Dead Cells, The Rogue Prince of Persia é um rogue-lite de plataforma com combate bem desafiador. Com uma narrativa não linear e diversos recursos entre poderes e armas a serem conquistados. Mas seu principal diferencial está na fluidez, seja na movimentação seja no combate. Vamos falar mais sobre isso nessa review completa.

Consertando os próprios erros

A história de The Rogue Prince of Persia nos coloca na pele do famoso Príncipe enquanto ele abusa de seus poderes com excesso de confiança. Ao se deparar contra um maligno Huno, o príncipe da Pérsia acaba sendo derrotado e percebe que seu erro causou um verdadeiro caos na cidade de seus pais.

Acontece que, vendo uma oportunidade, o exército Huno aproveita a derrota do famoso Príncipe da Pérsia para invadir a cidade capital do país. Mas claro que, graças as famosas Areias do Tempo, o Príncipe volta a vida e precisa resolver o problema já que os Hunos possuem ajudas hostis de magias ocultas desconhecidas.

Com isso, no comando do Príncipe, precisamos consertar tudo que aconteceu de errado nos últimos dias desde a sua queda. Para isso, recrutamos aliados e libertamos prisioneiros no decorrer do caminho de volta para a cidade, enquanto tentamos descobrir o paradeiro do nosso irmão desaparecido. Além é claro de precisarmos resgatar o rei e a rainha, que estão como prisioneiros em algum lugar da cidade.

A história em si serve mais como um pano de fundo para a jogatina do que qualquer outra coisa. Mas por possuir uma narrativa não linear, acaba agradando os mais curiosos justamente pelo aspecto de “busca de pistas” que ela possui. Existe inclusive um menu no jogo que serve como mapa mental para juntar todas as informações coletadas para, enfim, entender o que de fato está acontecendo.

Movimentação fluida e divertida

Para entender todo o enredo do jogo em detalhes, você precisará explorar muito bem todos os mapas para desvendar mistérios, resolver enigmas e encontrar pistas escondidas. Para toda essa exploração, The Rogue Prince of Persia possui mecânicas incríveis de movimentação e combate. Arrisco dizer que estes são os pontos mais positivos do game como um todo.

Ao controlar o Príncipe, logo de início somos apresentados aos comandos básicos de movimentação do personagem. Aqui, estamos em uma visão 2D do jogo, mas rapidamente percebemos que precisamos nos atentar com o fundo de tela também. Já que o Príncipe pode saltar e andar pelas paredes do cenário de fundo para aumentar o alcance dos seus pulos.

Existem paredes para escalarmos, um dash que também serve de esquiva durante combates, pontos de apoior para alcançar níveis mais altos e a famosa corridinha na parede bem icônica do personagem clássico. Além de ser uma pegada bem criativa para um jogo de plataforma, o modo como tudo isso se encaixa em tela é muito legal e divertido.

A movimentação fluida do personagem e a arte cartunesca bem característica do game faz tudo ficar muito fácil de acompanhar ao mesmo tempo que não sobrecarrega o jogador com estímulos em tela. Isso somado ao sistema de estamina que recompensa o jogador que encaixar melhor as diversas movimentações dando ainda mais velocidade para o personagem torna tudo muito satisfatório.

Combates punitivos e desafiadores

Para contrabalancear toda a fluidez leve da movimentação, temos combates bem pesados, embora igualmente fluidos. A questão aqui é que você precisa entender como cada inimigo funciona e como você pode evitar seus ataques no tempo certo para evitar danos desnecessários (afinal, estamos falando de um rogue-lite e, como tal, recuperação de vida é um recurso bem finito).

Os inimigos são satisfatoriamente variados em padrões de combate, embora sejam esteticamente pouco inspirados. Mas com diferenças simples no padrão como por exemplo lanceiros leves que se teleportam, guerreiros com espada que causam dano somente para onde estão olhando, arqueiros que acertam tiros carregados de longe e grandes lutadores de manoplas que afetam o chão ao seu redor, os combates podem ter boas variações.

O problema vem depois de algumas horas de jogatina, quando você começa a entender o padrão de todos os inimigos presentes, tornando-os um pouco repetitivos no início de cada fase. Mas quando olhamos para a combinação entre eles, o nível de dificuldade pode surpreender bastante, pegando jogadores de surpresa com mortes imprevisíveis.

