Bangers Open Air 2015 – W.A.S.P. celebra com os fãs brasileiros os 40 anos de seu primeiro álbum

5 de maio de 2025
Fotos: @rogeriovonkruger | @marcoshermes | MHermes Arts

A primeira vez que me lembro de ver o W.A.S.P. foi nos Piores Clipes do Mundo. Apesar de zoar os clipes dos anos 80, o Mion ajudou toda uma geração, que era adolescente nos anos 2000, a conhecer bandas que a sua MTV já não tocava mais, pois vivia a era dos Backstreet Boys e Britney Spears da vida. E mesmo o rock já era algo bem diferente naqueles dias.

De qualquer forma, quando falamos desta banda de Los Angeles, automaticamente somos transportados a tudo aquilo que eles representavam nos anos 80, com cabelões, caras de maus, maquiagem e toda aquela vibe teatral, compartilhadas por outras bandas contemporâneas como o Kiss ou o Twisted Sister.

O tempo passou e, em 2025, no Bangers Open Air, o W.A.S.P. estava muito mais tranquilo no palco, mas nem por isso, menos enérgico em suas músicas. Após uma introdução sonora que viaja pela história da banda, I Wanna Be Somebody explode no sistema de som, dando o tom da apresentação: após a porrada de Kerry King e os cantos em coro do Blind Guardian, era hora de, pelo menos por uma hora, viajar aos anos 80.

Blackie Lawless, distante daquela figura de Wild Child, cujo clipe conta com caras, bocas e explosões, inclusive nos músicos (valeu por ver isso, Mion), está acompanhado agora de Doug Blair, que mantém esse jeitão farofa de se tocar, além do baixista Mike Duda e de Aquiles Priester, o brasileiro que está na banda desde 2017.

E, quem estava esperando por um solo do músico, se enganou. Aquiles preferiu ir ao microfone conversar com os fãs brasileiros. Emocionado, ele chamou aquele momento como “o show mais importante de sua carreira”, além de agradecer a todos por manterem o metal vivo, a ponto de garantir a organização de um festival como o Bangers.

O show teve como norte o W.A.S.P., primeiro disco com o mesmo nome da banda, lançado em 1984. As dez músicas foram tocadas na íntegra, como no álbum original. I Wanna Be Somebody e L.O.V.E. Machine foram bom exemplos de músicas que agradaram e surpreenderam quem estava ali, talvez nem imaginando que tais músicas estivessem no setlist.

O telão central do palco, sabe-se lá porquê, só passou a funcionar na sexta música, Hellion, com todo tipo de imagem da história do W.A.S.P., somando fotos, vídeo e material da banda, tudo em uma produção “safada”, mas que cumpria o seu papel. Produção, ao menos nesses novos dias da banda, não é o forte do pessoal, mas o que importa mesmo é a música por aqui, e isso não faltou.

Após tocarem o disco todo, hora do bis. The Headless Children, The Real Me, do The Who e Forever Free foram o “começo do fim”, em um show que terminou com a enérgica Wild Child e Blind in Texas.

O W.A.S.P. dos anos 80 não existem mais. A banda mudou muito, a idade chegou e toda aquela parafernália, incluindo na roupa de seus músicos, ficou no passado. A produção “safada” poderia até nos fazer imaginar que a banda leva tudo no automático e vive de tributo com a sua própria história. Mas, felizmente, quando o assunto é música, Lawless e sua trupe continuam caprichando com um bom som, em um bom show.

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Junior Candido

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