Eloy Casagrande terminou de gravar a bateria do novo álbum do Slipknot
Eloy Casagrande terminou de gravar as baterias do novo álbum do Slipknot e revelou detalhes do processo de criação das músicas.
O baterista brasileiro Eloy Casagrande já gravou todas as baterias do primeiro disco dele com o Slipknot. Ele contou isso no The Downbeat Podcast, comandado por Craig Reynolds, baterista do Stray From The Path, e disse que encerrou as gravações cerca de uma semana ou dez dias antes da conversa. A entrevista foi publicada primeiro pelo Blabbermouth.
O mais interessante da conversa é o jeito como o álbum está sendo feito. Segundo Eloy, tudo começou no fim de 2025, quando ele e o guitarrista Jim Root passaram a trocar riffs e levadas de bateria à distância. A primeira vez que tocaram juntos num estúdio foi em fevereiro ou março de 2026, com a presença de Clown (M. Shawn Crahan). A rotina era jogar de três a quatro horas por dia, gravar tudo e depois ouvir o material para separar os momentos em que os três sentiam que a coisa encaixava.
Esse formato se repetiu em temporadas de duas e três semanas e, mais tarde, ganhou a banda inteira: Mick Thomson, Jim Root, o baixista Alessandro Venturella (V-Man), Clown e Michael Pfaff participaram das jams. Das improvisações, o grupo recortava trechos e usava como ponto de partida para as músicas. O produtor Matt Wallace, que também trabalhou em “Arsenal“, acompanhava as sessões para entender o universo do Slipknot, e Clown ficava de olho no que valia a pena guardar.
Cada música foi tocada cinco, seis ou sete vezes, e ele escolhia o melhor take, ou, em alguns casos, juntava a primeira metade de uma tentativa com a segunda metade de outra. Para ele, a ideia é entregar um disco com cara de gente tocando, porque, nas palavras dele, não é uma máquina. Eloy lembrou que já deu aulas em São Paulo e via alunos achando que a perfeição dos discos de metal atuais é o padrão real, quando quase nunca é.
Sobre “Arsenal“, o single lançado em setembro, ele esclareceu que a música nasceu de uma demo de Corey Taylor, enviada no começo do ano, com riffs escritos por Jim Root. A bateria original era bem básica, e Eloy tentou respeitar a demo no início. Durante as jams, Clown propôs mexer na parte da bateria para deixar a faixa mais interessante, e Eloy acabou trocando praticamente tudo. Ele só definiu o que ia tocar no dia da gravação: a banda improvisou em cima da música durante a tarde e, no começo da noite, ele gravou a versão final em um único take.
O single teve recepção dividida. Parte dos fãs achou que a faixa se afastava do som habitual da banda e criticou o refrão, em que Corey repete “Let’s go”. Jim Root respondeu a um fã num post do Instagram, depois apagado, dizendo que “Arsenal” foi uma música que deu para finalizar mais rápido e que não representa o restante do repertório. Ele também confirmou que a faixa não entra no álbum. Corey, por sua vez, disse à BBC Radio 1, no programa de Jack Saunders, que a música resume bem o que a banda faz.
“Arsenal” foi o primeiro material novo do Slipknot depois da saída de Sid Wilson e Craig Jones, e da troca de Jay Weinberg por Eloy na bateria. Foi também o primeiro lançamento pelo selo próprio da banda, o (sic)est Records, depois do fim do contrato de duas décadas e meia com a Roadrunner. O clipe foi dirigido por Clown.
O novo álbum será o sucessor de “The End, So Far“, de agosto de 2022, que estreou em segundo lugar na Billboard 200. Além disso, o último show do Slipknot foi no festival Inkcarceration, em Ohio, em julho de 2025, o que deixa a turnê de 2027 como o retorno aos palcos com a formação atual.
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