CCXP25 – A Warner Bros. quer ver seus fãs torcendo pelos seus personagens favoritos com suas camisetas esportivas

Camiseta de séries, animes e filmes são, sem dúvida, a coisa mais natural do mundo. É o que a gente mais vê em eventos como a CCXP. Mas, como estamos falando de moda quando falamos destas camisetas, elas também passam por novidades, que buscam levar aos fãs uma melhor maneira de se expressar sobre seus personagens favoritos.
No caso da Warner Bros., por exemplo, duas coisas chamam a atenção de quem passa pelos corredores do evento: camisetas que contam com estampas que vão além de uma simples estampa ou imagem dos personagens, e camisetas esportivas, lançadas na CCXP25 e que dão ao fã a oportunidade de “torcer” pelo Tune Squad, pelo Superman ou pela Penélope Charmosa.
São camisas que foram feitas para simular camisas de futebol, mas com temas dos personagens. Na camiseta do Tune Squad, por exemplo, o famoso logo da Jordan dá lugar a uma paródia com o Patolino fazendo o icônico movimento que ostenta a marca do protagonista do primeiro filme da saga, que está perto de completar 30 anos de vida. Já a camiseta da Penelope Charmosa conta com detalhes retirados do carro da famosa personagem, em Corrida Maluca.
Assim, para entender melhor estes novos conceitos, conversamos com com Wellington Silva, criativo da Roboto (parceira da Band Up nas lojas oficiais de grandes estúdios) e um dos nomes por trás das coleções que chamaram atenção na CCXP25. O assunto? Como uma camiseta deixa de ser “só uma camiseta” e vira uma declaração de amor profunda ao universo geek.
Arkade: Eu notei que as artes aprovadas, as mais especiais, nunca são só “a logo do filme” ou “o personagem posando”. Tem pesquisa, tem motivo, tem história por trás. Como vocês chegam nesse nível em que a estampa conversa de verdade com o fã?
Wellington Silva: Funciona assim: quando trabalhamos com licenciamento, recebemos um pacote de imagens oficiais. Mas aqui na Roboto a gente só desenvolve coleção se assistir o conteúdo inteiro, entrar em grupos de fãs, ler o que as pessoas realmente sentiram com aquela série, filme ou animação. Muitas vezes o material oficial não traduz o jeito que o fã brasileiro absorveu aquele universo. Aí a gente cria material exclusivo, manda pro estúdio ou pro criador original e pede aprovação. Como a gente respeita 100% o DNA do personagem e o que de fato aconteceu no conteúdo, a aprovação sempre vem – pode demorar um pouquinho mais, mas vem. É assim que a mágica acontece.
Arkade: Isso explica aquela camiseta da Corrida Maluca, com a ordem exata das vitórias no desenho… (a camiseta disponível no evento coloca, de cima para baixo, os pilotos do desenho em ordem de vitórias, com o Dick Vigarista, obviamente, em último lugar).
Wellington: Exatamente. Não é só colocar os pilotos. É contar a história que o fã viveu.
Arkade: E os fãs acabam virando quase co-criadores, né? Eles chegam com ideias absurdas, detalhes que só quem ama de verdade sabe: o tamanho do sapato do personagem que tanto ama, o chaveiro exato do Impala de Supernatural…
Wellington: É fundamental. A maior matéria-prima que a gente tem é como o fã absorveu aquele conteúdo. Às vezes a gente recebe arte oficial e fala: “Não, esse personagem não se comporta assim aqui no Brasil”. O público faz meme daquela cena, virou icônica de um jeito diferente. A gente briga muito pra respeitar essa visão. Porque no final estamos falando do dinheiro que a pessoa tira do bolso. Ela precisa olhar pra peça e pensar: “É exatamente assim que eu vejo esse universo”.
Arkade: Outra coisa que percebi é que o público da CCXP tem envelhecido junto com o evento. Estamos com mais de dez anos de evento, e aquele adolescente de 2014 hoje tá casado, já pode até ter filho, mas continua querendo expressar essa paixão. Como vocês estão acompanhando esse fã que cresceu?
Wellington: Hoje a gente divide a loja praticamente em fatias de décadas. Tem produto de Hanna-Barbera pra quem tem 50-60 anos e lembra da infância, tem Hora de Aventura pra galera dos 30, tem Gumball pra quem tá na casa dos 20 e poucos. Cada um tem a nostalgia da sua época. A conexão emocional é a mesma: “Esse desenho/filme/série fez parte da minha infância/adolescência”. E é exatamente essa memória afetiva que faz a pessoa adulta gastar dinheiro com uma camiseta ou uma caneca anos depois, desde que a gente respeite aquela lembrança.
Arkade: Pra finalizar: vamos falar destas camisetas esportivas. Quadribol do Harry Potter, Penéra com Charmosa, Space Jam abrasileirado, Superman… De onde veio essa ideia louca e como tá sendo a recepção?
Wellington: A recepção foi absurda, maior do que a gente já esperava, e a expectativa já era alta. É edição ultra limitada por causa da complexidade: bordado, costura, tecidos diferentes… Provavelmente hoje já vai ter modelo esgotado aqui na CCXP. Talvez a gente abra pré-venda online daqui uns 10 dias pra quem não conseguiu.
A ideia veio dessa maturidade do público geek em entender camiseta esportiva como peça de moda mesmo. Já tínhamos feito uma da Pixar que bombou, aí pensamos: “Chegou a hora”. O brasileiro ama futebol, ama torcida, ama time. E o fã geek torce pela sua franquia do mesmo jeito que torce pro clube do coração: quer que ela ganhe, quer reboot bom, quer série boa, fica puto quando “perde o campeonato”. Transformar Harry Potter, Looney Tunes, e o mundo DC em “times” que a gente torce foi conexão instantânea. O pessoal não só ama – torce mesmo. E quando a gente mistura isso com qualidade de produção alta, some tudo rapidinho.
As camisetas da Band Up especiais em formato de futebol estão disponíveis na CCXP25, mas talvez possam aparecer no site, em um sistema de encomendas, dependendo da demanda dos fãs.
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