A movimentação também influencia bastante no combate, com nosso personagem podendo desviar de ataques indo para trás dos inimigos, conseguindo fazer ataques aéreos ou então ataques cima-chão bem eficientes. Mas com tudo isso, é preciso dizer um dos problemas que percebi jogando The Rogue Prince of Persia: as armas que utilizamos com o Príncipe.

Armas que na prática não mudam tanto

Enquanto a movimentação do game é impecável e seus combates são desafiadores na medida, confesso que alguns fatores propriamente do aspecto rogue-lite do game não me agradaram tanto. A começar pelas armas que utilizamos com o Príncipe. Temos até uma boa variedade de armas (ao menos no quesito estético), com manoplas pesadas, adagas, machados de duas mãos, espadas curtas entre outras.

Isso ainda somado às armas secundárias que vão desde chakrams até arcos longos, passando por bombas e várias outras coisas. Porém, enquanto as armas secundárias possuem de fato boas variações de mecânicas, o mesmo não senti nas armas principais. Seja utilizando pequenas adagas ou grandes machados, não senti diferenças drásticas no peso dos golpes durante os combates.

Não é que não exista diferença, ela existe. Entretanto, é sutil demais, ao ponto da sua gameplay simplesmente não mudar quando você está equipado com armas pesadas ou leves. Você segue batendo da mesma forma e se movimentando da mesma foram, sem peso nenhum de diferença além do alcance do dano variar de acordo com a arma que você utiliza.

Do mesmo modo, os famigerados medalhões que coletamos durante as fases que propiciam aumento de status específicos do Príncipe igualmente não possuem tanto peso assim. Salvo um ou outro medalhão que propicia uma habilidade passiva extra, a maioria só acrescenta “alguns por cento” a mais de algum atributo como dano ou defesa, perdendo um pouco a sensação de estarem de fato influenciando o jogo ativamente.

Ritmo que evidencia a repetição

Um risco que todo rogue-lite acaba correndo é de cair no marasmo da repetição. The Rogue Prince of Persia não chega a tanto, mas acaba se tornando cansativo depois de algumas horas. Há pouco tempo analisei aqui no Arkade o rogue-lite brasileiro Hell Clock, que me prendeu por umas 30 horas ou mais até se tornar visível a repetição e o cansaço da fórmula, algo natural de acontecer no gênero.

Com The Rogue Prince of Persia esse cansaço veio em menos de 5 horas, além da frustração de perder para algum chefão ser consideravelmente maior do que no jogo brasileiro. Ao meu ver, o que influencia esse cansaço vir bem mais rápido no game da Ubisoft é o pouco impacto que o seu crescimento parece ter.

Não necessariamente você sente que está voltando mais forte a cada nova run. O que deixa a experiência de jogo cair na repetição bem mais rápido. E isso pode ser proposital, já que a campanha do game é bem curtinha, aumentando o tempo de jogatina com o nível de dificuldade e não necessariamente com conteúdo.

Me peguei pensando algumas vezes durante minha jogatina de The Rogue Prince of Persia que esse game poderia ser muito melhor aproveitado se abandonasse o esquema de rogue-lite e abraçasse de fato do metroidvania como o recente e excelente Prince of Persia: The Lost Crown, mas com uma narrativa, estética e apelo completamente diferentes do seu “irmão mais velho”. Para se manter no gênero de Dead Cells, falta um pouco mais de variação e peso na progressão.

Prince of Persia ainda vive

Faço minhas as palavras do nosso amigo Renan do Prado, quando ele analisou o acesso antecipado do game: “Enquanto o remake de The Sands of Time segue num desenvolvimento que vai de mal a pior, a franquia felizmente está finalmente tendo o ‘revival’ que merece, não se limitando ao que o público está acostumado …”.

Apesar de possuir questões e pontos a serem melhorados, é louvável o trabalho artístico que a equipe da Evil Empire fez com The Rogue Prince of Persia. Seja com o visual de primeira muito estilizado, seja com a trilha sonora que mistura música eletrônica e instrumentos persas de forma incrível ou com as mecânicas de combate e movimentação muito prazerosas, o jogo mostra que arriscar é bom, mesmo que não alcance a perfeição.

The Rogue Prince of Persia estava em acesso antecipado desde o ano passado pela Steam e foi lançado oficialmente no último dia 20 de agosto de 2025. Ele está disponível para PCs (via Steam e Xbox), PlayStation 5 e Xbox Series.

Gilson Peres

Gilson Peres é Psicólogo, Mestre em Comunicação e aqui no Arkade fala principalmente sobre Realidade Virtual, jogos de PC e novas tecnologias desde 2019.

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